Terça-feira, 04 de Agosto de 2020
números em baixa

Efeito corona: queda nas vendas assusta setor automotivo

Dados negativos são reflexos dos meses de paralisação da indústria, quando apenas 1.847 veículos foram produzidos no Brasil



1778740_6A1FFC6B-4898-48EF-AD51-0FA29074B457.JPG Previsão da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores é de queda de 40% no faturamento da indústria automobilística em relação a 2019. Foto: Euzivaldo Queiroz
23/06/2020 às 18:08

Os números negativos divulgados pela Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) retratam a nova realidade que o setor automotivo deve encarar mesmo com o retorno das atividades fabris, com previsão de queda de 40% na arrecadação da indústria automobilística em relação a 2019.

Boa parte dessas estimativas são os reflexos dos meses de paralisação da indústria por conta da pandemia da covid-19, quando apenas 1.847 veículos foram produzidos em território nacional durante o mês de abril, e as vendas das fábricas despencaram 99%, o pior desempenho desde 1957.



Apesar da recuperação de 15% no mês de maio em relação a abril na produção de autoveículos, o ano que parecia o início de um novo fôlego para o setor pode demorar pelo menos 3 anos para recuperar-se totalmente dos déficits acumulados dos anos anteriores.

Porém, de acordo com o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Alarico Assumpção Júnior, se não houver uma segunda onda do novo coronavírus, com uma abertura plena nos 1030 municípios de atuação da Fenabrave, a recuperação pode ser de até dois dígitos.

“Antes da pandemia nós estávamos imaginando um crescimento próximo a 10% nesse ano e com a pandemia nós vamos perder possivelmente mais de 30%”, lamenta o presidente da federação que detém 7,3 mil empresas que agregam 315 mil empregos diretos em território nacional.

Assumpção estabelece ainda que o setor teve o mesmo rumo de toda a economia, mas a redução da renda das famílias pelo desemprego ou novas cargas de trabalho podem dificultar a venda de bens duráveis como os veículos, já que 75% das distribuições são feitas por meio do mercado varejista.

A adequação do setor a tecnologia foi uma atitude indispensável, com a disponibilização de atendimento por sites ou em chats diretamente com os vendedores, porém o presidente lembra que a experiência de conhecer fisicamente o show room das lojas ainda é a uma ferramenta necessária para captação de vendas, que se reduzidas podem acarretar demissões e fechamento de lojas.

“Se nós considerarmos os anos de 2015 e 2016 que foram, até então, os piores para o setor automotivo, quando nós perdemos 1,2 mil empresas e 155 mil empregos, com a pandemia ainda não tenho números, mas posso afirmar que vai haver fechamento de empresas e perda de empregos”, esclarece Alarico.

Comentário: Silvana Semen, diretora - Garcia Veículos

“Nós tivemos muitas mudanças até na forma de atender o cliente, onde tivemos que disponibilizar um serviço mais personalizado e com utilização de recursos digitais. Antigamente isso era mais distante, hoje você tem que conseguir a proximidade com o seu cliente mesmo sendo por um canal digital. No retorno a gente estava esperando um percentual de queda maior, prevíamos uma queda de 10% e isso não ocorreu. Nós estamos com um volume de vendas no mês de junho, que foi quando o retorno aconteceu de forma moderada com todo controle nos fluxos de lojas [...] com todos os cuidados que nós adotamos, estamos conseguindo ter os mesmos resultados dos anos anteriores”.

Montadora manteve emprego

Fábricas da Toyota voltarão à produção nesta semana com todos os cuidados sanitários. Mesmo não havendo uma previsão do impacto causado pela pandemia com a produção e as vendas de carros foram praticamente interrompidas no Brasil, por quase três meses, a Toyota continuou os esforços para manter os empregos e a saúde dos funcionários.

As fábricas da montadora voltarão à produção nesta semana com todos os cuidados sanitários como a instalação de câmeras termográficas nas portarias para medir a temperatura dos colaboradores em tempo real, a diminuição da capacidade das rotas pela metade para oferecer o distanciamento correto, a disponibilização de álcool em gel em diversos locais de circulação, além de entrega de kits com máscaras.

Investimentos

Os investimentos no país foram mantidos, assim como a previsão de lançamentos de novos modelos, mas a montadora indica que novas medidas podem ser avaliadas levando em consideração os valores da empresa no momento da tomada de decisão.

“Acreditamos que, mesmo após a pandemia, as pessoas continuarão se locomovendo por meio de veículos confiáveis, seguros, conectados a serviços e a preços justos”, diz a nota da montadora em resposta a reportagem de A Crítica

Durante a fase mais crítica da crise de saúde, a Toyota colaborou também com a doação de carros, álcool em gel, alimentos e ainda participou da rede de empresas voluntárias para a produção de 4 mil respiradores, até o fim de julho, com a utilização do Sistema Toyota de Produção (TPS), uma iniciativa inédita do setor liderada pela Mercedes-Benz.

Nos primeiros cinco meses de 2020, os veículos produzidos no Brasil, pela Toyota, representaram 74% do total vendido pela marca, no país são produzidos os modelos Corolla, Etios (hatch e sedã) e Yaris (hatch e sedã).

Locadoras em recuperação

Após o ‘adeus’ positivo do ano de 2019 a locadora de veículos, Movida, vinha fortalecida para encarar o ano novo, mas com os decretos que reduziam a circulação de pessoas nas ruas, a empresa começou a sofrer as consequências da pandemia em março e abril, mas começou uma recuperação para no mês de maio de junho.

Apesar da queda o diretor executivo de vendas e marketing, Jamyl Jarrus, explica que a segmentação dos serviços colaborou para que a empresa reduzisse os prejuízos. O destaque que colaborou para o equilíbrio nas contas foi a locação de carros por assinatura para pessoas físicas.

Em uma recente pesquisa realizada pela Movida com consumidores, 47% dos entrevistados consideram alugar um carro para evitar utilizar outras opções de transporte que deixam exposto. Mais da metade (54%) são novos na categoria, ou seja, nunca alugaram um veículo.

“As pessoas estavam vendendo os seus carros, começando um movimento de aluguel e esse segmento sofre muito menos no período da pandemia”, conta o executivo.

Apesar de toda a crise econômica a empresa permanece em conversação com as fabricantes de veículos para atualização da frota.

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