Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
Zona Franca

Com forte representatividade no PIM, produção eletrônica recua 30,3% em abril

Dados do IBGE indicam que essa oi a maior queda verificada na série histórica iniciada no início de 2002



dovulga__o_DEF99BD8-B176-4E73-8040-8B89CA383875.jpg Divulgação
23/06/2020 às 10:03

A indústria de produtos não essenciais sofreu duros golpes com o fechamento do comércio como medida para conter a pandemia do novo coronavírus. O setor de eletroeletrônica, com forte representatividade no Polo Industrial de Manaus (PIM), recuou 30,3% no mês de abril em relação ao mês anterior, com ajuste sazonal, conforme dados divulgados pelo IBGE agregados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Essa foi a maior queda verificada na série histórica iniciada no início de 2002.

“O setor de eletroeletrônico vê com muita apreensão o momento grave em que estamos vivendo”, informou o José Jorge do Nascimento Junior, presidente executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). 



No primeiro trimestre, o setor  registrou um tímido crescimento que reflete um pouco a expectativa que havia no início do ano, de um 2020 marcado pela retomada no consumo. “Esperávamos obter um crescimento de 5% a 10% na produção de eletroeletrônicos”, conta o presidente da Eletros.

Entretanto, com o agravamento da crise a partir da segunda quinzena de março, houve uma drástica revisão nos números. O presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato acredita que este ano haverá uma queda de 15%. 

Consumidor 

Humberto explica que a recuperação do setor está completamente ligada à recuperação de confiança do consumidor. 

As indústrias vão fabricar à medida que os estoques das lojas forem precisando de reposição. Isso só acontece se o consumidor recuperar a confiança em comprar. A taxa de desemprego também deve ser um fator determinante neste cenário. 

“Eu espero sinceramente que por volta de setembro e outubro, a gente recupere o nível de vendas    “, afirmou o presidente da Abinee. 

Para ele, talvez não seja possível voltar à normalidade neste segundo semestre. A indústria foi afetada desde o início da pandemia na China. Em fevereiro as fábricas no Amazonas já sentiam a falta de componentes.  

“Registramos níveis recordes de estoque em abril, por volta de 25%. Ainda não temos os dados de maio, mas estimamos que devem ser ainda maiores, ultrapassando os 40%. Esse cenário indica que, mesmo com uma retomada imediata, ainda teremos que desfazer dos estoques atuais para fortalecermos a produção e buscarmos resultados que aliviem as perdas que tivemos”, acrescenta o presidente da Eletros.

Lojas 

A indústria de eletroeletrônicos sofreu bastante com o fechamento das lojas, tendo em vista que o varejo físico é a principal plataforma de comercialização para estes produtos, sobretudo, os de grande porte como a linha branca, que inclui geladeiras, fogões e refrigeradores. 

O mesmo se percebe na linha marrom, composta por aparelhos eletrônicos de uso doméstico, para informação e entretenimento, como TVs e equipamentos de áudio e vídeo. 

“O consumidor sente a necessidade de ver o produto que está levando e a grande maioria prefere realizar sua compra de forma física. O setor como um todo já sofreu uma retração de mais de 60% desde o começo da crise”, afirmou o presidente da Eletros, José Jorge do Nascimento Junior.

Os números são confirmados pelo presidente da Abinee. “Tivemos uma queda de 70% na produção de eletrodomésticos, foi uma queda muito considerável”, afirmou.

Exceção 

Pesquisas de mercado da Eletros indicam aumento pontual na venda de produtos para o lar e de uso pessoal, tais como aspiradores de pó, secadores de cabelo, utensílios para cozinha entre outros eletroportáteis que acabam tornando a permanência forçada em isolamento mais agradável. Uma curiosidade é o aumento pontual nas vendas de máquinas de costura.

José Jorge do Nascimento Junior ressalta dois pontos. Em primeiro lugar, trata-se de aumentos pontuais nas vendas de linhas de produtos que não possuem grande representatividade no volume de produção da indústria de eletroeletrônicos, ou seja, o impacto para as indústrias é pequeno. 

O outro aspecto é que os produtos vendidos neste período, via comércio eletrônico, são produtos que já estavam, muito provavelmente, nos estoques do varejo, não saíram dos estoques da indústria.

Barbato, da Abinee, destaca a venda de outro produto: computadores. “Nem todo mundo estava preparado para o home office. Com a família toda trabalhando e estudando em casa, houve uma demanda maior por estes equipamentos”, afirmou.

Empregos no setor

Uma sondagem realizada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), entre os dias 26 e 29 de maio, sobre o impacto da pandemia de coronavírus na produção do setor eletroeletrônico, mostra que  70% das empresas afirmaram que não houve redução em seus quadros de empregados no mês de maio, mesmo percentual verificado na pesquisa de abril. 

Conforme sondagem realizada no início de maio, 95% das entrevistadas indicaram a realização de ações com o objetivo de evitar ou reduzir demissões, tais como: teletrabalho (home office); antecipação de férias individuais; acordos de redução de jornada de trabalho e salários; uso do banco de horas; utilização de linha de crédito para folha de pagamentos; entre outras. 

“Preservando empregos, preservamos o setor”, disse o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato. 

A última pesquisa da Abinee também revela que 87% das entrevistadas estão adotando as medidas emergenciais anunciadas pelos governos municipal, estadual e federal), a fim de amenizar os impactos econômicos da Covid-19.

A pesquisa também apontou que 68% das empresas projetam queda na produção em 2020 em relação a 2019. Outras 25% acreditam estabilidade e apenas 7% têm expectativa de crescimento na produção este ano.

Números

Em 2019, a indústria eletroeletrônica brasileira registrou faturamento R$ 153 bilhões, além de mais de 234,5 mil empregados. Somente no ano passado foram movimentados R$ 5,5 milhões em exportações e R$ 32 milhões em importações.

Repórter de A Crítica

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