Sexta-feira, 03 de Julho de 2020
ECONOMIA

Setores em evidência: segmentos registram crescimento durante crise do coronavírus

Setor de supermercados e hipermercados, por exemplo, deu salto de 16,9% com a corrida das famílias pelo abastecimento durante isolamento



1663851_F5ADD6A7-C5FD-4B92-8106-60A1C7C1D3CE.jpg Foto: Divulgação/Pixabay
04/05/2020 às 16:39

Há quase dois meses o mundo parou. Empresas de vários segmentos tiveram que fechar as portas por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19).

Ao mesmo tempo em que uns pararam suas atividades, outros precisaram se desdobrar para atender à forte demanda. Tecnologia; alimentos; higiene e limpeza; equipamentos de saúde; farmacêuticos e educação à distância são alguns destes setores.



O economista Roderick Castello Branco, explica que os setores menos afetados são aqueles que conseguiram manter suas atividades devido ao seu caráter de essencialidade (supermercados, drogarias, etc).

Segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), supermercados e hipermercados tiveram, desde o início de março, aumento de 16,9% quando comparados a dias equivalentes em fevereiro de 2020, antes da crise.

As drogarias e farmácias apresentaram, desde o início da pandemia, leve queda (-1,6%) o que pode ser entendido como positivo, dada a forte redução do consumo.

Por outro lado, ainda a partir dos dados da Cielo, é possível notar que esse resultado só foi possível devido ao forte aumento do consumo ainda em março, quando as políticas de isolamento passaram a ser praticadas - ou seja, quando as pessoas sentiram a necessidade de se preparar para a crise. Passado o pânico inicial, as drogarias também apresentaram redução nas vendas (algo em torno de 13%).

Essa é a realidade média nacional. Quanto a Manaus, ainda faltam mais dados. Por isso, a Escola Superior de Estudos Sociais da Universidade do Estado do Amazonas (ESO-UEA), com o apoio da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL), está realizando pesquisa de percepção do empresariado do comércio local acerca dos impactos da Covid-19 sobre seus negócios.

“Como ainda estamos coletando os dados, é prematuro afirmar qual setor teve melhor resultado, mas posso adiantar que empresas prestadoras de serviços de saúde e alguns serviços de fornecimento de alimentação entenderam a crise como positiva ou muito positiva para o negócio”, afirmou o economista.

Saúde

Enquanto alguns segmento experimentam a redução de público, empresas da saúde passam por uma boa fase. A Instrumental Técnico, loja de artigos hospitalares, aumentou em 50% o número de público na loja.

Sueuda Rebelo é gerente comercial na loja e conta que os itens mais procurados no momento são: oxímetro (aparelho para medir sinais vitais), termômetro e respiron (aparelho de fisioterapia respiratório). Óculos de proteção também estão sendo bastante procurados.

Mesmo com a forte demanda, a empresa mantém suspenso o atendimento presencial. “Por enquanto estamos atendendo com entrega e retirada do material na loja”, conta a gerente.

“Nosso maior problema hoje é falta de produto. Muitos produtos não têm previsão de entrega. Estamos fazendo o possível para ter material para atender, limita ndo venda de alguns itens mais críticos”, diz.

Tecnologia

Afrânio Soares, presidente da Action Pesquisas de Mercado acredita que o setor de tecnologia é um dos principais beneficiados, especialmente do ponto de vista comercial e profissional. Muito aplicativos e softwares mostraram seu valor neste período de isolamento social.

“Com certeza a pandemia do novo coronavírus não só evidenciou a importância da tecnologia nas nossas rotinas, como também acelerou muitos processos digitais nas empresas e na vida das pessoas”, acrescenta Tiago Pawelski, gerente de General Affairs do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, responsável pela implantação de sistemas inteligentes no Sidia Amazon Tower.

Empresas implementando as vendas on-line, escolas passando a utilizar cada vez a educação a distância, e o home office são alguns exemplos disso. “A tecnologia nos trouxe alternativas para que pudéssemos seguir a vida neste novo cenário de isolamento social”, diz o especialista do Sidia.

“Depois desta pandemia, todas as empresas em todos os ramos terão que ser mais ‘digitais’, para estarem preparadas para o que vem no futuro e para ganharem em eficiência econômica”, acrescenta.

O gerente de General Affairs do Sidia acredita que o ramo da tecnologia sairá ainda mais forte da crise. “Se há um setor que mostrou sua força e necessidade ao mundo é o da tecnologia. Já vivíamos em mundo com transformações velozes e exponenciais. A tecnologia faz parte dessas mudanças e mais do que nunca nos dá alternativas para este novo mundo que está sendo reconstruído com a pandemia do coronavírus”, afirma.

Opinião: Roderick Castello Branco - Economista

Aceleração digitalDe forma geral, as empresas rapidamente entenderam que estava acontecendo uma mudança na forma que as pessoas consomem e responderam por meio da inovação. Negócios que já haviam iniciado o processo de digitalização (vendas online e trabalho remoto, por exemplo), sofreram menos na adaptação. Aquelas que viam o comércio digital como um canal secundário agora precisam reorientar a cultura organizacional para a mentalidade de vendas pela internet. Quem se antecipou e realizou os investimentos antes da crise, conseguiu grande vantagem frente à concorrência.

Blog: Afrânio Soares

Presidente da Action Pesquisas de Mercado

“Certamente o setor de turismoe todo o seu conjunto se subsetores satélites serão os que mais sofrerão com a crise mundial. mesmo depois do afrouxamento do isolamento social. Os turistas que antes viajavam cinco, seis, sete vezes por ano, vão viajar menos. Tudo por conta do temor de pegar a doença. O turismo é repleto de contato entre as pessoas, por isso, certamente será o setor mais impactado. Lazer também deve sofrer. Apesar de algumas empresas de eventos estarem apostando no retorno, jogando seus eventos para o final do ano, eu diria que isso ainda é prematuro, porque provavelmente não vão querer, durante algum tempo, estar em ambientes muito cheios”.

Repórter de A Crítica

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