Sábado, 16 de Outubro de 2021
Entrevista

‘Temos a intenção de participar de leilões de energia’, afirma diretor da Eneva

A operadora de gás natural, que projeta investimento de R$ 110 milhões até 2030, possui em seu portfólio os campos de Azulão, em Itapiranga, e do Juruá, na bacia do Solimões entre Tefé e Carauari



CC65383B-99D3-438B-8B2F-9A3F10A5D058_509241FF-223E-4D94-935E-94EA4FA71819.jpeg Foto: Divulgação
29/08/2021 às 16:01

Maior operadora de gás natural do Brasil, a Eneva projeta investimento de R$ 110 milhões até 2030 e boa parte deste aporte deve fazer parte da expansão da empresa em território amazonense. A companhia possui em seu portfólio os campos de Azulão, em Itapiranga, e do Juruá, na bacia do Solimões entre Tefé e Carauari. É detentora de todos os blocos exploratórios da bacia do Rio Amazonas. 

Além das compras já consolidadas a Eneva mira na aquisição de novos investimentos no Estado como a base de Urucu, em fase de negociação com a Petrobrás, o arremate de termelétricas no próximo leilão da Eletrobrás, previsto para dezembro de 2021 e a venda direta se Gás Natural Liquefeito (GNL) para indústrias situadas no Polo Industrial de Manaus (PIM). Essas e outras propostas da empresa foram tema da entrevista desta semana com o diretor de Operações da Eneva, Lino Lopes Cançado.



Quais são atualmente as áreas de atuação da Eneva?

A Eneva é uma empresa que atua tanto na exploração e produção de óleo e gás, primordialmente o gás, como também atua na geração de energia elétrica, utilizando a sua própria produção de gás para gerar energia elétrica, o que a gente chama de modelo R2W. Os principais  estados de atuação  empresa estamos no Maranhão onde nós temos campos em produção de gás e temos atividades exploratória também e temos um parque termo elétrico de 1.9 gigawatts de potência que gera energia para o Sistema Interligado Nacional, o SIN. 

Também temos duas usinas de geração termoelétrica a carvão, sendo uma em São Luiz no ponto de Itaqui na Costa e outra nas proximidades de Fortaleza no Ceará. Mais recentemente quando a companhia iniciou investimentos no Amazonas foi com a aquisição do Campo de Azulão ainda em 2018. Desde então a empresa vem fazendo investimentos crescentes no estado. O primeiro deles foi para desenvolver o campo de Azulão porque era um campo que anteriormente pertencia à Petrobras com reservas de gás provadas. 

A companhia adquiriu esse campo e depois investiu para viabilizar projetos de produção de gás e depois transformar esse gás em um gás liquefeito, o GNL, e transportar esse GNL até o estado de Roraima, na capital Boa Vista, onde nós estamos construindo uma usina termoelétrica de 140 megawatts. Esse é o projeto no qual a Eneva vem investindo e além disso, ela vem investindo também na exploração do gás natural no entorno de Azulão. 

Desde que nós investimos no Campo de Azulão nós já perfuramos mais três poços. Com a perfuração desses poços as reservas que inicialmente eram na ordem de 3,6 a 3,7 bilhões de metros cúbicos, passou a 6,3 bilhões de metros cúbicos. Mais recentemente a Eneva adquiriu três blocos exploratórios no entorno de Azulão nos quais assinou contrato em junho desse ano. São contratos de exploração desses blocos e já estamos mobilizando uma sonda que inicia a perfuração de cinco poços inicialmente porque devem ser sete agora em setembro de 2021, ou seja, a companhia continua fazendo investimentos constantes no estado e na região de Silves de Itapiranga.

O que isso trás para o estado?

Ali tem uma planta industrial onde será produzido o gás GNL que é um investimento na ordem de quase 1 bilhão de reais, gerando empregos agora na fase de construção no pico das obras chegamos a quase 1 mil empregos diretos e depois vai continuar gerando empregos nos próximos anos na operação desta planta, mas a Eneva não vai parar por ai. Já aumentamos  as reservas provadas no campo. Estamos iniciando a atividade exploratória e temos a intenção de participar de leilões de energia. Vai ter um leilão no dia 19 de dezembro desse ano com projeto de termoelétrica no estado do Amazonas também. 

Em qual fase está atualmente o projeto do Campo de Azulão?

Já está produzindo gás de forma reduzida e está produzindo GNL na fase de testes da planta para iniciar o fornecimento prévio para Jaguatirica e o projeto todo deve entrar em operação até o final do ano. 

As novas aquisições da Eneva no Amazonas têm qual finalidade?

Esses poços que nós vamos perfurar são poços exploratórios com o intuito de aumentar as reservas de gás provadas da companhia e com essas reservas provadas de gás da companhia habilitar projetos de usinas termoelétricas no mesmo estado do Amazonas. Nós já temos ali a intenção de habilitar um projeto de termoelétrica para o leilão de dezembro deste ano que seriam também na região de Silves e Itapiranga. 

Com as atividades atuais da empresa qual a previsão de geração de emprego e quais as áreas mais demandadas?

Temos a geração de mais de 1 mil empregos diretos. Na sua grande maioria, em torno de 90% são do próprio estado do Amazonas e foram muitos empregos direcionados a construção, tanto na construção civil quanto de montadores elétricos, mecânicos, eletricistas. Para a fase de operação a Eneva tem como política desenvolver e depois contratar pessoas do entorno das áreas de onde atua. Nesse sentido a Eneva no ano passado fez uma turma com 100 técnicos locais, privilegiando os municípios do entorno do projeto e também com alguns candidatos de Manaus, e esses 100 candidatos participaram de um programa de treinamento remunerado de 1 ano na companhia e desse grupo nós estamos selecionando alguns para efetivação e os outros vão continuar fazendo parte do banco de dados da companhia para futuras oportunidades. 

A pretensão de aquisição de termoelétricas pela Eneva no Amazonas são um reflexo da capitalização de Eletrobrás?

Vamos nos habilitar com um projeto para participar de um leilão que se nós nos sagrarmos vencedores nós vamos implantar o projeto para construir a termoelétrica e depois vir a opera-la. Esse primeiro leilão que acontece em dezembro ainda não tem nada a ver com a capitalização da Eletrobras. No ano seguinte vão ocorrer  leilões que estão relacionados com a capitalização da Eletrobras e o acordado é que vão haver térmicas vocacionais, ou seja, localidades onde termoelétricas serão construídas e o estado do Amazonas faz parte dessa lista de térmicas e a Eneva sim tem intenção de participar no ano que vem aproveitando essas oportunidades de leilões para oferecer projetos de construções de termoelétricas no Amazonas. 

Com essa abertura da Eletrobrás para o capital privado, é possível que as contas de energia, principalmente provenientes das térmicas possam reduzir?

Há diversos componentes de uma cadeia de valor que é bem longa, não é somente a questão de um produtor de energia no início da cadeia que estará impactando significativamente o preço da conta de energia.  O que é fato é que a forma com que a Eneva gera energia elétrica, a partir do gás natural imediatamente ao lado da termoelétrica, o que a gente chama de térmica na cabeça do poço, são projetos mais eficientes e que são mais competitivos então eles têm a possibilidade de sagrar vencedor do leilão com um preço mais competitivo, mas repito essa é apenas a ponta do gerador até o preço para o consumidor final existe uma infinidade de novos agentes na cadeia e cada qual tem seus custos e margens.

Falando em privatização em que pé estão as negociações para a aquisição do Polo de Urucu?

Foi um processo público de venda do ativo feito pela Petrobrás onde participaram diversos agentes e o que é público hoje em dia é que a Eneva foi escolhida como a melhor ofertante e está na fase de negociação exclusiva com a Petrobrás. No momento estamos discutindo as condições desse contrato de compra e venda e ainda não temos uma conclusão, a gente espera chegar a alguma conclusão em algum momento em um futuro breve.

Quais benefícios a aprovação da Lei do Gás no Amazonas pode trazer para o mercado local?

Essa regulamentação o principal impacto dela é que o produtor de gás vai poder se colocar diretamente em contato com o consumidor e o serviço de distribuição passa a ser meramente um serviço, mas a compra e venda desse gás vão poder ser feitos diretos do produtor com o consumidor e isso vai fazer com que o mercado de gás no estado seja mais dinâmico e que tenha mais entrância neste mercado, ou seja, vão aparecer mais companhias interessadas em explorar e produzir gás no Amazonas que tem bacias sedimentares ricas e com possibilidades de encontrar hidrocarbonetos, gás e óleo, e por outro lado as indústrias do estado do Amazonas vão se beneficiar no sentido que elas irão poder negociar diretamente com os produtores contratos de compra e oferta de gás. Os consumidores domésticos continuam sendo consumidores da distribuidora, onde a rede de gasoduto da distribuidora alcança os consumidores domésticos que continuam sendo cativos dessas distribuidoras em consumo em volumes pequenos. 

A Eneva pretende expandir também para o mercado de comercialização de gás?

O que a Eneva discute é a possibilidade de comercializar gás liquefeito, mas em quantidades industriais. Para o produtor do gás não tem como comercializar quantidades pequenas de gás, isso é a função da distribuidora de gás, o que a nova lei faz é permitir que os consumidores industriais tenham contato direto com o produtor. 

Então o foco seriam as empresas do Polo Industrial de Manaus?

É mais voltado para o polo é a possibilidade de substituir combustíveis mais caros como o diesel e óleo combustível que são mais poluentes também por um combustível mais barato e menos poluente e produzido no estado do Amazonas, ou seja, geração de emprego no estado com a produção de combustível, no transporte dele ao invés de importar diesel dos Estados Unidos para ser consumido no interior da Amazônia. 

Quais os projetos socioambientais a Eneva tem posto em prática no Amazonas e quais os benefícios para as localidades no entorno das poços de exploração de gás?

O primeiro benefício direto a sociedade é a geração de emprego, treinamento e desenvolvimento de mão de obra. Na parte de política da companhia a gente desenvolveu mão de obra local, depois o pagamento de impostos tanto à nível local, estadual e municipal, nos municípios onde essas atividades se desenvolvem e arrecadam mais impostos na forma de ISS e a Eneva desenvolve diversas ações sociais. Nós temos ações voltadas para a agricultura com a floresta em pé, ações voltadas para o desenvolvimento de prestadores de serviço de fornecedores locais, temos ações voltadas para o covid, com associações de costureiras locais fazendo mascaras, fizemos diversas doações de respiradores e medicamentos temos ações de geração de renda e desenvolvimento para pessoas que desenvolvem atividades agrícolas. O relatório de sustentabilidade da empresa que foi publicado recentemente tem a lista de todas as ações sociais que a empresa desenvolve. 

Em quais pontos o Estado ainda precisa melhorar para favorecer o mercado de gás?

O Amazonas avançou muito nos últimos anos, a Lei do Gás do Amazonas trouxe um avanço tremendo e acho que vai atrair investimentos não só de Eneva mais de outras companhias para atuarem nesse setor porque ele dá muito mais garantias para os investidores e a possibilidade de  negociar o gás diretamente com os consumidores industriais, o arcabouço fiscal também é super importante para o desenvolvimento da atividade e atração de outras empresas interessadas em vir para o estado, desenvolvimento de mão de obra local sem dúvida é fundamental através dos cursos técnicos e das escolas técnicas e universidades do Amazonas. 

Outra coisa que é muito importante e esse tipo de atividade trás é a interiorização do desenvolvimento. O Amazonas é um estado muito concentrado na sua capital e os municípios do interior são muito mais satélites em relação ao desenvolvimento como essa atividade de exploração, produção e logística do gás se desenvolve majoritariamente no interior do estado eu acho que vai ajudar a interiorização do desenvolvimento.

 

* Esse texto foi alterado no dia 30 para corrigir informação sobre o valor de investimento até 2030, que será de R$ 110 milhões  

News giovanna 9abef9e4 902c 428b a7c8 c97314664fb7
Repórter
Repórter de A CRÍTICA. Sempre em busca de novos aprendizados que somente uma boa história pode trazer.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.