Quarta-feira, 01 de Dezembro de 2021
Tradição

Centro de Educação Paraíso Infantil se destaca pelo ensino humanizado em Manaus

Primeira escola de Manaus a oferecer educação em tempo integral, CEPI trabalha a Inteligência socioemocional com os alunos



_MG_5973_E420E2BB-12E2-421A-B829-A0118D35669B.JPG Foto: Gilson Mello
06/11/2021 às 17:40

Há mais de 42 anos, o Centro de Educação Paraíso Infantil (CEPI) tem atuado como referência de ensino na cidade de Manaus. Pioneira no atendimento de crianças na primeira infância – desde os 4 meses de idade – é, também, a primeira escola de Manaus a trabalhar com o sistema de tempo integral.

Fundada no dia 2 de julho de 1979, na avenida Efigênio Salles, por Paulo Serejo Corrêa e sua esposa, Eunice Lira Corrêa, o CEPI desde a sua origem buscou ser uma “extensão do lar” de seus estudantes.



“A demanda de fornecer dois turnos veio de uma necessidade de trabalhadores do Distrito Industrial, que vinham para cá e não tinham com quem deixar os filhos. Eles passaram a vir e frequentar a escola em tempo integral. E isso foi uma inovação nossa em Manaus, pois nenhuma escola fornecia educação integral até então”, descreve Paulo Corrêa, um dos fundadores do CEPI.

Com uma estrutura adequada e propícia para os alunos, o CEPI fornece um atendimento de qualidade e atividades pedagógicas que visam um desenvolvimento integrado do aluno, e contam com apoio e orientação psicopedagógica, psicológica e nutricional.

Para o CEPI, a escola é um ambiente apropriado para que as crianças sejam cuidadas e se desenvolvam em diversos aspectos da vida. É na escola que as crianças aprendem de forma mais prática a viver em comunidade, a compartilhar objetos, a criar laços afetivos e de amizade com o outro, a experimentar e explorar a diversidade dos saberes. Na escola, as crianças ampliam seu vocabulário, recebem estímulos pedagógicos, desenvolvem sua autonomia e aprendem na troca e vivência com o outro.

Ambiente familiar e acolhedor

No CEPI, todos os alunos são reconhecidos como indivíduos únicos e atendidos de acordo com suas singularidades. Além disso, eles são conhecidos por todos da escola por seus nomes e atuam como protagonistas em seu desenvolvimento.

Com uma proposta de acolhimento e valorização do ser, o CEPI tem um diálogo aberto e de livre acesso aos alunos e seus pais e familiares. Percebe-se que tanto os alunos como seus pais têm uma admiração e carinho especial pela escola quanto os pais destes.

Exemplo disso é o do ex-estudante Daniel Aguiar de Lima Duarte, que visitava a escola na ocasião e estudou desde o jardim de infância até a quarta série, atual 5º do Ensino Fundamental. 

“Àsvezes é complicado do adulto entender e compreender o mundo da criança e acaba sendo uma relação superficial. Porém no Paraíso Infantil é uma experiência de vida. Existem laços, a gente consegue se conectar. Aqui todo mundo é incluído”,enfatizou.

Daniel destaca que no CEPI não existe tratamento diferenciado. “Lembro que na minha sala tinha um aluno que era filho da senhora que cuidava da limpeza. Estudávamos juntos e todo mundo se tratava por igual e como amigo. O Paraíso Infantil, até brinco, que seu nome remete a isso mesmo, um lugar que nos deixa saudades por ter sido tão bom em nossas vidas", comenta o ex-estudante.

Acompanhamento psicopedagógico

Além do brincar e do acompanhamento pedagógico, o apoio psicológico e a educação emocional têm se apresentado cada vez mais necessários para a vida. O autoconhecimento, o nomear as emoções e o lidar com frustrações ou conflitos são alguns pontos que o CEPI desenvolve com seus alunos.

Segundo Paulo Corrêa, o período do isolamento social causado pela pandemia da Covid-19 foi o principal motivo da queda de aprendizagem na educação infantil.

“A gente procura ter um relacionamento próximo com a criança. A pior consequência nesse período pandêmico foi com a Educação. Há várias crianças frustradas, que passaram um ano longe do relacionamento escolar e desenvolveram certos traumas por falta da escola. O ambiente escolar é fundamental na vida do estudante, principalmente na educação infantil”, comentou o diretor do CEPI.

De acordo com o psicólogo e professor de inteligência emocional da Instituição, Jonathas Lira, o ensino da inteligência socioemocional tem trazido uma melhoria significativa na vida dos alunos, que aprendem desde cedo a se conhecer e a se relacionar com o outro.

“Após ter aquela fase dos estudantes um pouco receosos e mais cautelosos, devido à pandemia, agora percebemos que eles chegaram a uma fase em que as lacunas psicossociais afloraram e pode haver um sentimento de frustração e desafios emocionais. Uma das formas que temos de lidar com isso é chamar a família e conscientizar que isso pode acontecer. É importante ensinar o aluno sobre resiliência e como lidar com as adversidades”, pontua o psicólogo.

A interação da criança com as demais no ambiente escolar, segundo o psicólogo, é essencial.

“Em uma turma só de filhos únicos, por exemplo, eles não têm irmãozinho em casa. O dia a dia na escola foi interrompido e, quando retomam ao ensino presencial, essa lacuna tende a aparecer. Dificuldade de interagir, de perdoar e até de perder numa brincadeira são pontos que podem ser treinados. Isso geralmente ocorre na escola ou em casa, quando se tem irmãos. A criança não teve a oportunidade de treinar a sua socialização com outras da mesma idade, por conta do isolamento social”, destaca Jonathas Lira.

Para o ano de 2022, o psicólogo da escola afirma que o Centro de Educação Paraíso Infantil continuará acompanhando todas as crianças que precisam de apoio pedagógico e emocional.

“Vejo que, de fato, todo mundo procura fazer o seu melhor. É claro que há algumas crianças em que precisamos investir mais no apoio psicológico e educacional. Na alfabetização, por exemplo, espera-se que no primeiro ano as crianças sejam alfabetizadas. Devemos entender que cada aluno tem o seu ritmo e que a alfabetização é um processo. Devemos ser pacientes e muito mais acolhedores para superar os desdobramentos causa dos pela pandemia estas sequelas educacionais causadas pela pandemia”, ressalta o professor de inteligência emocional.

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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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