Manifestação

Professores da UFAM farão manifestação contra o retorno presencial das aulas

De acordo com os profissionais, o retorno ignora os perigos da pandemia

Lucas Vasconcelos
13/05/2021 às 16:21.
Atualizado em 09/03/2022 às 07:24

(Foto: Arquivo A CRÍTICA)

Os professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) se preparam para realizar na próxima quarta-feira (19), um dia de mobilização conta o Projeto de Lei PL 5.595/2020. O projeto prevê a suspensão das aulas remotas e obriga o retorno presencial para toda as instituições de ensino do país.

Para o professor de Ciências Sociais e vice-presidente da Associação dos Docentes da Ufam (Adua), Aldair Oliveira, o Projeto de Lei ressalta que a educação é essencial, porém ignora a crise sanitária causada pela pandemia da Covid-19.

"A Adua é completamente contrária sobre qualquer possibilidade de retorno presencial sem que a comunidade geral da universidade, como professores, alunos, técnicos-administrativos e prestadores de serviço, como segurança e limpeza, sejam imunizados. O PL reconhece que a educação é um serviço essencial. Nós nunca duvidamos disso. O que o governo federal faz é mais uma espécie de 'disfarçatez' em não assumir a incompetência em conter a pandemia e intensificar a imunização do país", ressaltou o professor.

Grandes perdas

A Ufam possui, ao todo, 3.479 colaboradores, dentre docentes e técnicos administrativos, e quase 27 mil estudantes em todos os campus do Amazonas (Manaus, Benjamin Constant, Coari, Parintins, Humaitá e Itacoatiara).

Segundo o vice-presidente da Adua, não faz sentido ter um retorno presencial enquanto a cobertura da imunização contra o coroanavírus entre a comunidade acadêmica é baixa.

"Não existe retorno sem vacina. No Brasil são cerca de 220 milhões de habitantens e não chegamos nem a 2 milhões de vacinados. Isso é quase insignificante. Não tem condições de obrigar o retorno com a desculpa que a Educação é essencial. Ainda que exijam o retorno só dos professores que foram vacinados (a maioria da área da saúde), as atividades acadêmicas implicam nos na presença de outros profissionais, como técnicos e serviços de limpeza, por exemplo. Segundo nosso último levantamento, a Ufam perdeu 120 profissionais para a Covid-19", destacou Oliveira.

Um estudante da Ufam que não quis se identificar, contou que ainda não é hora para um retorno presencial. A preocupação maior é aglomeração que pode ocorrer no transporte coletivo, por exemplo.

"O coronavírus a gente sabe que passa pelo ar. A gente sabe também que qualquer descuido é suficiente para nos contaminar. Isso é muito problemático pois quem sabe a realidade universitária da Ufam, não adianta passar álcool em gel, lavar a mão, distanciamento social, porque quando começar a pegar o ônibus-integração, a gente começa a ficar que nem sardinha enlatada", descreveu o estudante.

Cortes no orçamento

Aldair Oliveira acrescentou ainda na inconsistência que o governo federal apresenta em insistir o retorno presencial do ensino, apesar de feito um corte de 37% no orçamento deste ano em relação ao ano passado.

"Não faz sentido o governo obrigar o retorno presencial dizendo que a educação é uma atividade essencial, e ao mesmo tempo está fazendo cortes de orçamento em várias universidades brasileiras. No ano passado, a Ufam trabalhou com R$ 660 milhões, mas em 2021 teve um corte de 37% no orçamento, caindo para R$ 419 milhões", acrescentou o professor.

Sinalização e preparo para o retorno

No mês passado, A CRÍTICA noticiou que a Ufam já está se preparando para um possível retorno presencial. Foram fixadas diversas placas de sinalização que informam sobre as medidas sanitárias em vários pontos estratégicos da universidade, como em corredores, pontos de ônibus, bancos. Além de 300 totens que disponibilização álcool em gel.

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