Domingo, 25 de Julho de 2021
ENCONTRO VIRTUAL

Unicef e Consórcio Interestadual da Amazônia discutem reabertura segura das escolas

Evento ocorreu de forma on-line e reuniu secretários de educação de nove estados da Amazônia Legal para debater diversas pautas, entre elas o planejamento das redes para a reabertura segura das escolas



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12/03/2021 às 14:45

A representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer, participou, nesta quinta-feira, dia 11, de uma reunião virtual com os secretários estaduais de Educação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, presidido pelo governador Flávio Dino, do Maranhão. O encontro teve por objetivos discutir estratégias para a reabertura segura das escolas, estimular os estados que promovam a adesão dos seus municípios à Busca Ativa Escolar, conhecer como cada estado está apoiando sua rede de ensino e os municípios diante dos desafios do ensino e da aprendizagem remotos decorrentes da pandemia, e, também, anunciar o lançamento do Selo UNICEF, edição 2021-2024. Além do governador maranhense, participaram da reunião os secretários estaduais de educação e representantes do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Florence Bauer expressou a solidariedade do UNICEF em relação à pandemia e ao momento desafiador que todos os estados brasileiros estão enfrentando. A representante também expressou a preocupação da organização quanto ao fechamento das escolas que, em vários países ocorreu, em média, por 22 semanas. Na América Latina, o período de fechamento e suspensão das aulas presenciais alcançou a média de 30 semanas. O Brasil lidera o ranking dos países com maior tempo de fechamento das escolas em relação aos outros países do mundo e da América Latina, chegando a 50 semanas.



“Como é de conhecimento de todos, isso tem um impacto profundo junto às crianças. Apesar de todos os esforços feitos pelos professores, desenvolvendo metodologias inovadoras e variadas para chegar nas crianças, não é a mesma coisa que a presencial. Os dados da PNAD Covid-19 (2020) mostram que, enquanto antes da pandemia havia cerca de 1,3 milhão de crianças e adolescentes fora da escola, agora, dados de dezembro de 2020 mostram que há cerca de 4 milhões adicionais de crianças e adolescentes que perderam o vínculo com a escola, o que nos leva a mais de 5 milhões de estudantes que estão fora dela. Esta situação nos leva de volta a 10, 15 anos atrás. Além dos efeitos na aprendizagem, sabemos do efeito desta situação na desnutrição, pois há crianças vulneráveis que dependem da alimentação na escola para a ingestão de nutrientes em quantidade e qualidade necessárias para o seu desenvolvimento, além do aumento da violência contra crianças e adolescentes. Por isso, defendemos que a escola deve ser a última a fechar e a primeira a abrir. E, na América Latina, aconteceu justamente o contrário.”

A reunião ocorrida nesta última quinta-feira (11) foi convocada pelo  governador Flávio Dino para que, junto ao  UNICEF, fosse dado início a um diálogo, no âmbito do consórcio, sobre o planejamento conjunto para a reabertura segura das escolas, um processo que requer prioridade por parte da gestão, tanto em nível estadual, como municipal. “Eu fiz rigorosamente tudo o que foi possível para retomar as aulas do ensino médio no segundo semestre do ano passado, só que foi consideravelmente impossível, mas não por questões sanitárias. Nós tínhamos convicção que era possível naquele instante retomar as aulas, mas, tínhamos a oposição de praticamente 100% dos professores estaduais. E em relação aos pais e estudantes, muito receio, medo e outros fatores. Fizemos pesquisas e, em todas elas, identificamos que o retorno às aulas presenciais não foi a escolha dos respondentes. Compartilhamos a ideia de que as escolas devem funcionar.”

Ele fez ainda alguns encaminhamentos, tais como garantir 100% adesão dos municípios da Amazônia Legal à estratégia Busca Ativa Escolar; o plano para alfabetização na idade certa; planos para reabertura gradual das escolas e retorno das aulas presenciais, analisando a situação de cada estado e criando novas possibilidades para que esta seja pauta prioritária na gestão; apoios psicossocial e emocional para a comunidade escolar, estudantes e famílias, entre outros. Ele propôs ainda que o UNICEF faça parte de diálogos com professores e sindicatos de profissionais da educação. O governador solicitou ao UNICEF apoio para esta interlocução, pois não acha viável mais um ano com escolas fechadas e sem aulas presenciais no Brasil.

Os representantes dos estados compartilharam suas experiências, seus desafios e trouxeram algumas demandas ao UNICEF. Segundo a secretária de Educação do Tocantins e diretora da Câmara Técnica de Educação do Consórcio, Professora Adriana Aguiar, o UNICEF, ao trazer a proposta da adesão à estratégia Busca Ativa Escolar, também traz uma proposta de planejamento para a reabertura segura das escolas. “Essa é uma das principais iniciativas para que, de fato, não haja a perda desse vínculo entre estudantes e a escola; entre essas famílias e a escola. Em primeiro lugar, a saúde e a vida. Mas, estamos também fazendo vários esforços, de forma articulada e responsável, para defender a educação, olhando de forma diferenciada os municípios isolados, onde hoje há pouquíssimos casos da Covid-19, como a capital do estado. Definitivamente, não estamos parados! Nunca se discutiu tanto a educação como em tempos atuais.”

Sobre a Busca Ativa Escolar

A Busca Ativa Escolar pode ser potencializada em momentos de crise e colaborar para prevenir e enfrentar a exclusão escolar, com base em informações ancoradas na metodologia social e na ferramenta tecnológica disponibilizadas pela estratégia.

É importante salientar que, no seu gradual retorno ao atendimento presencial, os diversos serviços públicos terão que realizar ações de busca ativa, visto que muitas crianças e muitos(as) adolescentes podem ter tido sua situação de vulnerabilidade acentuada devido à pandemia de Covid-19.

O cenário atual indica a possibilidade de aumento do trabalho infantil e/ou precário, de casos de violências física e sexual e de intensificação de violações entre públicos já bastante vulneráveis, como crianças e adolescentes em situação de rua, em acolhimento institucional, com deficiência, pertencentes a comunidades tradicionais ou adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio fechado.

A Busca Ativa Escolar é estratégica neste momento de crise porque conta com um desenho intersetorial já testado que pode atender às várias políticas públicas, além da educação.

Na educação, estima-se que os indicadores de abandono, distorção idade-série (dois anos ou mais de atraso escolar), dificuldades de aprendizagem e evasão escolar apresentarão um crescimento preocupante. Isso exige das redes de ensino um acompanhamento mais intenso dos(as) estudantes já matriculados(as) , a fim de prevenir e enfrentar esse quadro.

Por isso a Busca Ativa Escolar é tão estratégica neste momento: ela conta com um desenho intersetorial já testado e comprovado que pode atender às várias políticas públicas, além da educação.

Nesse sentido, é importante ressaltar que, mesmo durante o funcionamento remoto dos serviços públicos, bem como na volta gradual da modalidade presencial, é possível realizar a busca ativa de crianças e adolescentes que precisam de atendimento em diversas políticas públicas, adaptando os processos para atendê-los dentro das condições possíveis e, assim, garantindo os seus direitos.

Sobre a Busca Ativa Escolar no Brasil e na Amazônia Legal

Somente em 2020, mais de 80 mil crianças e adolescentes tiveram seu direito à educação garantido por meio de ações intersetoriais no âmbito da Busca Ativa Escolar, em todo o Brasil. Deste total, cerca de 25 mil novas matrículas ou rematrículas foram realizadas em estados da Amazônia Legal Brasileira;

Todos os 9 estados da Amazônia Legal Brasileira aderiram formalmente à Busca Ativa Escolar;

Todos os municípios do Maranhão e Rondônia já fizeram a readesão à Busca Ativa Escolar;

Até a data 08 de março de 2021, 53% dos municípios da Amazônia Legal Brasileira já aderiram à Busca Ativa Escolar na atual gestão.

Sobre a (re)adesão à Busca Ativa Escolar

A (re)adesão à Busca Ativa Escolar pode ser realizada a qualquer momento. O passo a passo  para o processo já está disponível no site buscaativaescolar.org.br . Dúvidas na implementação da estratégia podem ser esclarecidas pelos canais oficiais de atendimento, como o telefone 0800 729 2872, WhatsApp (61) 98257-2931 ou e-mail contato@buscaativaescolar.org.br. No site da Busca Ativa Escolar, municípios e estados também encontram materiais de apoio, vídeos e o curso EaD Busca Ativa Escolar na Prática.

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