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Eleições
POLÍTICA

‘A gente precisa devolver a dignidade das pessoas’, diz Liliane Araújo

Foco no aperfeiçoamento e uma gestão eficiente das instituições e serviços públicos são a base do plano que a candidata do PPS pretende implementar no Estado se for eleita governadora dia 6 de agosto 19/07/2017 às 05:00
Show liliane ara jo
Foto: Reprodução/Internet
Camila Pereira Manaus (AM)

A candidata Liliane Araújo (PPS) começou sua vida política nos movimentos da juventude, já concorreu para os cargos de vereadora e deputada estadual. Nesta eleição, forma chapa puro-sangue com o cabo da Polícia Militar Jeverson Lobo (PPS). Segundo ela, as prioridades de seu mandato serão saúde, educação, segurança e geração de empregos.

Neste mês, a jornalista teve seu registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), seguindo o voto do Ministério Público Eleitoral (MPE), no entanto o partido que representa entrou com um recurso junto ao TRE para tentar derrubar a decisão. Liliane é a quarta candidata na série de entrevistas feitas pelo jornal A CRÍTICA.

O que dá para fazer em um ano e dois meses?

A gente tem que, primeiro, organizar a saúde administrativa do Estado, que está um caos, mas é um caos administrativo, porque recursos têm. O que precisa é uma gestão eficiente, uma gestão que tenha cuidado com as pessoas. A nossa proposta é organizar a saúde administrativa do Estado, rever contratos, evitar gastos e desperdícios. A gente sabe que existem muitos escândalos relacionados a contratos superfaturados, então está na hora de dar um basta e levar a sério, porque estamos lidando com pessoas. A gente precisa devolver a dignidade das pessoas.

Se eleita, como irá lidar com o caos na saúde?

Eu utilizo a saúde comum, não tenho plano de saúde, e sei como está difícil, para conseguirmos algumas especialidades médicas no Estado. E com saúde não se brinca. Nós temos unidades de referência no nosso estado, como o Instituto da Mulher, que e não funcionam na sua totalidade. Também temos um centro de referência no tratamento do câncer que não funciona na sua totalidade. Nosso projeto não é construir unidades de saúde, hospitais... A gente precisa deixar funcionando as unidades já existentes. Nós temos unidades suficientes, a gente só precisa equipar e deixar também com profissionais.

Quais são suas propostas para a segurança pública e para o sistema carcerário?

É importante destacar que o vice na minha chapa é um policial militar. Segurança é uma prioridade. A gente precisa tratar o bandido como bandido e o cidadão como cidadão. A gente precisa devolver a dignidade dos trabalhadores da área de segurança. Eu preciso motivar meus profissionais e equipar. Quando houve o caso dessas mortes dentro dos presídios, que foi contaminando outras unidades prisionais do País, foi feito um acordo com o ministro da justiça que se comprometeu a enviar recursos para a construção de um novo presídio. E cadê esse presídio? Está na hora de nossas autoridades levarem a sério e começar a fazer o que deve ser feito. Pretendemos atuar com eficiência.

Qual seu plano para a geração de emprego? Acredita que a Zona Franca  ainda é uma opção para a economia do Estado ou existem outros caminhos?

Hoje o nosso estado é dependente do setor industrial. Precisamos diversificar a economia. Por que não se criar indústrias de beneficiamento de recursos que temos aqui? Por que não temos uma indústria de beneficiamento do açaí que gera emprego e renda no município de Codajás? Por que não levar indústria e esperança para Rio Preto da Eva em relação à laranja. Sem contar com os recursos minerais. Precisamos colocar pessoas capacitadas e sem interesses políticos para atuar nessas pastas e levar geração de emprego e renda para todo estado, não só na capital.

Quais são suas propostas para UEA?

O que a gente precisa fazer é colocar pessoas competentes à frente de nossas instituições públicas, quando os nossos representantes começarem a pensar dessa forma, a gente vai evitar essas situações de que não tem isso, que não tem profissionais, que não tem recurso. A gente sabe que recurso tem, a gente só precisa administrar com capacidade. É isso que vamos  fazer na nossa gestão. Gestor que não cumprir metas, será retirado. Cada pasta terá metas, que devem ser cumpridas, se não forem cumpridas, a gente vai trocar até achar a pessoa adequada.

Quais alternativas para a mobilidade urbana?

No meu governo, vou continuar apoiando as ações da Prefeitura, porque precisamos trabalhar em conjunto, independentemente de questões partidárias. Quando se trata, em nível de governo, das questões de mobilidade, a gente tem que realmente concluir a BR 319. Não dá mais para conviver com aquele trecho que ainda não foi concluído. Se chegar a ser governadora, irei cobrar da bancada amazonense uma atuação mais firme.  Não dá para viver nesse isolamento.

A senhora já concorreu a outros cargos, como foram essas experiências?

Toda experiência valeu a pena, porque posso dizer que conheço cada canto do nosso estado. Percorri vários locais e me deparei com tristes realidades, que isso me tocou e me motiva a continuar nessa luta.

Como a senhora pretende montar a sua equipe?

Pretendo montar a equipe, buscando técnicos capacitados. Temos a Ufam, a UEA, temos institutos de pesquisa, de onde podemos trazer essas pessoas que, hoje, que em sua maioria, não são valorizadas.

Que meio será utilizado para chegar às comunidades mais distantes do Amazonas durante o seu governo?

 Temos por obrigação fazer um planejamento para estar em todos os municípios e realmente reconhecer as dificuldades de cada um, porque cada município tem as suas prioridades e tem as suas necessidades. A gente só vai saber se a gente for lá. Eu como governadora farei questão de ir pessoalmente em todos os municípios e vou com a equipe levantar as principais prioridades porque a gente precisa devolver a dignidade e esperança para quem mora no interior do Estado.

A senhora tem utilizado bastante as redes sociais no período de campanha?

Acho que hoje é a principal ferramenta para se fazer política, porque não existe mais o financiamento público. É difícil encontrar pessoas que realmente acreditem que política é possível. Tudo no meu partido é pequeno, tudo é mínimo, mas acho que é fundamental para me comunicar com os meus eleitores, meus servidores. Estou aproveitando bastante as redes sociais. Percebo que tem uma interação muito forte. Não precisa de termos técnicos, precisa falar para as pessoas, isso já dá uma adesão muito grande. Essa é a ferramenta do futuro.

A senhora começou na política participando de movimentos da juventude. Quais foram as suas principais lutas defendidas?

Participei dos movimentos da juventude, militando por direitos dos estudantes. Quem participa de movimentos políticos sabe que até os 30 anos você pode participar dos movimentos da juventude. Atuar nas causas que podem trazer melhorias e benefícios para a classe que está representando.

Como a senhora avalia a participação da mulher na política?

Eu digo que é difícil, mas temos mulheres competentes que podem, sim, estar ocupando os cargos. Faço uma grande convocação, para que as mulheres sejam mais atuantes, sejam politizadas e participem do processo político. Não precisa ser disputando, mas só de participar dos movimentos, isso já é muito grande. Precisamos ocupar e acabar com essa discussão de que o lugar da mulher não é na política. O lugar da mulher é, também, na política. Homens e mulheres podem, sim, governar.

A senhora se considera feminista?

Não. Nem um pouco, não me considero feminista ou contra o machismo. Acho que temos que trabalhar para as pessoas, para o bem. Não gosto de ficar polemizando e levantando bandeiras. Acho que a gente tem que atuar para o que é certo e para o que é correto.

No seu plano de governo tem um ponto específico voltado para as mulheres. O que a levou a pensar nessa questão?

A gente precisa também ampliar as políticas públicas voltadas para as mulheres. A gente tem que ampliar o que já existe. Se temos um instituto médico voltado para as mulheres, por que não ampliar? É muito séria a questão da mulher, a questão inserção delas no mercado de trabalho. Quero ampliar o que já existe e melhorar o que já existe relacionado à mulher. Não é criar mais políticas públicas, mas fazer funcionar o que já existe.

Perfil

Nome:  Liliane Araújo de Almeida

Idade:  35 anos

Estudos:  Formada em Jornalismo, pós graduada em Língua Portuguesa  e acadêmica de Direito.

Experiência:  Atuou como jornalista e apresentadora de TV por mais de 10 anos. Foi candidata a deputada estadual, em 2014, e a vereadora, em 2016.

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