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CANDIDATO

‘A união entre diferentes acrescenta muito mais’, diz Eduardo Braga

Senador explica aliança com um dos maiores críticos de suas gestões executivas, diz serem absurdas citações na Lava Jato e fala do plano emergencial que traçou para um mandato suplementar de 15 meses 17/07/2017 às 05:00
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Foto: Reprodução/Internet
Antônio Paulo Brasília (DF)

Na segunda entrevista com os candidatos ao Governo do Estado do Amazonas, na eleição suplementar de 6 de agosto de 2017, o senador Eduardo Braga, da coligação “Renovação e Experiência”, revela o que pretende fazer no mandato de 15 meses, caso seja eleito.

A primeira ação administrativa será a implementação de um plano emergencial de 120 dias (quatro meses) para atuar no combate ao desemprego em Manaus e no interior que terá como medidas prioritárias a redução em 13% do ICMS dos produtos da cesta básica; a retomada das obras paralisadas, como por exemplo, a Avenida das Torres, a duplicação da AM 070 (Manaus-Manacapuru).

Braga concedeu a entrevista em Brasília, onde passou boa parte da semana passada por conta de compromissos do Senado.

O que é possível fazer em um ano e três meses de mandato?

Nós acreditamos que dá pra fazer muita coisa diante do pouco que está sendo feito. Eu e Marcelo apresentamos um plano emergencial que atua principalmente na área de geração de emprego. A média nacional de desemprego está em torno de 14% e Manaus está com 22% de desemprego. O interior vive uma crise de desemprego de 75% da população economicamente ativa. A primeira coisa que vamos fazer para atacar esse problema é isentar de ICMS a cesta básica, ou seja, vai voltar a 1%, como era no meu governo.

A desoneração será restrita aos alimentos?

 Assim que chegarmos ao governo do estado, vamos também revogar aquela lei que aumentou o ICMS da gasolina, do óleo diesel, do concentrado de bebidas e de outros produtos que foram majorados em 2%. Essa desoneração vai acelerar parte da nossa economia e as pessoas voltarão a poder consumir mais, o que gera emprego e fará com que a economia seja reativada.

Nesse plano emergencial, estão previstas as retomadas de obras paralisadas e início de novos empreendimentos?

Nós vamos retomar todas as obras que estão paralisadas e que possuem financiamentos já firmados com o governo do estado, mas, por questões de gestão ou por falta de vontade política e firmeza na administração, essas obras estão se arrastando lentamente. Cito, por exemplo, a Avenida das Torres, a duplicação da AM 070 (Manaus-Manacapuru), várias obras no interior do estado que estão financiadas pelo Banco do Brasil, pela Caixa Econômica; as unidades do programa Minha Casa, Minha Vida. Enfim, existem muitas obras que podem ser retomadas e que poderiam gerar muitos empregos.

Como o senhor vai lidar com a situação no sistema de saúde?

Na área da saúde, o nosso plano emergencial estabelece que nos primeiros 120 dias de governo nós vamos zerar as filas de consultas, exames e cirurgias especializadas. Faremos um verdadeiro mutirão de consultas, exames e cirurgias em 120 dias. Nesse mesmo período de quatro meses, vamos reabastecer as nossas unidades de saúde onde hoje falta do esparadrapo à cibalena (ácido acetilsalisílico), numa lembrança a esse remédio muito antigo e conhecido por muitos, mas, a verdade é que hoje não temos medicamento nem químico-cirúrgicos nos hospitais. Nós vamos formar uma farmácia básica de 100 tipos de medicamentos, abastecendo as unidades de saúde da capital e do interior do Amazonas.

E a segurança pública, que colocou o Amazonas no cenário nacional com a segunda maior chacina do País?

Primeiramente, vamos resgatar a credibilidade e respeito entre governo e as forças policiais, tanto a polícia militar quanto a polícia civil. As promessas e as leis aprovadas e não cumpridas criaram um grande descrédito entre o governo e as polícias. Em segundo lugar, vamos estabelecer um plano de ação aonde nós possamos colocar o policial de volta às ruas; dentro de um planejamento onde tenhamos inteligência, um sistema de informação cooperado entre a PM, Polícia Civil, Polícia Federal, Forças Armadas e Força Nacional. Não vamos apenas fazer o combate ao tráfico de drogas e de armas, mas também vamos voltar a instituir paz nas ruas da cidade.

Como o senhor vê o panorama do interior do estado?

 O jovem precisa voltar a ter perspectivas. Quanto eu estava no governo, nós tínhamos um programa chamado “Jovem Cidadão” em que quase 200 mil jovens estudavam de manhã e tinham um contraturno à tarde onde ele tinha reforço escolar, práticas esportivas, atividades culturais, aula de língua estrangeira e recebia uma bolsa financeira de R$ 30 para motivar a família a fazer com que aquele jovem não estivesse na rua desocupado à disposição da bandidagem. De outro lado, viremos com um programa social vinculado à educação onde o nosso jovem vai voltar ter perspectivas e oportunidades de ter uma profissão através do Programa “Jovem Cidadão”, do Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas), que foi abandonado.

Qual será o tratamento dado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA)?

Além de denunciar que os recursos da UEA estão sendo desviados há dois anos, o reitor deixou de citar que antes desses dois anos desviaram recursos da universidade para uma Cidade Universitária que é hoje uma cidade-fantasma e que precisa ter uma destinação correta. Teremos controle para que esses recursos sejam aplicados de forma eficiente para trazer resultados positivos para a UEA.

Que tipo de aplicação, por exemplo?

Dou um exemplo: todo estudante estuda e trabalha; a maioria dos professores dá aula na universidade e tem outro emprego. Ora, não é compreensível que um professor que dá aula de economia na UEA e trabalha no Distrito Industrial consiga ir lá no campus da Cidade Universitária, no município de Iranduba, e volte para trabalhar no DI em Manaus. O que nós queremos é colocar a parte de pesquisa, extensão universitária e de desenvolvimento de tecnologia, que é dedicação exclusiva, lá na cidade universitária; construir um aeroporto moderno lá na área da cidade universitária e permutar a área do aeroclube de Manaus para que essa área passe a constituir outra parte da cidade universitária, onde teremos os nossos alunos e professores dentro de um campus urbano dentro de Manaus.

Sobre a mobilidade urbana, o senhor tentou implantar o monotrilho e o BRT para a Copa do Mundo, em Manaus, e nenhum projeto saiu do papel. O que é possível fazer nessa área?

Eu tenho dito que a primeira providência que eu e Marcelo (Ramos) vamos tomar, logo após a eleição, é procurar o prefeito de Manaus (Artur Neto), o vice-prefeito (Marcos Rotta) e todos os prefeitos do interior, independentemente de posição política, se a gente ganhar a eleição, para discutir como podemos trabalhar de forma cooperada para solucionar os problemas da cidade de Manaus e do interior do estado. Acho que a união é fundamental, a união faz a força e nós esperamos unir governo do estado, prefeituras e governo federal em favor do povo do Estado do Amazonas.

Gostaria que o senhor explicasse essa aliança com o ex-deputado Marcelo Ramos que tanto lhe atacou nas eleições de 2016.

 A minha união com o Marcelo não é uma união de duas pessoas iguais, somos diferentes, nós pensamos diferentes muitas coisas. Mas, acho que exatamente aí está talvez uma das maiores virtudes do meu amadurecimento, nos últimos anos, e eu creio até no amadurecimento do Marcelo. Quando você soma iguais, acrescenta-se muito pouco, mas quando você soma diferentes, você acrescenta muito mais e é isso que está acontecendo. 

E o rompimento com o prefeito de Manaus, Artur Neto, assim como a perda do vice-prefeito Marcos Rotta que deixou o PMDB e foi para o PSDB. O que aconteceu de fato?

Eu não quero comentar sobre isso. Acho que as pessoas são o que são e eu encaro as coisas com muita naturalidade. Eu não tenho nenhum problema em relação a isso e já disse: terminada a eleição, se nós ganharmos, no dia seguinte, estaremos sentados para trabalhar juntos e resolver os problemas de Manaus.

Como o senhor pretende enfrentar as delações na operação Lava Jato que envolvem o senhor em recebimento de propina?

 Essas citações são absurdas, absolutamente absurdas. Eu as enfrento com naturalidade porque quem não deve não teme. Não há nenhuma prova, nem qualquer indicação material de qualquer relação minha com essas pessoas e, portanto, são discussões que vamos fazer com transparência porque a verdade sempre prevalecerá.

Perfil

Eduardo Braga

Idade:  56 anos
Formação:  Engenheiro Eletricista pela Ufam
Profissões:  Engenheiro e empresário
Cargos:   Vereador (1982), deputado estadual (1986), deputado federal (1990), vice-prefeito de Manaus (1992), prefeito de Manaus (1994), governador do Amazonas (2003-2010), senador (2011-2018); ex-ministro de Minas e Energia (2015-2016)

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