Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019
ESTRATÉGIA

Amazonino e Braga buscarão 440 mil votos da capital no 2º turno, avaliam especialistas

Votos brancos, nulos e abstenções chegaram a 440.553 em Manaus. Cientista político acredita que laços no interior e mobilização para reduzir ausência no pleito podem fazer a diferença



capital.JPG Eleitorado na capital é de 1.275.282 pessoas, porém o índice de abstenções chegou a 15,4% em 2017 (Foto: Aguilar Abecassis)
07/08/2017 às 21:35

Os candidatos ao governo do Amazonas, Amazonino Mendes (PDT) e Eduardo Braga (PMDB), precisam, neste segundo turno, conquistar os votos dos eleitores da capital, que terá papel decisivo, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. Além de concentrar o maior número de eleitores do Estado, Manaus teve uma abstenção de 15,4%, mais que nas eleições municipais de 2016, quando a taxa contabilizou 9%. Chama a atenção a somatório de brancos, nulos e abstenções que chegam a 440.553, na capital. Enquanto no interior, chegaram a 408.975.

Em Manaus, a taxa de comparecimento foi de 84,5%. De um universo de 1.274.364 eleitores, 1.077.751 compareceram nos locais de votação no primeiro turno.



O candidato Amazonino Mendes venceu o primeiro turno, tanto na capital (318.182 votos) como no interior (358.357 votos). Enquanto, em Manaus, Eduardo Braga ficou em terceiro lugar, com 150.118 votos, perdendo do candidato José Ricardo (PT), que conquistou 152.885 eleitores. O triunfo do petista foi considerada uma surpresa no meio político.

Após a divulgação do resultado nas urnas, o candidato a vice governador, na chapa de Braga, Marcelo Ramos (PP) destacou que a coligação “União pelo Amazonas”, deverá concentrar os esforços na capital, nos próximos 19 dias de campanha. “Esta é a hora de chamar para o diálogo fraterno, pensando no futuro, aqueles que tiveram uma bela votação, a candidata Rebecca Garcia e José Ricardo, sendo depositário de confiança de vários manauaras. É o desafio de virar o jogo na cidade de Manaus. Vamos sair concentrados na luta de vencer na cidade de Manaus. Estaremos mais próximos da população”, afirmou.

Para o candidato a vice-governador, na chapa de Amazonino Mendes, Bosco Saraiva (PSDB), é preciso ter uma atenção especial com o número de abstenções tanto na capital como no interior do Estado. “Um detalhe importante a se considerar na abstenção é o caso da descrença do momento político que a gente vive de maneira nacional e no nosso Estado. Outro detalhe é que as comunidades rurais são distantes dos locais de votação, nós não podemos nos guiar pela performance de Manaus simplesmente porque o interior também foi grande”, afirmou.

Outro ponto importante neste novo cenário que começa a se desenhar é a busca pelos apoios de adversários do primeiro turno, além de lideranças políticas, neste primeiro turno. Aqueles que não conseguiram passar para o segundo turno, passam a se reunir nesta semana para declarar apoios futuros. As conversas começaram nesta segunda-feira e devem seguir ao longo da semana.

Braga reforça alianças

Os deputados Ricardo Nicolau (PSD), Francisco Souza (PTN), Platiny Soares (DEM) e Sabá Reis (PR), que no primeiro turno apoiaram a candidatura de Rebecca Garcia (PP), anunciaram na tarde desta segunda-feira (07) apoio à candidatura de Eduardo Braga (PMDB) e Marcelo Ramos (PR).

Líder do governador David Almeida (PSD) na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), Sabá Reis, afirmou que o PR o deixou livre para escolher quem apoiar e agora pode seguir a aliança do partido. "Numa decisão de consciência decidi apoiar a candidatura da

Rebecca com o David junto com alguns companheiros. [...] Eu, o Ricardo Nicolau, Platiny e o deputado Souza decidimos manifestar nosso apoio à candidatura do Eduardo. E no meu caso em particular, estou não mais apenas seguindo a minha consciência, mas seguindo a decisão do meu partido", declarou.

Sobre o posicionamento de David, o líder ressalta que o governador precisa focar na administração. "Eu acho que ele tem que focar na gestão, na administração. Tem muitas coisas que precisam ser feitas e ele tem tempo razoável", frisou. Sabá Reis ainda destacou que o governador ainda vai pagar outra parcela do 13º no tempo restante de mandato.

Apoio do governador

O governador David Almeida (PSD) anuncia na tarde de hoje quem irá apoiar no segundo turno da eleição suplementar, marcada para o dia 27 de agosto. O apoio poderá influenciar no resultado das urnas.

No primeiro turno, o governador não seguiu o partido do qual faz parte, que coligou com Amazonino Mendes (PDT), e apoiou a candidata Rebecca Garcia (PP), que foi a terceira colocada no pleito do Estado, com 268,9 mil votos.

Outros partidos devem definir ainda esta semana as suas alianças para o pleito.

O presidente estadual do PPS, Elcy Barroso, afirmou que até hoje seria definido o posicionamento do partido. “Vamos nos reunir com os filiados para discutir esse cenário. Daí vamos tomar uma decisão”, declarou.

Wilker Barreto (PHS), que disputou o primeiro turno, confirmou que o partido tomará uma decisão até amanhã. De acordo com a sua vice, Professora Jacqueline (PHS) haveria uma reunião ainda ontem, o que não ocorreu.

Já o Partido dos Trabalhadores (PT) irá se posicionar até o próximo sábado. Ontem, os membros da sigla se reuniram pela tarde, na sede do partido, mas nada foi definido.

Neutros

Além da candidata Rebecca Garcia (PP), que anunciou que não deverá apoiar nenhum dos candidatos que vão disputar o segundo turno no dia 27 de agosto, Marcelo Serafim (PSB) deverá seguir pela mesma linha. O vereador disse que não deverá escolher um lado nesta segunda parte do pleito. “No quadro que ficamos, entendemos que não devemos nos posicionar nesse segundo turno e deixaremos essa decisão nas mãos soberanas de quem tem o poder final nessas eleições, o eleitor”, escreveu em comunicado.

Blog – Luiz Nascimento, Cientista Político

“Os dois candidatos que seguem  no segundo turno têm fortes alianças com o poder municipal e isso impacta na escolha do interior. Parte dos eleitores ainda são movidos pelos currais eleitorais. O prefeito, vice e vereadores determinam o voto do eleitor, a população não vota com liberdade. O primeiro movimento dos dois será buscar aliança de quem não foi para o segundo turno, principalmente, do José Ricardo (PT) e do grupo da Rebecca Garcia (PP). Eles vão precisar construir laços no interior onde não foi alcançado para ganhar novos votos e, principalmente, criar uma mobilização na direção de reduzir a abstenção nas urnas, sobretudo na capital, em especial Eduardo Braga. Ele precisará fazer muitos movimentos com lideranças locais, prometer apoio para disputas eleitorais, buscar reduzir a diferença que existe entre ele e seu adversário. O segundo turno é uma outra eleição, mas quem ganha no primeiro turno sai mais oxigenado, sai com uma certa vantagem”.


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