Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2021
SEGUNDO TURNO

Amazonino e David desconversam sobre alianças para o segundo turno

Candidatos que concorreram para prefeitura de Manaus no primeiro turno não se manifestaram a favor de Amazonino e David



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17/11/2020 às 10:36

Um dia após o fim do primeiro turno da eleição em Manaus, os candidatos Amazonino Mendes (Podemos) e David Almeida (Avante), desconversaram sobre as costuras de bastidores sobre alianças na fase final da disputa que encerra em duas semanas.

Ínfima diferença entre os dois prefeituráveis, de apenas 1,5%, o que representa 15,1 mil votos, mostra o acirramento do segundo turno e a necessidade da caça voto a voto na cidade. Amazonino teve 234 mil votos contra 218,9 mil de David.



Questionado sobre a busca de apoio, a campanha de Amazonino informou que o candidato segue com a programação, fazendo uma campanha propositiva e de soluções que ajudem a tornar Manaus uma cidade melhor e mais humana. A campanha vai apresentar o que ele já fez e o que só ele tem condições de fazer pela sua experiência.

“A programação inclui a ida a todas as zonas da cidade, para ouvir de perto a população, e o uso de ferramentas virtuais, que vêm sendo adotadas pelo candidato, ampliando o diálogo com os eleitores. O candidato agradece a confiança depositada pelos eleitores no primeiro turno, sentindo-se honrado com os milhares de votos que recebeu”, disse.

Por meio de nota também a assessoria de David informou que o candidato não vai caminhar com nenhum dos “caciques políticos”, nem com o prefeito Artur Neto (PSDB), e o governador Wilson Lima (PSC).

“Eu já estou articulado com o povo. Não penso em apoio de nenhuma das máquinas, nem do prefeito, nem do governador. Meu apoio é do povo, eu sou do povo e cheguei até aqui sem o apoio dos caciques políticos e nós vamos conquistar a Prefeitura de Manaus com o apoio do povo. A minha principal aliança nesse segundo turno será com a população, com aqueles eleitores que já votaram em mim, e aqueles que votaram nos outros candidatos”, disse David.

Arredios

Nenhum dos outros prefeituráveis que concorreram no primeiro turno se manifestaram a favor de Amazonino e David.  

O terceiro colocado com 139 mil votos , José Ricardo (PT) disse, assim que o resultado se confirmou, ainda na noite de domingo, que o seu posicionamento é de oposição aos dois. E tachou ambos como candidatos do "grupo político que está aí há quase 40 anos".

Candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Coronel Menezes (Patriota), o quinto colocado com 110.8 mil votos, não deve apoiar nenhum candidato no segundo turno.

Durante a sua campanha no rádio e na televisão, Menezes salientava que era adepto de "novas práticas" de uma suposta "nova política" e que era contra aliança com "caciques políticos". Menezes chegou a parecer em uma live do presidente Bolsonaro em que Bolsonaro confirmava Menezes no segundo turno em Manaus. Menezes conquistou 110 mil votos.

O deputado federal Capitão Alberto Neto (Republicano), que ficou na sexta posição com um pouco mais de 76 mil votos, não se manifestou sobre o segundo turno do pleito. A CRÍTICA procurou o deputado por meio de sua assessoria de imprensa, mas não houve retorno. Alberto Neto coligou com o PMN e PTB de Roberto Jefferson.

O candidato do prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), que ficou na sétima posição com apenas 31,5 mil votos, também faz suspense e ainda não confirmou se chegou a ser procurado por Amazonino ou David para compor apoio.

Romero Reis (Novo), que integrou uma chapa 'puro sangue', sem alianças disse que se manterá "independente" no segundo turno. O partido anunciou coletiva de imprensa hoje para anunciar os próximos passos do Novo e o posicionamento definitivo do partido neste segundo turno. Na oitava posição, Romero Reis fechou a eleição com 29 mil votos.

O vereador Chico Preto (DC) afirmou ser realista e disse que o resultado da eleição não o permite "movimento dessa envergadura (apoio no segundo turno)". E disse que vai apenas cumprir o "meu papel como eleitor". Chico Preto ficou na nona posição com 16 mil votos.

Bandeiras

Marcelo Amil (PCdoB) afirmou que qualquer definição será feita somente após conversas que se aproximem das bandeiras defendidas durante a campanha. O candidato obteve 0,29% e ficou em décimo lugar nas eleições para prefeito. A assessoria de Gilberto Vasconcelos (PSTU) disse que a sigla e o político de esquerda dificilmente apoiará "algum dos dois por questão de princípios". Mas ressaltou que o 'martelo' só será batido no decorrer desta semana.

Campeões de votos silenciam

A CRÍTICA questionou os vereadores eleitos e mais bem votados nestas eleições municipais para a Câmara Municipal de Manaus (CMM) sobre a campanha majoritária no segundo turno.

O vereador mais votado do pleito, João Carlos, eleito pelo Republicanos, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) não respondeu se vai fazer campanha para algum candidato no segundo turno. João Carlos, que é pastor evangélico, foi eleito com 13,8 mil votos.

O atual presidente da CMM, Joelson Silva (Patriotas), reeleito para mais um mandato, foi o segundo mais votado, com 12,4 mil votos. O parlamentar, que durante o mandato compôs a base do prefeito Artur Neto, também não quis responder se vai levantar a bandeira de algum prefeiturável no segundo turno.

A terceira colocada em números de votos para o Legislativo municipal, é a vereadora reeleita professora Jacqueline, que integra o partido de Amazonino Mendes (Podemos). Ela recebeu 9,2 mil votos.

A quarta maior votação ficou com um candidato do Republicanos, o Capitão Carpê Andrade.

Outro vereador que também faz parte do Podemos de Amazonino, o quinto mais votado, Amom Lins. Neto do presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Domingos Jorge Chalub. Amom conquistou 7,5 mil votos.


Análise: Carlos Santiado, Cientista político e membro do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral no AM

O resultado das eleições na cidade de Manaus demonstra três recados da sociedade manauara. O primeiro deles é o tamanho das abstenções, votos nulos e votos brancos. Esses números (242 mil) representam uma votação maior do que a votação que teve, individualmente, Amazonino e David Almeida.

Tem o aspecto da pandemia, da saúde pública que é muito forte. Tem as decepções e a apatia do eleitorado com relação política e também tem o ingrediente que envolve os resultados das últimas eleições em que o discurso do 'novo', do diferente e da mudança levou a eleição de inúmeros novatos e esse novatos não corresponderam as expectativas do eleitorado.

O primeiro recado do eleitor da cidade de Manaus foi no sentido de forma clara que está decepcionada com a classe política. Um outro recado foi para a Câmara Municipal de Manaus com uma renovação de mais de 50%. O eleitorado de Manaus quer uma Câmara diferente do que se tem hoje. Colocou inúmeros vereadores veteranos para fora do Poder Legislativo. O eleitor quer uma Câmara independente e fiscalizadora. O terceiro recado do eleitorado é a continuação de uma debate político que começou em 2018 que colocou Amazonino na segunda posição, naquela eleição e David Almeida em terceiro.


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