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Campanha Violenta

Após assassinato de segurança, prefeito de Maués cobra reforço policial do Estado

O prefeito de Maués, Carlos Góes (PT), está em Manaus e disse que só retorna ao município após conseguir reforço policial. O segurança dele foi assassinado na terça-feira, dia 6 07/09/2016 às 21:27 - Atualizado em 08/09/2016 às 08:52
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Segundo o prefeito de Maués, nenhuma autoridade lhe deu respostas até o momento
Janaína Andrade Manaus (AM)

Após o assassinato de seu segurança, Darcy Nildo dos Santos Marinho, na terça-feira, 6, o prefeito de Maués (a 267 quilômetros de Manaus), Carlos Góes (PT), conhecido como Padre Carlos Góes, está em Manaus e disse que só retorna para o município depois que conseguir reforço policial com o governador do Estado, José Melo (Pros).

O crime ocorreu quatro dias após o prefeito pedir, via ofício, ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE/AM), desembargador Yedo Simões, reforço policial para Maués, que desde o início do período de campanha eleitoral vem registrando atos violentos.

“A três semanas atrás depredaram a UBS (Unidade Básica de Saúde) Jorge Brito. Na semana seguinte foi a vez da UBS Verônica Kumagai, onde destruíram máquinas e equipamentos. Depois disso invadiram a sede do PT, partido a qual pertenço, chegando ao ponto do vigia ser agredido. Dias depois o escritório jurídico que cuida da minha campanha, também foi depredado. E agora, o Darcy, que é ligado a Prefeitura, a mim, foi assassinado. Então o que a gente percebe é que está ocorrendo uma série de atos ou contra a Prefeitura ou contra a minha campanha”, disse.

Além de Carlos Góes, concorrem nesta eleição, o ex-prefeito Odivaldo Miguel de Oliveira Paiva, conhecido como Belexo (PMDB); Carlos Alberto de Oliveira Júnior, conhecido como Júnior Leite (Pros), sobrinho do ex-prefeito Sidney Leite, hoje secretário de Estado de Produção Rural (Sepror); e Alfredo Moreira de Almeida (PSD).

Questionado se acredita que os atos que estão ocorrendo no município possuem motivação política, Góes declarou que seria “precipitado” afirmar, mas que o contexto dos fatos lhe deixam preocupado e criticou o efetivo de policiais disponível na cidade.

“Quero acreditar que não foi por motivação política, mas Maués tem precedentes e consequências gravíssimas. Hoje Maués conta com quatro viaturas, oito motos, 15 policiais fixos e uma população de 60 mil habitantes. É muito pouco. É preocupante também a maneira que esses policiais vivem no meu município – sem alimentação, sem diárias. A gente tem ajudado, as vezes, até com o combustível para as viaturas fazerem a ronda na cidade”, contou.

O prefeito de Maués contou que até o momento nenhuma autoridade, seja do TRE/AM, Secretaria de Segurança Pública (SSP/AM) ou Governo do Estado, lhe deram algum retorno quanto ao reforço policial.

“Eu como prefeito me sinto ameaçado e como candidato me sinto prejudicado porque tudo acontece só contra a minha coligação ou contra os prédios públicos, que sou responsável. Maués pertence a esse Estado e merece uma segurança de qualidade. Eu não sou do afeto do governador José Melo, eu não sou o candidato apoiado pelo governador, mas eu não gostaria de ver esse descaso com a segurança de Maués em função disso. Não me arrependo de concorrer a reeleição, só estou preocupado, e só volto para Maués com uma resposta das autoridades competentes”, concluiu.

Além do TRE/AM e do Governo do Estado, o prefeito de Maués também encaminhou um ofício ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM).

A reportagem tentou entrar em contato com o Governo do Estado, por meio do secretário de Estado de Comunicação, Amaral Augusto, mas não foi atendida. O MP/AM, por meio da assessoria de comunicação, informou que o órgão está em recesso desde sábado, 3 de setembro, e que somente hoje – quinta-feira, poderia verificar o caso denunciado pelo prefeito de Maués. O TRE/AM disse que enviaria uma nota, mas até o fechamento desta reportagem, não houve resposta.

Cadeirante tentou matar suspeito

Para vingar a morte do primo, o cadeirante Wilson Paiva de Matos, 38, tentou matar a tiros, Alex Pereira de Lima, de 27 anos, o suspeito de ter assassinado o segurança Darcy Nildo dos Santos Marinho, 46, na madrugada de ontem durante o Festival de Verão em Maués. A tentativa de homicídio aconteceu dentro do Hospital de Maués (distante 267 quilômetros de Manaus).

De acordo com o delegado Rafael Schmidt, titular do 48º Distrito Integrado de Polícia (DIP), o cadeirante entrou no hospital e informou que precisava de atendimento médico. Dentro da unidade de saúde, o deficiente se dirigiu até a sala de curativo, onde Alex estava, e atirou contra ele.

Segundo o delegado, Alex foi atingido por dois tiros, sendo um nas costas e outro em uma das nádegas. Ele é o principal suspeito de ter assassinado Darcy Nildo, o que provocou a fúria dos familiares da vítima. Conforme informações do Comando de Policiamento do Interior (CPI), a vítima foi atingida com uma facada no peito, após tentar de apartar uma briga generalizada durante a festival.

O delegado Rafael Schmidt afirmou que o cadeirante foi preso em flagrante ainda dentro da unidade hospitalar, por policiais da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar. No momento da prisão, o homem ainda portava um revólver de calibre 38, com seis munições, sendo duas deflagradas. Alex Pereira foi transferido para um hospital de Manaus durante a tarde de ontem.

O delegado informou à reportagem que Wilson será autuado por tentativa de homicídio e ficará preso na carceragem da delegacia. O cadeirante ficará a disposição da Justiça. Em depoimento, ele apenas informou que queria se vingar da morte do primo.

Saiba mais

Maués não consta dos municípios listados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Secretaria Pública de Segurança e Exército com histórico de conflitos em eleições. Desse mapeamento, que balisou o envio de reforço policial para garantir a normalidade do pleito fazem parte Maraã, Santa Isabel do Rio Negro, Iranduba, Parintins, Nhamundá, Coari, Boca do Acre, Carauari e Manicoré.

O reforço da Polícia Militar para os municípios do interior, este ano será pago pelo (TRE-AM). Serão destinados R$ 2,1 milhões ao custeio de diárias e transporte do contingente. Ao todo vão ser mobilizados 950 policiais militares e 50 policiais civis. Outros dez municípios, com histórico de violência durante a campanha eleitoral, também podem receber o auxílio de tropas federais. Marãa, Santa Isabel do Rio Negro, Manicoré e Boca do Acre já tiveram os pedidos aprovados pelo TRE-AM. Manaus, Coari, Parintins, Coari, Japurá e Humaitá ainda estão com os processos em andamento na corte amazonense.

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