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Eleições
Entrevista

'Até motéis transformaram em escolas', dispara José Ricardo em entrevista

Candidato do Partido dos Trabalhadores a prefeito de Manaus defende o metrô de superfície, construção de hospitais, acabar com o aluguel de salas de aula e o fim da submissão do Legislativo ao Executivo 30/08/2016 às 10:04
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José Ricardo Wendling (Foto: Evandro Seixas)
Janaína Andrade

Candidato da coligação ‘Compromisso com o Povo’, o deputado estadual José Ricardo Wendling (PT), diz que se eleito irá repetir programas de sucesso do governo federal nos governos de Lula e Dilma, e apagar da história de Manaus políticas que julga serem desastrosas na atual administração tucana, como aluguéis de prédios para escolas. “É uma imoralidade manter essas escolas (alugadas)”, disse o parlamentar na visita à redação de A CRÍTICA.

O que dá para fazer em quatro anos no campo da mobilidade urbana?

Nós temos a necessidade de pensar um modelo de transporte para hoje e para o futuro. Eu defendo que tenhamos corredores exclusivos, porque isso vai contribuir na questão da tarifa, quanto menor o tempo da corrida, menor a tarifa. Mas também já iniciar um estudo para realizar algo maior, e o VLT (Metrô de superfície) é a melhor opção, mas é um investimento grande e que precisa de investimentos estaduais, federais. Os empresários não investiram, o prefeito não cobrou e o transporte está aí, fora dos parâmetros de qualidade. E a gente precisa fazer é botar para funcionar o Conselho Municipal de Transporte Coletivo, que existe e não é ouvido. Não há transparência.

Como será o reordenamento do sistema de saúde e o que propõe nessa área?

Já disse em pronunciamento na ALE-AM que sou contrário a esse reordenamento, inclusive procurei o MP/AM. Hoje, 40% da população de Manaus não é atendida pela rede municipal (atenção básica), por não ter estrutura. A estrutura da saúde da família precisa ser ampliada, quando falamos de 40%, estamos falando de 800 mil pessoas que deixam de ser atendidas. Temos que ampliar a rede de atenção as mulheres, quanto a prevenção de doenças, que é o papel do município. Precisamos dar atenção também as maternidades. Só temos uma maternidade, precisamos de pelo menos mais uma, além de construir também um hospital pediátrico.

A cidade está inundada de assaltos e homicídios. O que cabe à prefeitura?

O papel do município é a prevenção. Uma das nossas proposta é ‘Cidade Iluminada’. O primeiro ponto é ver se toda arrecadação realmente vai para a iluminação pública. E dentro da linha da transparência precisamos divulgar realmente quanto tem para ser investido em iluminação, porque é algo incluso na conta de energia. Depois temos que cuidar da manutenção das vias, porque a buraqueira que está nos bairros dificulta o acesso da própria polícia. Nós temos um papel também da Guarda Municipal, onde precisamos garantir mais segurança nas escolas, unidades de saúde, praças, terminais de ônibus e ainda investir em câmeras nos ônibus.

Temos presenciado novos focos de invasão. Como enfrentar esse problema? Criminalizar é a saída?

Tem que ter política de moradia. Temos que ter uma proposta que não tem hoje em Manaus, que é o ‘Minha Casa Minha Vida Municipal’, com recursos federais e caso seja necessário, recursos de fora. Hoje não há atendimento desse gênero para pessoas de baixa renda, que recebem até dois salários mínimos. Criminalizar jamais será a solução. Nenhum movimento social deve ser criminalizado. À primeira vista, quando você olha uma invasão você só vê irregularidades. Mas também há muitos empreendimentos regulares e que há devastação, impactos ambientais. O papel da prefeitura numa invasão é chegar junto, ocupar também, fazer cadastro para saber quem é quem e já ir afastando os mal intencionados.

O que manteria e o que mudaria na educação?

 No município há em torno de 500 escolas e pelo menos 1/3, que dá umas 170 escolas, estão em prédios alugados. Várias dessas instalações são extremamente precárias, há estabelecimentos comerciais, até mesmo móteis, que foram transformados em salas de aula. A maioria não tem espaço, não tem quadra. Queremos ampliar o número de escolas. Claro que em quatro anos não vamos eliminar esse quantitativo (170), mas vamos diminuir significativamente. Aliás, essa história de escolas alugadas já foi motivo de corrupção. Há um ex-secretário do prefeito, que é deputado federal, que foi condenado no TCE/AM pelos aluguéis dessas escolas. É uma imoralidade manter essas escolas (alugadas). E também temos um programa que é ‘Toda Criança na Escola’, pois sabemos que o número de evasão ainda é grande;

O senhor foi vereador de oposição, se for prefeito e passar para o outro lado do balcão vai querer uma câmara submissa?

Não. Eu acho que Poder Legislativo tem que legislar e fiscalizar, que é o que diz a Constituição. E eu espero que o próximo parlamento mantenha essa linha. E o vereador na fiscalização é que aponta os problemas da administração. Então o prefeito tem que estar muito atento.

O que pensa sobre o projeto Escola sem Partido?

Eu sou contra esse projeto, porque ele não constrói cidadania. Ele cria mais dificuldades ainda para aquilo que precisamos, que é discutir política. Precisamos fazer com o que as pessoas se interessem pela coisa pública, pela escola, saibam de onde vem os recursos e isso passa pela política. Não é partido, é política. É política pública, política de direitos humanos, política educacional, política da juventude. Isso é o que move, o que melhora. Esse projeto é um retrocesso.

O impeachment de Dilma é um golpe?

É golpe quando desrespeita a Constituição, os procedimentos e principalmente a razão, o motivo. O motivo é crime de responsabilidade e que não foi comprovado. E qualquer outra argumentação está fora da Constituição, por isso o conceito de golpe. O fato da economia não estar numa boa fase não é motivo para afastar uma presidente da República, porque problemas econômicos sempre tivemos e nenhum presidente nunca foi afastado por isso. É uma ruptura e acaba abrindo brecha para outros casos. Corremos o risco de transformar o País em qualquer coisa, menos numa democracia.

O senhor é contra ou a favor da descriminalização da maconha?

Está aí um assunto interessante para a gente debater. Eu já participei de algumas discussões onde os defensores da legalização apresentaram argumentos plausíveis e outros defenderam que não. Acho que precisamos trazer a discussão, porque tem muita gente que diz que o tráfico está fortalecido porque é uma atividade proibida, então porque não liberar e gerar uma atividade econômica? A partir daí você cria regras a quem consome, a quem fabrica. Eu não tenho uma posição fechada, pois entendo que temos que ouvir especialistas, médicos. Mas já sabemos de países onde é liberado e funciona.

Bandido bom é bandido morto?

Não. A nossa Constituição é clara e está em sintonia com todos os tratados da humanidade, referente aos direitos da pessoa, que é o direito a vida. O Brasil não tem pena de morte e o pior bandido tem direito a defesa, como todo mundo tem, e tem as punições. E as punições tem que ser feitas para existir justiça. Mas talvez só a palavra justiça não seja suficiente, pois há situações de alguns criminosos em que a população preferia vê-lo morto, mas é por conta do número de assaltos, assassinatos. Mas a nossa lei de execução penal é uma das mais avançadas, agora a implementação é que não é cumprida.

Perfil: José Ricardo
Idade: 52 anos
Nome: José Ricardo Wendling
Estudos: Economia (Ufam) e Direito (UniNilton Lins)
Experiência: Tem dois mandatos de vereador e exerce o segundo mandato de deputado estadual. Desde 1995 é filiado ao PT, e colaborador desde a sua fundação, em 1980. Foi membro do Diretório Estadual e membro do Diretório de Manaus.

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