Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2021
POLÍTICA DESACREDITADA

Brancos e nulos somaram mais de 122,1 mil votos em Manaus

A CRÍTICA conversou com eleitores que tiveram dificuldade em escolher e que decidiram anular o voto por desconfiança com os candidatos disponíveis



junio_5A114391-65D6-45B3-B550-48BC0B83E59E.jpg Foto: Junio Matos
29/11/2020 às 18:41

A chuva que caiu em Manaus na tarde deste domingo (29) não espantou eleitores, que ocuparam os terminais de integração da cidade. Um sentimento comum que pôde ser observado pela equipe de reportagem de A CRÍTICA foi o da desconfiança com relação à política partidária, o que teve eco na quantidade de votos brancos e nulos desse segundo turno: 122.184.

Ao fim do pleito e com 100% das urnas apuradas, David Almeida foi eleito o novo prefeito de Manaus, com 466.970 dos votos (51,27%).



No Terminal de Integração 4 (T4), localizado no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, a doméstica Ana Maria Reis, 36, explicou porquê deixou o voto em branco. “Não sei mais nem em quem votar. Só prometem, prometem, prometem e não cumprem nada”, disse.

Acompanhada dos filhos, uma adolescente de 15 anos e um garoto de sete, Ana Maria afirmou que estava há cerca de 40 minutos no T4, quando foi abordada pela equipe de reportagem, à espera do ônibus para voltar para casa. Sobre o que espera para o futuro de Manaus, ela afirmou que deseja melhorias no transporte público.

“Demora muito. A escola onde eu voto fica na Zona Sul. Esperei uma hora para chegar lá. Agora, uma hora para voltar para casa. Sem falar que tem muitos ônibus velhos, que deixam a gente no meio do caminho”, afirmou.

O operador de produção e estudante de gestão de negócios, Wesley Dias Loureiro, 23, deixou para votar no final da tarde. No Terminal de Integração 5 (T5), situado no bairro São José, na Zona Leste da cidade, o jovem também afirmou que votará nulo. “Os candidatos não me convenceram. É a velha política em Manaus, como sempre”, disse.


Apesar da chuva, eleitores utilizaram o passe livre dos ônibus de Manaus para exercer direito ao voto. Foto: Filipe Távora

Para Loureiro, a cidade precisa de mais infraestrutura. O operador,  que utiliza transporte público todos os dias, para ir ao trabalho e faculdade, comentou que os buracos nas vias incomodam. “Não vejo problema nas avenidas principais. Mas têm ruas de bairro que dão até medo”.

A estudante Valéria de Souza, 22, também no T4, afirmou que não teve dificuldade para escolher em quem votar. Indagada sobre o que espera para o futuro de Manaus, ela foi pontual: segurança. “Mês passado eu tive meu celular roubado. Eu votei em alguém mais novo, porque não acredito em quem já está lá há muito tempo. Mas, dentre as pautas mais urgentes: segurança, sem dúvida”.

O segurança Vanderlei Fidelis Pinto, 49, no Terminal de Integração 2 (T2), localizado no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, contou que votou, à tarde, mas estava pensando em anular o voto. “Optei por dar chance ao mais novo. Mesmo assim, foi difícil votar. Manaus têm muitos políticos velhos, querendo fazer carreira na política”.

Pinto relatou que espera melhoras na saúde pública da cidade. Em abril deste ano, ele precisou ser atendido no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul, depois de fraturar a clavícula. “Depender da saúde pública é ficar à mercê dela”, afirmou.


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