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ELEIÇÃO

Caça ao voto nas eleições para governo do Amazonas é turbinada por memes

Primeira semana de campanha nas redes sociais foi marcada por enxurrada de postagens, principalmente de cunho depreciativo 25/06/2017 às 05:00
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Arte: Tiago Rocha
Janaína Andrade Manaus (AM)

A campanha eleitoral nas redes sociais, uma das apostas  para conquistar o voto do eleitor amazonense, tem  se concentrado não somente na divulgação das candidaturas e planos de governo, mas principalmente  na tentativa de desconstrução da imagem dos adversários com uma avalanche de memes.

O termo é bastante conhecido e utilizado no “mundo da internet”, referindo-se ao fenômeno de “viralização” de uma informação, ou seja, qualquer vídeo, imagem, frase,  ideia,  música e etc, que se espalhe entre vários usuários rapidamente, alcançando muita popularidade.

Das oito chapas encabeçadas por Amazonino Mendes (PDT), Eduardo Braga (PMDB), Marcelo Serafim (PSB), Luiz Castro (Rede), Liliana Araújo (PPS), Rebecca Garcia (PP), José Ricardo (PT) e Wilker Barreto (PHS) os principais alvos dos memes, nesta primeira semana, foram  Eduardo/Marcelo Ramos e Amazonino/Bosco Saraiva.

Os memes que viralizaram no Facebook e Instagram direcionados positivamente (ou não) ao ex-governador Amazonino Mendes se resumem ao episódio que ficou conhecido como “Então morra”, quando após o desmoronamento de terra ocorrido em janeiro de 2011, o então prefeito durante discussão com uma moradora que se recusava a sair do local, e ao saber que ela era paraense, soltou a infeliz expressão, gravada em vídeo amador: “então morra”.

Outro alvo das postagens com cunho depreciativo é o vice da chapa de Amazonino, o deputado Bosco Saraiva, que no segundo turno das eleições de 2004, quando ocupava na chapa do ex-governador o mesmo posto, foi preso pela Polícia Federal por fazer boca-de-urna, de posse de R$ 20 mil. Os memes contra Bosco mostram, em sua maioria, a foto dele algemado durante sua prisão na Operação albatroz, da Polícia Federal, que desarticulou quadrilha que supostamente teria  fraudado R$ 500 milhões em licitações do governo do Amazonas.

Na quinta-feira, Amazonino inaugurou sua campanha nas redes sociais com o perfil oficial “Amazonino 12” e optou por estrear publicando um vídeo de 21 segundos. “Olha, eu quero fazer um convite todo especial a você, a todos nós que usamos essa ferramenta extraordinária que é a Internet. Através dela vamos nos comunicar, vamos nos ajudar mutuamente, vamos procurar um destino novo para o nosso Estado, o nosso povo e a nossa gente. Olha, conto muito contigo”, diz o ex-governador no vídeo.

Na mesma semana foi criada no Facebook e no Instagram a página “Negão da Massa”, que se resume a memes em que Amazonino aparece sempre de forma positiva e fazendo, principalmente, piadas sobre a aliança entre o seu principal oponente – Eduardo Braga (PMDB) e Marcelo Ramos (PR), além de lembrar entre uma publicação e outra, também por meio de memes, o envolvimento de Braga com a operação Lava Jato.

Cientista político e sociólogo, Tiago Jacaúna

Em uma campanha eleitoral as redes sociais podem funcionar como um bom meio de construção e destruição de reputações, como o capital político mais importante é a credibilidade, ou seja, fazer crer que pode cumprir o que se diz. As redes sociais com seus instrumentos instantâneos, como os memes, podem funcionar bem como palanque e elaboradora de boas e más reputações.

As redes sociais possuem  potencial agregador importante para as campanhas eleitorais e comerciais. Todavia, não vejo essas mídias com tanta força para mudar ideias já construídas nas esferas privadas da vida. Na maioria das vezes os círculos de amizades virtuais correspondem a amigos que compartilham ideias, valores e visões políticas parecidas de modo que quando existem divergências de opiniões é  fácil desfazer amizades ou deixar de seguir alguém.

‘Ajoelha no milho’ e ‘Patixa Teló’

Quando o assunto é meme, a chapa Braga/Marcelo segue na dianteira. O ex-deputado Marcelo Ramos (PR), que por quase 20 anos criticou Eduardo Braga, após se aliar ao político que coleciona uma série da citações na Operação Lava Jato, tendo como principal acusação o suposto recebimento de propina, virou alvo de postagens que lembram a frase utilizada por ele contra o grupo político que agora pertence: “Ajoelhou no milho!”.

Aliados da chapa de Amazonino/Bosco, como o deputado federal Silas Câmara (PRB) não escaparam dos memes. O parlamentar foi condenado em 2016 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de uso de documento falso e falsidade ideológica.

O candidato a vice-governador na chapa do deputado José Ricardo (PT), o também deputado Sinésio Campos, da mesma sigla, vem sendo comparado fisicamente com Patixa Teló, que já se transformou em um personagem popular do Estado. Assim que confirmou sua candidatura, o meme com a seguinte frase foi criado: “Para o Amazonas avançar, eu voto Zé Ricardo e Patixa Teló”.

Potencial das redes sociais

Ignorar o potencial das redes sociais é um tiro no próprio pé. A afirmação é da jornalista e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ivânia Vieira, sobre os jogos de expertises em que os candidatos não compreendem a importância dessas plataformas como parte de um planejamento.

Para a professora, uma “assessoria competente, sensível, ativa e em permanente busca da sintonia com o imaginário do eleitorado continua sendo um dos divisores de água”.

Um dos problemas comuns das campanhas nas redes sociais, segundo ela, são os “estrategistas estrangeiros”. “(Eles) estão habituados a outros códigos, que pensam  poder  ignorar  ou passar por cima de especificidades de cada lugar e de cada povo e, ao fazê-lo, cometem violência política-comunicacional”.

“Há um perfil prevalente de militantes virtuais orientados pelo discurso da desqualificação do outro candidato, dos ataques difamatórios, da construção e circulação de falsos episódios (fakes news); o excesso invasivo de conteúdos sejam feitos pelos humanos, pagos, ou mobilizados, ou pelos robôs produzem sensação de cansaço e de irritabilidade por parte de quem os recebe”, avalia Ivânia.

Na política, segundo a jornalista, em tempos de cumprir mandatos ou de conquistá-los, existe “uma perversidade em plena execução”. “O exercício do mundo virtual está encharcado das práticas de outros tempos e no campo da política as plataformas podem ser relativamente novas, apresentarem possibilidades espetaculares de aproximação, mas os métodos da cultura política permanecem”, avaliou.

A palavra final será dada pelo eleitorado

Apesar de todas as investidas, para a jornalista Ivânia Vieira, o eleitor e a eleitora, a partir de suas percepções, virtuais e físicas, nas experimentações do dia a dia na rua, empregado, subempregado, desempregado, atemorizado, entre memes e imojes, dirá na urna por quem os sinos dobram”.

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