Terça-feira, 18 de Junho de 2019
PREFEITURA

Candidato a prefeito pelo PT, José Ricardo reafirma campanha sem medo da Lava Jato

Deputado aposta no discurso de transparência e da coerência política para conquistar o eleitorado. "Não há nenhuma preocupação com a população, apenas um jogo de interesses", dispara sobre alianças entre políticos



12/08/2016 às 10:34

Com o argumento de que as gestões do governador José Melo (Pros) e do prefeito Artur Neto (PSDB) apresentam elevados índices de rejeição popular, o candidato da coligação ‘Compromisso com o Povo’, o deputado estadual José Ricardo Wendling (PT) aposta no discurso da transparência e da coerência política para conquistar o eleitorado de Manaus. “Eu não sei o que está pior se é o município ou o Estado”, questionou, ontem, o parlamentar na visita à redação de A CRÍTICA.

O senhor não acha que a falta de experiência no Executivo pode ser um problema para sua campanha?

Eu acho que não, até porque o exercício do parlamento nos dá uma vantagem que é poder olhar o todo, discutir o orçamento público, o planejamento da cidade, obras, processo de participação popular. Todo mundo que um dia foi eleito, antes não tinha experiência, então isso não é problema. Não vejo dificuldade, não sou nenhum estranho. Conheço a cidade de Manaus, estou aqui desde os meus 11 anos. Tenho dois mandatos de vereador e estou no segundo de deputado.

O processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e as denúncias de corrupção que envolvem o PT certamente serão usados contra seu partido na campanha. Como o senhor vai lidar com isso?

Não há crime, não há nenhuma razão constitucional para afastá-la. Vamos continuar defendendo os avanços que tivemos no País, vamos estar sempre lembrando o que o Amazonas ganhou com o governo do Lula e da Dilma, os investimentos realizados, os programas sociais, aquilo que continua beneficiando a população. A gente lamenta que as coisas tenham chegado ao ponto de haver uma ruptura constitucional. Esse não é o caminho, imagine o prefeito eleito, no meio do caminho ou de alguma dificuldade alguém vai querer afastá-lo na marra, ou o governador, assim que a gente vê.

Com a proibição do financiamento privado, a coligação já conseguiu reunir os recursos suficientes para tocar a campanha?

A campanha vai ser na base da doação de pessoa física, é isso que a legislação fala, sem caixa dois, estimulando as pessoas a participarem, pois esse é o caminho mais adequado – as pessoas que acreditam naquela proposta financiar a campanha. No meu caso, as campanhas sempre tiveram essa natureza, o apoio principal sempre foi muito pequeno. Quem me ajudou sempre foram as pessoas que acompanharam o meu trabalho, os segmentos organizados. A ideia é ter o apoio da militância. Essa vai ser uma das marcas da campanha.

Como vai conciliar as atividades na ALE-AM com a campanha?

O parlamento tem horários certos para as sessões, audiências, lá encerram as atividades às 14h. Terei a parte da tarde, ainda terei a noite, finais de semanas, então estarei cumprindo fielmente as minhas atividades na ALE, falando da tribuna, sendo pontual, já que esse é um espaço privilegiado. Neste período de campanha já informei que não usarei Ceap (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, conhecido como cotão) nem verba de gabinete. No meu caso (o uso dessas verbas) não vai normalizar no dia 2 de outubro, porque estarei no segundo turno.

Como o senhor avalia as recentes alianças entre ‘inimigos históricos’ visando as próximas eleições?

Não há nenhuma preocupação com a população, apenas um jogo de interesses. É levado em consideração apenas a busca pelo poder, por qualquer forma ou meio. Não há ideal, as pessoas já não sabem quem é quem, quem falou de quem, quem está do lado de quem, porque no final estavam todos juntos. Quem era inimigo agora é aliado. Eles não têm ideologia, não tem pé, não tem cabeça. E a população vai vendo esses tipos de incoerências.

Que avaliação faz da gestão municipal e estadual?

A população está insatisfeita, tanto com a administração municipal, quanto com a estadual. Os dois governos praticamente acabaram. Não tem comando, não tem planejamento, alta rejeição, serviços públicos todos comprometidos, não há melhoras nem na qualidade, nem na quantidade dos serviços públicos. Quem está apoiando esse Governo do Estado e está apoiando candidatura, está é exatamente levando esse candidato para baixo, porque não tem futuro, não tem proposta e não tem coerência.

Com todos os efeitos da operação Lava Jato e iminente impeachment da presidente Dilma, o senhor diria que o PT poderá recuperar a força de antes?

O PT nasceu da luta popular, dos vários segmentos da sociedade que decidiram formar um partido. O que está ocorrendo é uma renovação de militantes. Temos 1,5 milhão de filiados, boa parte chegou recentemente. Essa situação do PT a nível nacional não afeta a nível local. Até porque não há ninguém do PT no Amazonas sendo investigado pela Lava Jato, pelo contrário, tem de outros partidos, que inclusive foram delatados e que até hoje a Justiça não alcançou, mas eu acredito que vai alcançar.

Qual é o principal desafio da administração municipal?

Transparência, que é o que vamos implementar, e a partir daí fazer uma gestão moderna, porque temos que investir de forma maciça na infraestrutura da nossa cidade, tanto na mobilidade, quanto no saneamento. O que o nosso governo quer é cuidar das pessoas, olhar as pessoas, ouvir as pessoas. Eu quero cuidar das pessoas, quero fazer as pessoas felizes.

Qual será o principal mote de campanha?

Compromisso com o povo. Vamos olhar as pessoas, ter compromisso com os cidadãos que pagam os seus impostos, com aqueles que estão nas ruas, que não têm moradia, com aqueles que querem produzir. Queremos ouvir os pequenos empreendedores e os grandes. Queremos gerar felicidade.

Três perguntas para Yan Evanovick, candidato a vice-prefeito

A escolha do vice nesta eleição tem sido estratégica. Ao que você credita a escolha do seu nome como candidato a vice?

Tenho 26 anos, sendo 11 de militância. Eu cumpro um papel político dentro do partido de ajudar na mobilização da juventude, dos interesses, das mulheres, dos trabalhadores. Nós estamos muito confiantes em levar essa eleição para o segundo turno, porque o nosso entendimento é que dois campos estão bem definidos e o nosso campo saiu unificado. O PCdoB ao lado do PT dirige 90% dos movimentos sociais no Estado, o que é algo atípico.

Qual o peso da militância na sua campanha?

Peso dez. E é aí que nós enxergamos a vantagem dessa aliança PT/PCdoB, pois somos partidos que tem militância política e temos muita disposição para fazer campanha. E também temos clareza - Nesta campanha há um prefeito que busca a reeleição, há um ex-secretário municipal de Transporte que pouco fez pelo transporte da cidade de Manaus, há um vice-governador cassado, há um ex-prefeito. Eu e o deputado José Ricardo não governamos e não tivemos experiência no Executivo e nós acreditamos que com a junção da experiência do deputado, da figura respeitada dele somado a força da juventude, chegaremos ao 2° turno.

Em que secretaria você se encaixaria, se eleito?

Eu vou trabalhar desde agora. Enquanto o deputado José Ricardo estiver na tribuna fazendo a defesa da nossa gente do Amazonas, eu vou fazer agenda própria. Eu, Vanessa, Eron, os dirigentes do PCdoB e do PT. A minha agenda a partir do dia 16 (de agosto) inicia às 5h da manhã nas fábricas do Distrito Industrial, nas ruas, nas feiras, nas escolas e nas universidades. Eu acho que essa questão do debate das secretarias será uma decisão coletiva. Eu jamais vou ser um vice conspirador, um vice com o objetivo de atrapalhar a gestão municipal, como houve até aqui.

Perfil - José Ricardo

Idade: 52 anos

Nome: José Ricardo Wendling

Estudos: Economia (Ufam) e Direito (UniNilton Lins)

Experiência: Tem dois mandatos de vereador e exerce o segundo mandato de deputado estadual. Desde 1995, é filiado ao PT, e colaborador desde a sua fundação, em 1980. Foi membro do Diretório Estadual e membro do Diretório em Manaus.

Receba Novidades


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.