Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
Eleições nas redes

Candidatos a prefeito de Manaus esperam ‘guerrilha’ na internet

Na campanha mais “online” da história, candidatos vão usar redes sociais para fazer campanha e se defender de ataques



1121570.jpg A campanha só começa no dia 16, mas os primeiros ataques virtuais já fizeram as primeiras vítimas, dando ao tom do que esperar na campanha
14/08/2016 às 15:26

Com o calendário eleitoral reduzido e a vedação do financiamento privado de campanha, os candidatos voltarão seus olhos para uma forma de comunicação bastante próxima do público e bem mais barata se comparada às demais: as redes sociais.

No entanto, as redes também abrirão mais um canal para que os políticos sofram ataques pessoais e sejam vítimas de fraudes, o chamado “marketing sujo”, tal como os realizados contra Marcelo Ramos (PR), candidato a prefeito pelo PR, e Marcos Rotta (PMDB), candidato a vice-prefeito na chapa de Artur Neto (PSDB).



Marcelo, especificamente, teve uma boa exposição na web durante a última campanha para o Governo do Estado, e disse apostar na continuidade de um uso criativo das novas ferramentas.

“Vamos usar muito o ao vivo do Facebook, que é um instrumento novo e que tem dado certo. Recentemente, fizemos um durante um evento que travou os acessos da nossa página. Isso mostra que as pessoas estão interessadas no que temos a dizer porque são coisas que mudam a vida delas”, disse o candidato.

Ele explicou que um ataque virtual recentemente invadiu os computadores e o sistema de câmeras da sede do PR em Manaus, conduta que ele considera “desleal e covarde”. “Esperamos que nosso adversário tenha juízo e aceite a nossa boa provocação. De resto, vamos ingressar contra ações tanto na esfera cível quanto na criminal contra os responsáveis”, afirmou.

Henrique Oliveira, candidato pelo SDD, também obteve destaque na sua campanha municipal em 2012 por conta de suas propagandas bem-humoradas, o que ele sinaliza que deve retornar esse ano (um vídeo viral do candidato que remete à série americana “Stranger Things” já está circulando na web).

Ele comentou que pretende relembrar sua campanha de 2012 por contas das propostas serem as mesmas. “Nada foi feito, mesmo depois da última eleição, em que apoiei Artur [Neto]. José Ricardo, candidato do PT, partido historicamente ligado a movimentos populares, também reforçou que usará as redes, vendo isso como uma tendência geral. “Acredito que é um instrumento barato, simples e direto para você conversar”, disse o político, afirmando que ofensas pessoais serão tratadas nos termos legais vigentes.

Da mesma forma, a campanha do candidato à reeleição Artur Neto também deverá encaminhar casos de ataques para seu setor jurídico responsável, deixando a comunicação com conteúdo afirmativo. De acordo com a coordenadora de mídias sociais da campanha do tucano, Chrys Braga, ultimamente tanto a equipe quanto o prefeito tem se colocado em peso nas redes para responder aos eleitores sobre a polêmica aliança entre ele e Marcos Rotta, fechada às pressas na semana passada.

Além da interação com o público, ela disse que campanha deverá se fortificar no Facebook e no Whatsapp.

Marketing sujo

Todos os candidatos se preparam para o chamado “marketing sujo”. Segundo o cientista social Carlos Santiago, normalmente, as campanhas se dividem em três fases claras: a primeira, em que há uma construção de imagem por parte do candidato; a segunda, em que ele diz como propõe resolver os problemas da cidade; e a terceira, em que começam as comparações entre candidatos e a desconstrução das imagens de uns em função de outros. É neste último que o marketing sujo floresce.

Para Carlos, a redução do tempo de campanha inspirou uma fase de desconstrução adiantada. “Me parece que as pessoas que estão pensando as campanhas este ano estão trabalhando isso mais cedo, mas elas precisam atentar para o fato de que a sociedade brasileira é sensível à pessoa que recebe muitos ataques”, ponderou.

Para o analista político Afrânio Soares, o marketing sujo “não pode ser exatamente chamado de marketing” e só se potencializou com as redes sociais. “Ele já existia antes, mas hoje é muito mais fácil de fazer. É muito mais fácil você forjar um print do que uma montagem em um áudio ou um vídeo. Além do mais, é difícil punir legalmente quem fez, mas você nota que a intenção do responsável do caso do Rotta, não entrou nos aspectos legais, e sim nos morais”, disse.

Sujeira eleitoral é tradição no Estado

As últimas campanhas locais tiveram sua dose de marketing sujo, com alguns casos particularmente notáveis. Na corrida pela prefeitura em 2004, a médica Maria Soraya veio a público dizer que tinha um filho com o então candidato (e pré-candidato este ano) Serafim Corrêa (PSB), que teria concebido a criança em um caso extraconjugal. O fator escândalo, ao invés de beneficiar o principal adversário de Serafim Corrêa nas urnas naquela eleição, Amazonino Mendes (PDT), acabou turbinando a eventual vitória quando a médica não provou a acusação.

Nas eleições para governo em 2006, Eduardo Braga (PMDB) foi alvo de uma denúncia gravada em um DVD, que alegava que ele chefiava uma “quadrilha” dentro do governo. O conteúdo havia sido gravado por Renata Barros, mulher do empresário Ney Barros, dono de uma cadeia de distribuidoras de combustíveis, que ela dizia ser “laranja” de Braga e cujas empresas eram usadas em esquemas fraudulentos pelo peemedebista.

O cientista social Carlos Santiago apontou, no entanto, que fatos verídicos também podem ser usados para denegrir um candidato. “Você deve lembrar quando o ex-prefeito Amazonino foi gravado mandando uma mulher morrer. Foi mentira? Não, mas foi bem utilizado para causar bastante desgaste à imagem dele, o que acabou prejudicando sua campanha”, disse, remomorando o caso do bate-boca que o ex-prefeito teve com desabrigados, que acabou viralizando nas redes sociais.

Blog: Careen Fernandes, juíza eleitoral

Temos diversos focos de recebimento de informação, seja pela população em geral, pelos órgãos parceiros, como o Ministério Público, seja pelas partes interessadas, como partidos e coligações. Eles atuam como fiscais uns dos outros. É importante lembrar que a propaganda online está sujeita às especificidades legais como qualquer outra. Com relação à propaganda nas redes sociais é muito fácil. Um candidato fiscaliza o outro. A partir do momento em que a campanha for autorizada tudo que for de irregularidade um vai trazer em relação ao outro. A partir do dia 16, na internet só não vai poder fazer matéria paga, patrocinada. E vai ter as restrições que têm em relação à propaganda normal. Quando for fazer propaganda na internet tem que atender especificações da propaganda, apresentar as exigências de citar a coligação e partido.

Condutas vedadas neste ano

Propagandas em sites de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, são proibidas;Sites oficiais ou hospedados por órgãos ou entidades da Administração direta ou indireta de qualquer ente federativo também não podem veicular propaganda. Essa violação pode gerar uma multa de R$ 5 mil a R$ 30 mil.

A veiculação de propaganda anônima ou atribuída a terceiro sem o prévio conhecimento deste é proibida Propaganda por grupos de Whatsapp ou por envios massivos de SMS são permitidas, conquanto não sejam custeadas pela gestão pública e permitam que o destinatário cancele seu recebimento em até 48h. A multa, nesse caso, é de R$ 100 por mensagem enviada. A venda, utilização, doação ou cessão de cadastro eletrônico em favor de candidatos, partidos ou coligações está proibida, bem como qualquer tipo de propaganda eleitoral via telemarketing;

Comprar ou vender banco de dados eletrônicos e se manifestar de forma anônima nas redes sociais;É possível transmitir comícios ao vivo, participar de debates, entrevistas, se manifestar contra ou a favor de alguma medida e postar vídeos específicos falando sobre o plano de governo e demais propostas.


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