Domingo, 15 de Setembro de 2019
reta final

Pré-candidatos a Prefeitura de Manaus ainda não escolheram vices

Dos onze pré-candidatos anunciados até agora, apenas um, Serafim Corrêa (PSB), já apontou quem lhe acompanha como vice: no caso, a escolhida foi professora de língua portuguesa, Cristiane Balieiro, da mesma sigla



as.JPG Por enquanto, apenas o PSB de Serafim Corrêa, definiu sua candidata a vice-prefeita nas próximas eleições. Trata-se da professora Cristina Balieiro (Foto: Jander Robson/Freelancer)
11/07/2016 às 11:15

A menos de um mês do início das convenções partidárias, os candidatos à Prefeitura de Manaus estão sem um braço-direito para chamar de seu na composição de suas chapas. Dos onze pré-candidatos anunciados até agora, apenas um, Serafim Corrêa (PSB), já apontou quem lhe acompanha como vice: no caso, a escolhida foi professora de língua portuguesa, Cristiane Balieiro, da mesma sigla.

Segundo o analista político Afrânio Soares, a demora é consequência direta  das alterações nos prazos e na duração da campanha promovidas pela Lei 13.165/2015, conhecida como “minirreforma eleitoral”. “A nova lei mudou o fechamento e a definição das chapas que, antes, tinham que estar definidas no meio de julho e, este ano, sob a nova norma, poderão ser apresentadas à Justiça Eleitoral até o dia 15 de agosto. No entanto, o procedimento político para essa escolha está sendo basicamente o mesmo”, declarou.

 Afrânio disse que Serafim conseguiu escolher mais rápido porque apostou numa chapa “puro sangue”, isto é, com candidatos do mesmo partido. “O PSB demonstrou, até agora, que não pretende coligar ou pretende coligar com algum partido com menor exposição. Os demais farão o procedimento de sempre, que envolve o levantamento dos nomes que estão mais fortes, bem como da aprovação e da rejeição desses nomes”, explicou o analista político.

Somar votos

Para Afrânio Soares, dentro de um contexto de corrida eleitoral, o papel do vice-prefeito é somar votos, agregando o que ele chama de “nichos de eleitores”. “Normalmente, você, que concorre a prefeito, tem o seu eleitorado e você tem o desejo de que seu vice chame a atenção de eleitores que, em um primeiro momento, não votariam em você. Se ele fizer isso, poderá se dizer que ele cumpriu o que devia na campanha”, disse.

Na prática, no  entanto, isso não é ciência exata: é importante, por exemplo, que o candidato a  vice-prefeito não atraia um eleitorado que tenha um embate muito profundo de ideias com o eleitorado do candidato a prefeito, senão o tiro pode sair pela culatra e a escolha acaba sendo mais prejudicial do que benéfica a chapa.

O analista político destaca que o sucesso na hora de escolher o vice da chapa está na capacidade dele ou dela de dialogar com um contingente específico mas expressivo de eleitores. “Essa estratégia funciona parcialmente, e não tão bem quanto os políticos gostariam, eu creio. Eu acho que os casos mais bem-sucedidos são quando o vice chega na chapa trazendo para perto do candidato a prefeito uma classe muito definida e com quem já possua influência, como os jovens, os professores, as mulheres, etc”, exemplificou.

Incertezas

Com todos os prazos postergados, 2016 ainda se mostra uma corrida cheia de incertezas. Afrânio acredita que é difícil apontar nomes de possíveis candidatos a vice-prefeito, uma vez que nem as coligações foram fechadas de forma definitiva, mas que a maior parte dos partidos deverá entrar no mês de agosto com seus vices ao menos pré-definidos. Até lá, segundo ele, um dos onze pré-candidatos poderá ter decidido se juntar a outro como vice, unindo forçar e fortalecendo determinada chapa.

“É algo que você vê acontecer muito na cena local. Na última corrida para Prefeitura, o Hissa Abrahão era pré-candidato e depois passou a ser vice do Artur Neto. Na última eleição para Governo, isso aconteceu em ambas as chapas majoritárias: o Henrique Oliveira passou a ser vice do José Melo e a Rebecca Garcia passou a ser vice do Eduardo Braga. Dado nosso histórico, isso ainda pode ocorrer”, concluiu.

Gestões marcadas por atritos entre titular e vice

As últimas gestões municipais de Manaus viram seus prefeitos e vice-prefeitos entrarem em rota de colisão e efetivamente romperem laços políticos, criando sérios desgastes internos no âmbito do Executivo local. O atual governo de Artur Neto (PSDB) teve um embate ferrenho com o seu vice eleito, Hissa Abrahão (PDT), que acabou deixando a equipe do prefeito. Antes dele, Mário Frota (PHS) teve um final de mandato crítico à gestão de seu então “chefe”, Serafim Corrêa (PSB).

“É importante notar que quem for candidato a vice-prefeito tem suas aspirações. Ele quer ter destaque e ele espera ser o próximo candidato a encabeçar a chapa em um futuro pleito. A relação entre prefeito e vice-prefeito tem quer ser administrada a cada passo. Tem que ser discutida na campanha, rediscutida no caso de uma vitória nas urnas e assim por diante. É preciso que ambos os políticos estabeleçam um elo de confiança que seja reforçado constantemente. Se isso não ocorre, abre margem para as rupturas que vimos acontecer em Manaus nos últimos anos”, explicou o analista político Afrânio Soares.

Afinidade política

Um exemplo típico de como essa relação pode “azedar”, chegando a pontos extremos é a situação da presidente afastada Dilma Rousseff  (PT) e do atual presidente interino, Michel Temer  (PMDB). A falta de afinidade política entre os dois acabou se manifestando ao longo do mandato da petista a ponto de colocá-los em lados radicalmente opostos

No atual momento, em que as coligações estão pesando os nomes e que ainda existe a possibilidade de algum pré-candidato a prefeito se tornar pré-candidato a vice de outra chapa, é propício sondar as ambições pessoais de cada um e as afinidades entre os candidatos. Para Afrânio, a despeito de todos os pleiteantes até agora demonstram quererem concorrer como cabeças de chapa, as reuniões partidárias daqui para frente servirão para discutir o que eles querem e se esses objetivos podem ser atingidos se forem vices.


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