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Eleições
SAÚDE PÚBLICA

Candidatos ao governo do AM dizem que saúde será prioridade

Reorganização da saúde, onde se investiga desvio de recursos, será um dos grandes desafios do próximo governador do Estado 01/08/2017 às 10:07
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Diariamente, a população faz longas filas nas unidades de saúde do Estado em busca de atendimento. Falta de medicamentos e de médicos são alguns dos problemas
Camila Pereira Manaus

Diego Gurgel, de 28 anos, foi diagnosticado em 2005 com miopatia, doença que afeta os tecidos musculares. Desde então, precisa de acompanhamento especial. Além disso, ele foi acometido por diabetes, que o fez perder a visão e a audição. Ele é um dos inúmeros pacientes que dependem dos serviços de saúde do Estado, muitas vezes deficitário.

A mãe de Diego, Welda Gurgel, relata a dificuldade para encontrar a insulina específica para o filho e também para marcar e receber exames necessários. “Nós dependemos do sistema do Araújo Lima para os exames. Muitas vezes tem um exame que precisa ser feito, chega no dia da consulta e tem que ir justificar para o médico que não tem o resultado”, conta.

O paciente precisa fazer o uso da insulina Lantus. Um frasco contendo 10 ml custa em média R$ 350. “O medicamento nem sempre tem. Às vezes preciso substituir pela NPH, que não supre a necessidade dele, porque acaba não corrigindo a insulina, precisamos monitorar e regular”, relata. “Recebemos uma receita que serve para três meses. Mas, já perdi receita, porque não chegou o medicamento”. 

Diego é um dos casos que exemplifica o problema sistemático apontado pela promotora titular da 58ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública, Silvana Nobre. “Temos questões estruturais, do complexo físico, muito sérias nos hospitais, nas unidades de saúde. Nós temos um problema funcional com a falta de recursos humanos ou uma desregrada terceirização do serviço, que onera ainda mais o Estado. E temos problemas de gestão”, afirmou. 

Em setembro de 2016, a Polícia Federal deflagrou a operação Maus Caminhos, onde foi detectada uma organização criminosa centrada na organização social (OS) Instituto Novos Caminhos, que desviou cerca de R$ 110 milhões do Fundo Estadual de Saúde. “O ruim é isso. O Estado, mesmo com isso, não ter assumido as suas funções”. Nobre ressalta que a revisão dos contratos da saúde deve ser feita de maneira urgente. “A base é você trabalhar com o servidor público efetivo e não com o terceirizado. A terceirização do serviço tem que ser entendida como uma forma complementar e não substitutiva. O Estado, para resolver o problema da saúde, tem que pegar para si o problema”, afirmou a promotora. 

Outro problema detectado no setor é a extensa fila de pacientes aguardando por consultas. Atualmente, há mais de 6 mil na fila para urologia e outras 7 mil para oftalmologia, por exemplo. Sem contar as cirurgias eletivas, que não são possíveis de serem calculadas, já que não há um dispositivo para apurar esses números. “Isso impede o controle social, o planejamento global efetivo”, diz Nobre, acrescentando que há também falta de controle efetivo nos medicamentos e insumos, alvo de ação por parte do Ministério Público de Contas.

“Não dá para enfrentar o problema da saúde para resolver por um só ângulo. Se você rever os contratos, vai conseguir resolver? Não vai. Você tem que acabar com a ideia de lotear cargos na saúde. Tem que estar como gestor da unidade a pessoa que tenha perfil e capacidade técnica de gerir uma unidade. Tem que ter dinheiro, um bom administrador e ter o material”, finaliza.

 

Palavra dos candidatos
Quais as propostas na área da saúde?

Amazonino Mendes  (PDT) - Não tem o que se construir. Nós temos uma rede hospitalar exemplar no País. O problema é que não funciona. Tem de colocar para funcionar, tem que ter comprometimento com os profissionais da saúde, valorizá-los e dar infraestrutura de trabalho. Tudo o que parou de funcionar nos últimos anos, nós temos como obrigação colocar ordem na casa.

Eduardo Braga (PMDB) - A saúde foi abandonada pelas gestões passadas. Nas viagens que tenho feito ao municípios  tenho me assustado com  unidades que inaugurei e deixei equipadas. Estão sucateadas. A população encontra-se desassistida. Nos 120 dias iniciais irei reabastecer as farmácias de todas as unidades  da capital e do interior.

Jardel Deltrudes (PPL) - Muitas pessoas morreram por falta de profissionais capacitados. Precisam enfrentar filas no FCecom, no Hospital 28 de Agosto. Quando se recebe o diagnóstico, é praticamente a morte. Não tem medicamento. Precisamos  de parceria com os municípios. Equipamentos e médicos serão prioridade.

Liliane Araújo (PPS) - O sistema atual tem muitas falhas que prejudicam funcionários públicos e cidadãos, é preciso dotar de instrumentos modernos a saúde pública no Estado. É preciso criar Mecanismos para incentivar a participação da sociedade, para o controle do repasse de verba para a saúde pública. 

Marcelo Serafim (PSB) - O descaso e a desordem tomaram conta da saúde pública. Houve um aumento na demanda. As ações de governo não foram tomadas a contento. Nossa ideia é criar polos de saúde nas maiores cidades do interior do Estado. Equipando os hospitais da capital e do interior. Precisamos diminuir drasticamente as terceirizações dentro do setor.

Luiz Castro (Rede) - Temos um problema grave de administração dos recursos públicos. Há falta de planejamento. Em nosso plano, pretendemos fazer um “choque” de gestão, com auditoria nos contratos. Vamos tentar reduzir os custos, principalmente na questão da tercerização e mudar o sistema de compras de medicamentos.

Rebecca Garcia (PP) - Todo amazonense que depende dos serviços públicos de saúde está sentindo na pele o agravamento das deficiências no atendimento.  É preciso trazer para a gestão pública, particularmente na saúde, os princípios do planejamento, monitoramento de metas e prazos, economicidade e racionalidade no uso de recursos, materiais e humanos.

José Ricardo (PT) - A nossa saúde está abandonada. A população sofre em busca de atendimento nos hospitais. Faltam leitos, especialistas, materiais. Iremos fazer uma grande auditoria em  mais de 600 contratos milionários nessa área. Combatendo a corrupção o dinheiro vai aparecer para equipar o Hospital Francisca Mendes, o Platão Araújo e o João Lúcio, por exemplo

Wilker Barreto (PHS) - “Vejo que o Estado tem tratado a saúde com desprezo. O Amazonas gasta boa parte do seu orçamento  com mais de 5 mil contratos e nós temos uma rede que não funciona. Vamos tirar a fama do Estado de ser o maior caloteiro. Isso tem se refletido no Cecom, no Delphina, no João Lúcio, no HPS 28 de Agosto, no interior do Estado.

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