Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2021
Eleições 2020

Com medo do coronavírus, eleitores amazonenses decidem não ir às urnas neste domingo (15)

Mesmo com todas as medidas de segurança adotadas, muitos eleitores sentem-se inseguros para ir às urnas



show_WhatsApp_Image_2018-10-07_at_08.35.46_BB1B4AD8-D3C7-4C67-A00B-D4E2CC826AFF.jpeg Foto: Arquivo A CRÍTICA
11/11/2020 às 09:30

O fato que a pandemia do coronavírus afetou o mundo em seus mais diversos segmentos, não deixa dúvidas. O vírus, que é altamente contagioso, fez com que a Justiça Eleitoral junto aos órgãos públicos de saúde definissem um protocolo sanitário que deverá ser obedecido por todos os eleitores e mesários para reduzir a propagação da doença. Entretanto, muitos amazonenses já declararam não irão às urnas eletrônicas no próximo domingo (15), por conta do medo de ser contaminado pela covid-19.

Este é o caso da designer de 27 anos, Anna Souza, que das três eleições que participou, sendo duas como mesária, é a primeira vez que irá faltar.



“Decidi não ir porque não me sinto protegida para participar. Como já trabalhei em uma zona eleitoral, sei que as aglomerações são inevitáveis. Entendo que as eleições são fundamentais, mas optei esse ano em me ausentar para não correr o risco de ficar muito tempo em um ambiente aglomerado. Na minha família, meus avós e minha mãe por ter pressão alta, são do grupo de risco”, contou a designer.

Além de Anna, seus familiares também não participarão desta eleição.

Apesar da escolha de não comparecer às urnas neste domingo, a designer espera que os demais eleitores respeitem às recomendações sanitárias.

“Mesmo não participando esse ano, espero que os eleitores que se prontificaram a irem, respeitem ao máximo o distanciamento e proteção porque além de ainda estarmos em meio a pandemia, os casos na cidade continuam em alta”, ressaltou Anna.

Outro exemplo é a auxiliar de serviços gerais, Aparecida Costa, que já declarou que não votará em nenhum dos dois turnos.

"Com essa pandemia, muita gente perdeu seus familiares. Eu sou do grupo de risco, meu marido também. Tenho uma filha asmática, e pra mim, só isso já justifica o fato de eu priorizar a saúde da minha família. Todos os anos a escola onde voto lota, esse ano, com certeza não será diferente", relatou Aparecida.

Já o técnico de edificações, Bruno Marques, conta que apesar de morar com quatro pessoas pertencentes ao grupo de risco, não deixará de exercer o papel de cidadão, porém de forma muito apreensiva.

"Não me sinto seguro, pois estamos lidando com um vírus. E por mais que adotadas as regras, são somente medidas de prevenção e paliativas. O risco de contágio pode ser grande com esse 'evento'. Moro com quatro pessoas que são do grupo de risco: três idosos e uma pessoa com doença crônica. Vamos votar de acordo com o horário recomendado, porém muito apreensivos com a situação. Acredito que devemos dar a importância ao nosso papel de cidadão, buscando trocar corruptos por políticos que de fato venham a tornar o dia-a-dia da população melhor. Principalmente, neste período da pandemia, onde se foi tão requisitado o poder das políticas públicas", ressaltou Bruno.

Abstenções

Nas eleições de 2018, quase dois milhões de eleitores do Amazonas não compareceram, segundo dados do TSE. O registro de abstenções no Estado foi de 19,35%, com 100% das urnas apuradas. Neste ano, por conta da pandemia, o economista e deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) afirma que não há dúvidas que este índice pode aumentar.

"Não há dúvidas que haverá uma abstenção maior porque as pessoas estão preocupadas com a pandemia. Tanto que eu tenho recomendado àquelas pessoas que tem falado comigo, que indo votar, compareçam com a máscara no rosto, o seu recipiente de álcool em gel. E também uma caneta para não pegar o material de outra pessoa. Os documentos devem ser apenas mostrados e não manuseados pelos mesários. E que tenham toda a cautela do mundo, pois é óbvio que daqui a 15 dias depois da eleição nós teremos um aumento dos casos por conta da aglomeração inevitável em muitos lugares. Por isso todas as cautelas para evitar, agora sem dúvida nós teremos uma abstenção maior", comentou Serafim.

Protocolos de segurança

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), a Justiça Eleitoral elaborou um protocolo sanitário para garantir que os eleitores possam votar com segurança em meio à pandemia da covid-19.

Pelas regras, os eleitores só poderão para entrar nos locais de votação se estiverem usando máscaras faciais e deverão higienizar as mãos com álcool em gel antes e depois de votar. A distância de um metro entre eleitores e demais pessoas presentes às seções também deverá ser mantida. O TSE recomenda ainda que o eleitor leve sua própria caneta para assinar o caderno de votação.

Além disso, no período entre 7h e 10h terão preferência para votar os eleitores com 60 anos ou mais, independentemente do momento de sua chegada à seção eleitoral, ficando resguardada, dentro desse grupo, a preferência dos eleitores com mais de 80 anos.

Outra recomendação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é que o eleitor que apresentar febre ou que teve covid-19 nos últimos 14 dias antes da votação não deve comparecer às urnas. A ausência deve ser justificada em até 60 dias, com apresentação de atestado médico ou teste positivo para a covid-19.

De acordo com o órgão, não há norma que proíba a votação em caso de sintomas ou contaminação pela Covid-19. As medidas de segurança tomadas pelo TSE são capazes de proteger os eleitores inclusive na eventualidade de haver pessoas contaminadas. Em caso de ausência às urnas, o eleitor tem até 60 dias para apresentar justificativa ao juiz eleitoral. Para tanto, deverá exibir documento comprobatório, ou, na ausência de documento, expor suas razões. Cabe ao juiz da zona eleitoral em que é inscrito o eleitor analisar a documentação e alegações apresentadas.


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