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a vida das pcd

'De Frente com a Realidade': Serafim encara desafios em acessibilidade

Em quadro do Alô Amazonas, candidato acompanhou um cadeirante e uma pessoa com deficiência visual pela cidade e viu as dificuldades 05/09/2016 às 16:12
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Na experiência, Serafim afirmou que as pessoas precisam ter mais humanidade para com as PcD / Foto: Antônio Lima
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Júlio Cesar e Rodrigo Valério fazem parte das 460 mil pessoas na cidade de Manaus, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que possuem algum tipo de deficiência. Cadeirante há 14 anos, Júlio Cesar enfrenta as dificuldades de locomoção nas ruas e no transporte público. Já Rodrigo possui apenas 10% da visão e anda pela capital amazonense apenas com o auxílio de uma bengala e passa pelos mesmos problemas do amigo.

O candidato a prefeito pelo PSB, Serafim Corrêa, participou da sexta reportagem do quadro “De Frente com a Realidade”, do programa “Alô Amazonas”, e pôde acompanhar os obstáculos encarados pelas pessoas com deficiência (PcD) na cidade em relação à acessibilidade.

O primeiro desafio já inicia no caminho para o ponto de ônibus. A situação das calçadas torna o caminho mais difícil. “As dificuldades são muitas, porque nós não temos calçadas, as ruas são esburacadas, são muitos obstáculos. A gente tem que superar isso dia a dia, tem que matar um leão nas ruas, porque não é fácil nossa vida. O deficiente visual ‘pena muito’ aqui em Manaus porque nós não temos acessibilidade”, relatou Rodrigo.

O cadeirante Júlio decide percorrer o trajeto pelas ruas que possuem falhas no asfalto e buracos, além da competição desleal com os veículos. “Se para as pessoas que andam já é difícil transitar pelas calçadas, imagine um cadeirante, um deficiente visual. Tem que enfrentar o desafio de andar na rua mesmo”, contou.

A caminho do Centro, o ônibus da empresa Açaí, que possui rampa elevatória, teve problemas durante o embarque e a demora causou revolta em alguns passageiros, constrangendo tanto a equipe de reportagem quanto o prefeiturável e, principalmente, o Júlio. Ele revela que as reclamações são bem piores e a falta de compreensão é frequente, não somente nos ônibus, mas no banco e nos hospitais também.

Serafim Corrêa explica que a intolerância é algo que se destaca na experiência. “Não se explica uma cidade que se diz cristã tenha pessoas com esse comportamento, de se irritarem porque um cadeirante está entrando no ônibus. O cadeirante tem direito a ter um ônibus. Apesar da imensa boa vontade do motorista e do cobrador, o ônibus está em precárias condições”.

“As Pessoas com Deficiência merecem nosso acolhimento, nossa solidariedade e isso não é só do poder público, mas da sociedade como um todo. Isso é muito maior do que só o poder público”, completou.

Segundo Serafim, o poder público tanto em Manaus quanto no Amazonas precisa desenvolver mais ações na direção de resgate das PcD. “Dei a minha contribuição, que foi a escola André Vidal de Araújo, que é a única escola em todo o Norte e Nordeste para crianças com deficiência”.

O Complexo Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo, localizado no Parque Dez, Zona Centro-Sul, foi inaugurado em 2007 na gestão de Serafim e tem como meta a realização de ações que possam desenvolver as potencialidades das PcDs, e a inclusão destas na sociedade.

Para completar a experiência do quadro “De Frente com a Realidade” o candidato percorreu uma distância na cadeira de rodas e outra com uma venda e bengala, vivenciando o que a falta de acessibilidade acarreta para as PcDs.

“Essa é uma experiência que todas as pessoas deveriam ter, inclusive aquela senhora que tratou tão mal aos dois dentro do ônibus. Para ter uma ideia do quanto essas pessoas merecem o nosso respeito, merecem a nossa solidariedade. Isso é uma coisa muito importante, muito delicada”, afirma.

PLANO DE GOVERNO

Tanto Júlio Cesar quanto Rodrigo Valério concordam que Manaus ainda tem muito que aperfeiçoar na questão da acessibilidade e esperam que o próximo prefeito esteja mais atento a essa problemática e ajude a melhorar a vida das Pessoas com deficiência.

“Espero que o próximo prefeito olhe mais para as pessoas com deficiência e que cuide mais da parte urbana. O deficiente visual e o cadeirante necessitam muito que a nossa cidade seja acessível”, comentou Rodrigo.

“[Manaus] Está precisando de tudo, principalmente as calçadas, as passarelas com subidas, porque tem muitas passarelas em Manaus mas não são preparadas para os cadeirantes. Outro desafio são as ruas, o asfalto é cheio de buraco e acaba machucando a coluna. Gostaria que ele [próximo prefeito] olhasse mais para isso também, principalmente os ônibus, porque não adianta uma empresa funcionar e as outras não”, disse Júlio.

Caso seja eleito, Serafim disse que pretende iniciar pelas calçadas, adotando o modelo implantado na cidade de Curitiba. “Curitiba é uma cidade que tem uma acessibilidade muito boa, porque estabeleceu uma regra para calçadas”, expôs.

Segundo Serafim, o padrão das calçadas é uma realização em longo prazo. “Aquele é o modelo ideal, isso é uma coisa que tem que começar para que daqui a 10, 20, 30 anos para que se tenha um padrão de calçada”, assegurou.

Com o sucesso do Complexo Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo, Serafim planeja que mais três sejam construídos, um em cada Zona da capital para atender o maior número de pessoas.

LEIS

O Decreto nº 5.296, da Presidência da República, de 2004, estipula que todos os ônibus do transporte urbano tenham itens que promovam a acessibilidade.

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI), LEI Nº 13.146/2015, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência completou um ano de existência em julho. A LBI é “destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania”.

 

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