Domingo, 22 de Setembro de 2019
ENTREVISTA

"É preciso enfrentar esses desafios de forma diferente", diz candidata Rebecca Garcia

Economista pretende implantar na administração pública práticas que são comuns no setor privado



22/07/2017 às 00:00

Com o registro de candidatura do vice, Abdala Fraxe (Pode) por um fio de ser impugnada, a candidata Rebecca Garcia (PP) é a sétima a ser entrevistada pelo Jornal A CRÍTICA. Para Garcia, sua experiência no setor privado será aplicada em sua administração no Governo do Estado, caso vença o pleito. 

Quais são as prioridades para o Estado se a senhora for eleita?

Existem três prioridades, e eu penso que todas elas passam por um alinhamento de gestão, que seria a geração de emprego, saúde e segurança. Nenhuma mais importante que a outra. As três nós identificamos como sendo os gargalos do nosso Estado que precisam ser combatidos de maneira emergencial. É preciso enfrentar esses desafios de maneira diferente, não como tem sido enfrentado nos últimos anos. Então passa por uma gestão com eficiência, gestão como se faz na iniciativa privada, onde se reduz os custos, se evita desperdícios, onde se cria metas. Nós não podemos trabalhar sem ter metas, se o governo não tiver metas não sai, os serviços não vão sair e as ações não vão sair. Para tudo isso é preciso planejamento.

Como será feito?

Nós queremos criar dentro do gabinete uma sala de gestão, onde você tem monitores ligados em cada área importante do governo de serviço e de ação. Isso tanto serve para visualizar as estruturas como para visualizar contratos dentro da sala de gestão. Nessa gestão que estamos chamando quase que empresarial, pretendemos dar o acompanhamento dessa natureza ao que é público.

Quais os planos efetivos para a segurança pública?

O que se percebeu é que nunca houve na história do nosso Estado um Plano Estadual de Segurança.  O Plano Estadual de Segurança é você trabalhar nas três frentes que são necessárias para serem trabalhadas e se combater a insegurança de uma cidade ou de um Estado, que é a prevenção, a repressão qualificada e a ressocialização. Esse é um desafio extremamente complexo, mas é possível de ser vencido a médio e longo prazo. Quem falar que vai resolver o problema da segurança em um ano vai estar mentindo.  Mas precisam ser dados os primeiros passos já para que isso aconteça. Então, para um resultado efetivo na segurança e no Plano Estadual de Segurança, é preciso a parceria de vários entes, várias instituições. O governo sozinho não resolve.

Como a senhora avalia o sistema carcerário?

Os presídios viraram grandes depósitos. O sistema carcerário já foi demonstrado que é um sistema falido, o do nosso País, esse de grandes presídios que é utilizado no nosso Estado. Esse tipo de presídio só está sendo fábrica de delinquentes. Tem pessoas que não entram no presídio com uma vocação homicida, para fazer parte do narcotráfico, mas saem fazendo parte. Então é preciso que haja ocupação. Os pequenos presídios são os melhores modelos, que estão dando certo, tanto na experiência aqui no Brasil quanto no mundo. 

Qual a proposta para a Universidade do Estado do Amazonas (UEA)?

Tive conhecimento, na minha passagem pela Suframa, que há mais de dez anos o polo de duas rodas pede que a UEA tenha o curso de Engenharia Metalúrgica, que é algo que emprega muito no nosso Polo Industrial de Manaus (PIM). Então esse é um emprego certo, sair da faculdade e entrar no PIM, sair empregado. Essa é uma frente que nós queremos abrir junto com a universidade para fazer com que a universidade tenha um resultado mais positivo do que ela pode ter do que propagar o conhecimento, que é gerar um emprego para essas pessoas que estão saindo de lá, dando a qualificação que vai poder ser aplicada no desenvolvimento tanto econômico quanto social da nossa região. 

Como a área da saúde será abordada no seu governo?

Um planejamento que precisa ser feito de imediato é na CEMA (Central de Medicamentos do Amazonas). A gente já presenciou remédios sendo queimados por prazo de validade. O que é isso? Nada mais do que falta de planejamento e fiscalização, que aí você tem que planejar para comprar a quantidade certa ou você tem que fiscalizar para entrar com a validade certa. O foco nessa gestão nesses um ano e dois meses, além de outras áreas da saúde, a gente quer trabalhar com três hospitais de referência, de preferência os “porta de entrada”. Estamos avaliando se a gente faz dois adultos e um infantil; uma maternidade também que nós queremos colocar como uma gestão exemplar para mostrar que é possível que os outros possam seguir na mesma linha.  É preciso ter a capacitação dos servidores, dos colaboradores, é preciso que haja a devida capacitação para quem trabalha na área da saúde.

Quais são os seus planos para o interior do Estado?

Nós queremos montar um masterplan de turismo para trabalhar o turismo em todo o Estado do Amazonas, contemplando as potencialidades do interior do Estado, mas também queremos trabalhar a piscicultura, o agropecuário e queremos trabalhar muito forte também o fortalecimento e a integração da nossa indústria de mineração no nosso estado, de maneira sustentável e responsável.

A senhora acha que está preparada para assumir o cargo de governadora?

Eu tenho certeza que estou preparada pela experiência que tive na Suframa, você não tem noção do que é administrar a Suframa sem recursos. Esse trânsito nos oito anos que eu passei no congresso me ensinou lá em Brasília e eu tenho certeza que isso faz diferença na hora de abrir portas para o Estado. Não está nem se falando no dinheiro, mas de abrir portas mesmo, de conversar com as pessoas, de não se baixar, de que não tem ninguém melhor do que ninguém, que nós estamos de igual para igual com qualquer outro Estado da Federação, que nós temos os mesmos direitos e que o Brasil não presta favor nenhum com os nossos incentivos fiscais, muito pelo contrário, nós retribuímos isso em impostos. A experiência na iniciativa privada me ajudou muito a olhar a coisa pública como se fosse uma empresa privada no sentido da preocupação com o desperdício. Sempre ouvi do meu pai desde pequena: “quem guarda o que não precisa, tem o que precisa”. 

Como a senhora avalia a participação da mulher na política?

Baixíssima, apesar do País já ter tido uma mulher como presidente da república, hoje as mulheres representam 9% na Câmara Federal, aqui na Câmara Municipal reduziu para quatro. Mais ou menos essa média, pouco mais de 10%. Isso nos deixa em condição de desigualdade na hora de eleger prioridades em políticas públicas. Porque se percebe que as decisões no Congresso são muito pautadas no que os homens acham que é melhor para ser votado. A participação da mulher é fundamental para que a gente possa discutir de igual o que a sociedade quer, porque a sociedade é igual entre homens e mulheres. Então, é trabalhar para mulher. É importante que essa representatividade esteja na mesma proporção. Eu, sinceramente, sonho um dia ver o Congresso dividido no meio, senão no meio, pelo menos mais proporcional.

A senhora se considera feminista?

Dizem que o feminismo moderno é acreditar que a mulher está disposta a participar tanto de discussões políticas, quanto empresariais na sociedade para garantir que o espaço dela esteja preservado no intuito de melhorar a sociedade. (Considero-me) sim, dessa maneira.

O tempo de um ano e dois meses é  suficiente?

Ele, sozinho, não seria tempo suficiente para desenvolver um trabalho. Eu penso que é um mandato de gestão para arrumar a casa, para poder, depois, começar a apresentar propostas para sonhar. Eu gostaria, se tivesse a oportunidade de ser eleita e governar esses um ano e quatro meses ter uma reeleição.

Caso o TRE-AM impugne a candidatura do seu vice, Abdala Fraxe (Pode), como ficará sua chapa?

O processo dele está sendo acompanhado pelo advogado dele. Caso se decida por essa impugnação, nós temos que sentar com o partido dele, porque o partido faz parte da chapa e quando há uma aliança partidária, provavelmente o partido dele terá que indicar uma outra pessoa, que pode fazer parte do partido dele ou não, mas precisa estar na nossa chapa, no nosso arco de aliança. É muito mais uma decisão do partido dele do que nossa, mas claro que passa pela aprovação de todos.

Sobre o áudio vazado nas redes sociais, o deputado Platiny Soares afirma que seu governo será cercado. O que a senhora tem a dizer?

Aí eu vou usar o meu lado feminista, de certo ele deve estar subestimando uma mulher ou então, na minha opinião, que eu acho que é até mais isso, ele deve estar querendo contar bravatas para os amigos.

Perfil

Nome: Rebecca  Garcia
Idade: 44 anos
Estudos: Graduada em Economia na Universidade de Boston (EUA). 
Experiência:  Começou no mercado financeiro no Rio de Janeiro; em Manaus, trabalhou nas empresas da família; atuou como deputada federal por oito anos;  assumiu o cargo de superintendente da Suframa até maio de 2017.


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