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Eleições
Responsabilidade democrática

Eleitores decidem neste domingo quem administrará R$ 20 bilhões

Contingente de 1,2 milhão de eleitores são convocados, neste domingo (2), para ir às urnas escolher o prefeito de Manaus e os 41 membros da Câmara de Vereadores 01/10/2016 às 20:20
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As mulheres representam 52,9% do eleitorado de Manaus, um contingente de 665.730 eleitoras, mas, na Câmara de Vereadoras ocupam menos de 20% das cadeiras
Aristide Furtado/Rebeca Mota Manaus (AM)

Responsável direto pela escolha de quem administrará, nos próximos quatro anos, um orçamento de quase R$ 20 bilhões, o eleitorado de Manaus, um contingente formado por 1,2 milhão de cidadãos e cidadãs são chamados às urnas hoje para contribuir de forma decisiva no enfrentamento de problemas que afligem o dia a dia do  município como a deficiência nas áreas de segurança, educação, saúde, infraestrutura, saneamento básico, mobilidade, combate à corrupção e transparência dos gastos públicos.

Composto em sua maioria  por mulheres, que representam 53% das pessoas aptas a votar, segmento esquecido nas candidaturas de prefeito, esse eleitorado tem nas mãos o mais eficiente instrumento da democracia contra a ausência de representação feminina nos espaços de poder: o título de eleitor. São 665.730 mulheres que podem, hoje, ampliar a representação feminina na Câmara de Vereadores de Manaus, onde, atualmente, só ocupam 17% das cadeiras. De um total de 41 vereadores, 34 são homens. Podem, a partir do voto consciente, fazer valer o direito à políticas públicas como a priorização da construção de creches, estrutura imprescindível à autonomia e empoderamento da mulher.

Em um ano em que milhões de jovens foram às ruas, em todo o País, contra a corrupção no setor público, mazela que inunda todos os dias os noticiários, a porção de eleitores na faixa etária entre os 16 aos 24 anos, em Manaus,  tem a possibilidade hoje, de agir por meio do voto crítico e atento. São quase 260 mil jovens aptos a escolher quem  lhes representará no Legislativo e comandar a prefeitura. Esse segmento representa 20,4% do universo de eleitores. São 5,4 mil com 16 anos; 18 mil com 17 anos; 97,4 mil entre 18 a 20 anos; e 136,3 mil entre 21 a 24 anos de idade.

Como o estudante Vitor Matsui, 22 anos, que, em enquete realizada por  A CRÍTICA ressaltou a  importância da eleição e suas consequências para a boa ou má condução dos serviços públicos. “Eu já tenho em que votar, eu conheço o candidato, já foi meu professor, sei do seu caráter, suas propostas contribuem para a educação além de incentivar o esporte. E tudo isso contribui para o bem estar social da sociedade e na melhoria da economia e da educação. Vou votar também pela questão da firmeza, de como ele se posiciona e por estar preparado no cargo e isso é importante para avançar a cidade”, afirmou.
 
Crítico em relação à qualidade dos serviços públicos prestados à população, o segurança Thiago Neves, ainda tem dúvida sobre em quem votar. Mas reconhece a importância de uma definição pautada por critérios éticos e de eficiência. “Estou analisando ainda para votar consciente, porque muitos falam e não cumprem. A Cidade mudou para cada vez pior. São dinheiros investidos em vão, por exemplo, na obra de Eduardo Ribeiro, o C2. Dinheiro que podia ser aplicado nas UBS’s”, afirmou o eleitor que mora no Japiim, Zona Centro Sul de Manaus.

 Rosário do Carmo, professora, 26 anos

Insatisfeita com a qualidade dos candidatos que se apresentam à população, a professora Rosário do Carmo decidiu que não votará. “Não consigo enxergar nenhum candidato qualificado, pois eles não têm propostas concretas. Eu vejo só uma política que um ataca o outro, por exemplo, têm candidatos que eu não votaria nunca, outros eu não voto por causa do partido, com isso se torna muito difícil de escolher”, afirmou Rosário do Carmo. A educadora defende a ideia de que, em uma democracia não deveria haver imposição para votar. “Eu acho que não deveria existir o voto obrigatório, pois se tivesse convicção em quem eu quero votar, ia lá com todo prazer e espontaneidade, mas chega o dia e nem sei em quem votar e muitas pessoas votam em qualquer um ou quem está ganhando nas pesquisas. Desde 2004 eu não voto,  eu sempre viajo na época da eleição, pois quando vejo que não tenho candidatos eu fujo. Nessa eleição eu me esqueci de viajar por isso estou aqui”, disse.

  

 

Francisco do Nascimento, professor, 65 anos

Animado com o dia em que exercitará um dos maiores direitos da cidadania, o professor Francisco Nascimento sabe muito bem a importância de se posicionar nas urnas para fazer valer a sua vontade e não deixar nas mãos de outros a decisão pelos rumos que a cidade irá tomar nos próximos quatro anos. Preocupado com o perfil do candidato, o professor procurou conhecer quem irá receber o seu voto. “Eu já tenho em quem votar, pois eu conheço o histórico do candidato, acompanhei a trajetória e isso determina numa boa escolha, aquilo que ele fez e pela capacidade que pode fazer mais, além de ter capacidade de me representar. O meu voto é muito importante, pois determina ou autoriza alguém a fazer coisas boas ou ruins, portanto eu tenho que ter firmeza e conhecimento de dar meu voto naquele que me representa e possa fazer coisas boas pela Cidade”, disse o educador. Diferente de parcela significativa da população que sequer se recorda em quem depositou suas expectativas há quatro anos, o professor ressalta: “Eu lembro em quem eu votei em 2012”.

Voto biométrico
A eleição de hoje em Manaus traz um elemento novo. Idealizado pela Justiça Eleitoral para dar agilidade à votação e evitar fraudes, a biometria será utilizada pela primeira vez pelos 1,2 milhão de eleitores da capital do Amazonas. No pleito de 2014, o sistema já foi utilizado em município da Região Metropolitana de Manaus como Manacapuru, Iranduba, Novo Airão, Itacoatiara. A tecnologia também será usada em Autazes, Careiro da Várzea, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva.

Perfil do eleitorado

49,8% - Do eleitorado de Manaus possui o ensino médio completo ou incompleto. É o maior contingente do eleitorado. São 6265.655 pessoas aptas a votar, sendo 155.657 sem o diploma de ensino médio e 470.998 com o curso concluído.

13,5% - Das pessoas aptas a votar em Manaus possuem formação universitária. Totalizam 170.024. O que possuem curso superior incompleto representam 9,9% do total. São 125.177. Os eleitores que não sabem ler e escrever somam 11.004 (0,8%).

23,1% - Dos cidadãos que podem ir às urnas hoje têm apenas o ensino fundamental. São 291.3229. Sendo que destes, 221.820 não concluíram essa etapa da educação básica. E 69.509 concluíram. Aqueles que sabem apenas ler e escrever totalizam 32.940.

8,95% - É quanto representa o eleitorado da terceira idade em Manaus. São 112.497 eleitores com idade de 60 anos para cima. São 86.842 entre 60 a 69 anos; 22.200 de 70 a 79 anos. E 3.455 acima dos 79 anos de idade.

70,5% - É o universo de eleitores de Manaus na faixa etária entre os 25 aos 59 anos de idade. Totalizam 887.392 pessoas com direito ao voto. A maior concentração se dá entre 25 a 34 anos: 326.100 (25,9%). Entre 35 a 44 anos somam 292.325 (23,2%).

Por que o seu voto é importante?


José Ribamar, 58, taxista: "O meu voto é importante para melhorar a minha vida, dos meus filhos, netos e a cidade. Não me sinto responsável pelo que os políticos fazem, eu respondo pelos meus atos. Eu acho que mudou, na faixa azul, por exemplo, melhorou para o condutor de táxi e até mesmo os passageiros. As ruas foram recapeadas também".

 

Daniel Amorim, 33, jornalista: "A importância do voto é que de quatro em quatro anos tenho a garantia que vou mudar a Cidade e que este direito foi conquistado, entretanto eu não defendo o voto obrigatório, num país que vivemos em democracia isso devia ser reavaliado. Eu me sinto responsável a quem eu escolho, entretanto têm aqueles que prometem e não cumprem e não sabemos se foi 30% ou 50% que eles realizaram".

 

Raoni Lopes, 31, professor: "A importância do meu voto está na produção de um debate sobre a cidade e o meu posicionamento no lugar em que eu vivo. Manaus tem muitas contradições e os governos administram isso. Meu voto muitas vezes não consegue eleger, mas se posiciona diante do debate".


 

Annael Vitória Silva, 18, estudante: "Vou votar nulo, pois o importante não é analisar as propostas dos políticos e sim o perfil deles e, grande parte deles não tem um perfil agradável. E se essa pessoa que não tem um perfil bom fizer uma proposta boa, pode ser que o que ele prometeu nunca saia do papel, pois só fazem iludir a população e depois ficam reclamando, porém a culpa não é dos governantes, é nossa por termos elegido eles".


Diego Cordeiro, 27, Atendente: "Acho que a grande manifestação que as pessoas têm que fazer é antes de ir às urnas, fazer uma pesquisa, abdicar um tempo de tudo para fazer isso pra saber o que é bom, os que os candidatos  fizeram anos passados e não deu certo e estão tentando se reeleger".


 

Sonira Moraes, 63,  vendedora ambulante: "Eu voto porque é necessário. Não mudou muita coisa na cidade, os bairros estão abandonados, as obras eles não conseguem concluir e o dinheiro vai para o bolso deles".

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