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Eleições
ENTREVISTA

‘Estão tentando dividir a cidade; nós queremos unir’, diz Marcelo Ramos

Criticado por suas alianças políticas com antigas lideranças, Marcelo Ramos, em sua campanha, foca na mudança e na definição de novos rumos para Manaus tendo a educação como fonte de transformação 31/08/2016 às 11:57 - Atualizado em 31/08/2016 às 13:24
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Na entrevista, o candidato teceu críticas ao prefeito e se mostrou disposto a buscar soluções inovadoras para os problemas da cidade (Foto: Aguilar Abecassis)
Lucas Jardim Manaus (AM)

Marcelo Ramos (PR), que teve uma participação expressiva na última disputa ao Governo de Estado, chega ao pleito municipal deste ano apostando em inovação e colaboração, dois dos principais motes da sua campanha em 2014.

Encabeçando a chapa da coligação “Mudança para Transformar”, o político, que já foi vereador e deputado estadual, falou ao jornal A CRÍTICA sobre propostas para educação, saúde, segurança e transporte público da cidade. Ele também comentou suas atuais alianças políticas com antigos adversários.

Como tem sido a sua percepção da sua campanha até agora?

Tenho a percepção de quem se sente muito feliz em ver  que a população tem se identificado com a nossa proposta de uma mudança segura e transformadora para a vida da nossa cidade. 

O senhor tem sentido um impacto negativo nas ruas por conta de seus novos aliados políticos, como o senador Omar Aziz e o deputado federal Alfredo Nascimento, os quais o senhor criticou em outras ocasiões?

Pelo contrário. Eu percebo um impacto negativo nas pessoas que concorrem comigo e queriam que eu estivesse isolado, disputando uma eleição para marcar posição e não mudar a vida de ninguém. Nas ruas, o sentimento é outro, é de empolgação com a ideia de ter um prefeito que tem o apoio necessário para garantir recursos do governo federal, para ter uma boa relação com a Assembleia Legislativa, com a Câmara Federal, com o Senado, para ter uma boa bancada de vereadores. Ninguém governa sozinho e as pessoas têm percepção disso. Quem escolheu marcar posição, caminha sozinho, vai marcar posição e não vai mudar a vida de ninguém. Eu escolhi mudar a vida das pessoas e para isso, você precisa juntar pessoas. Se você olhar minha aliança, ela tem lideranças políticas, mas ela tem lideranças empresariais ligadas aos mais variados grupos políticos. Ela tem gente do PMDB, do PSDB, gente que já foi de governos passados, mas que entende que é hora de um ajuntamento. Estão tentando dividir a cidade, nós queremos unir a cidade.

Esse discurso de “unir a cidade” não é exclusivo da sua campanha…

Era exclusivo, mas deixou de ser. Na verdade, o prefeito começou fazendo uma campanha dizendo que era uma luta entre inexperientes e experientes. Como ele viu que esse termo não colou, ele embarcou no meu discurso, mas infelizmente, unir uma cidade não parte só de discurso, e sim de prática. Você não consegue unir a cidade desafiando as pessoas, se passando como valentão. Você consegue unir a cidade com serenidade, sobriedade e capacidade de diálogo. Isso eu tenho a oferecer e ele não.

Qual é a sua principal proposta para a educação de Manaus?

É um projeto chamado Tempo de Aprender. Ele visa garantir escola de tempo integral para as crianças da rede pública municipal. Óbvio que a Prefeitura não pode, não comporta escola de tempo integral nos seus prédios, mas nós vivemos num tempo de um espírito colaborativo, inovador, de parcerias, e nós temos convicção de que a Prefeitura, firmando parcerias com associações de moradores, com igrejas, com clubes de mães, pode usar esses espaços físicos para que a criança, que vai para a escola de manhã, vá à tarde para a igreja para ter uma aula de reforço, de inglês, de violão, de teatro… Nós vamos oferecer aos filhos das pessoas mais humildes o que os filhos das pessoas que têm uma renda um pouco melhor têm.

Como o senhor pretende abordar os problemas da saúde pública em Manaus?

O Ministério de Saúde determina que a Prefeitura é responsável pela atenção básica e que pelo menos 70% da população tem que estar na área de cobertura da estratégia de saúde da família, que é aquela ideia de medicina preventiva, dentro da casa das pessoas. Por que ele indica isso? Porque com a estratégia de saúde da família, 80% dos problemas de saúde são resolvidos dentro da própria casa e porque os outros 30%, ele considera que não precisam ser cobertos porque são pessoas que têm plano de saúde. Nós vamos ampliar a atual rede para 400 equipes de estratégia de saúde da família, garantindo a cobertura de 70% de população e acabando com o drama de milhares de manauaras, que é o cidadão sair de casa com dor de cabeça, com dor de barriga, com a pressão descontrolada, com a diabetes descontrolada, bater na porta de uma unidade de saúde e não ser atendido porque a rua dele está fora da área de cobertura. 

Recentemente, o governador anunciou o fechamento de unidades de saúde e gerou uma comoção na cidade, com um setor da sociedade se preocupando em como isso afetaria a saúde do município. Considerando o impacto que uma exerce sobre a outra, como vai se dar a relação entre a rede municipal e a estadual na sua gestão?

Essa relação tem que ser firme. Nós não vamos permitir que governo nenhum feche uma unidade de saúde. Se quiser fechar, nós vamos ajudar. Eu tenho certeza que a gente, na Prefeitura, não ter nenhum Caimi ou um Caic, até porque não foram fechados até agora, e não vão fechar, porque se houver qualquer dificuldade que sinalize fechamento, nós vamos assumir a responsabilidade com os recursos da Prefeitura e manter essas unidades funcionando. Agora, nós precisamos sentar à mesa com o Governo do Estado e distribuir melhor as responsabilidades. Hoje, a Prefeitura faz coisas de responsabilidade do Governo, o Governo faz coisas de responsabilidade da Prefeitura, e nenhum faz bem o que é de sua responsabilidade, então nós vamos definir bem clara: a Prefeitura assume tudo o que é atenção básica e o Governo assume tudo o que é média e alta complexidade.

O que dá para fazer na área da segurança pública? 

As pessoas não conseguem perceber que uma cidade bem organizada, iluminada e limpa é uma cidade mais segura. Todas as cidades do mundo que conseguiram enfrentar com firmeza a questão da segurança pública, elas fizeram uma aliança entre o aparato repressivo, que é a força policial, e a reestruturação urbana. Eu gosto de citar um exemplo: o Largo de São Sebastião antes da reforma era um lugar absolutamente inseguro. Tinha muito assalto, violência, prostituição e drogas. Hoje é um lugar absolutamente seguro. Por quê? Por que tem polícia? Não, porque é iluminado, limpo, tem atrações culturais, as famílias frequentam. Nós vamos recuperar todos os espaços de convivência coletiva da nossa cidade. A praça do Jorge Teixeira vai virar o Largo de São Sebastião da Zona Leste. A praça do Armando Mendes, a praça do Novo Israel, nós vamos cuidar dessas praças. Isso tem relação objetiva com segurança pública, porque a família vai poder sair de casa e frequentar esses espaços, que serão dela e não da marginalidade.

Nesse sentido, quais são seus planos para o reforço na Guarda Municipal? Ela poderá andar armada na sua gestão?

Hoje, a Prefeitura tem um contrato com uma empresa, que custa R$ 20 mi, para instalar câmeras nas escolas. Com R$ 20 mi, dá para colocar Guarda Municipal em todas as escolas e a presença do homem na porta da escola é muito mais efetiva que esse sistema de câmeras. É isso que nós vamos garantir. Nós vamos criar a Brigada Escolar, dentro da Guarda Municipal, bem como a Brigada dos Terminais e a Brigada das Praças, então ela vai estar presente, não protegendo o patrimônio da Prefeitura, mas protegendo as famílias que frequentam esses lugares. Ela tem um papel fundamental na [nossa] política de segurança pública. Sobre a questão das armas, a legislação permite, mas eu acho que é absolutamente açodado falar em portar arma antes de fazer uma avaliação prévia do tipo de formação que os guardas municipais têm e do perfil dos novos guardas. Eu não excluo essa possibilidade, mas acho que é açodado qualquer comprometimento de que a guarda municipal estará armada.

Como o senhor pretende lidar com o transporte da cidade?

Nós criamos, no nosso plano de governo, uma proposta fundada na estrutura do Marco Regulatório de Mobilidade Urbana, que é uma lei federal e orientou o Planmob. Ele parte de algumas premissas. A primeira delas é a de que nós precisamos garantir, na cidade de Manaus, que os pequenos deslocamentos sejam feitos a pé. Como é você faz isso? Recuperando calçadas e arborizando a cidade. Vamos fazer uma grande ação nesse sentido. Além disso, nós precisamos garantir segurança para quem já fez a opção de andar de bicicleta ou para quem topa fazer, então nós vamos criar uma estrutura de ciclorotas nas vias secundárias de dentro do bairro para o terminal de ônibus e lá, um bicicletário. Nós também vamos criar uma ciclovia que será a primeira via diagonal da cidade de Manaus, concluindo a obra do Corredor Ecológico do Mindu. Ela vai sair lá da Reserva Ducke e terminar no Parque dos Bilhares, onde haverá bicicletário e de onde ele poderá pegar ônibus para o ponto que quiser da cidade.

E com relação ao transporte coletivo?

Ele tem que ser prioridade em relação ao individual. Temos que ter a consciência de que todas as cidades que optaram por soluções partindo da prioridade do transporte individual chegaram ao caos. Ou investimos no coletivo ou não teremos saída. Precisamos melhorar o sistema e, para isso, não podemos cair na tentação de soluções fáceis para um problema que é complexo e nem de tratar com a demagogia de sempre, como se transporte coletivo fosse só ônibus novo e tarifa. Transporte coletivo é, acima de tudo, velocidade da frota. A frota hoje em Manaus anda a 17 km/h. Para aumentar isso, vamos construir corredores exclusivos de ônibus. Não tem saída, tem que ter, mas do lado certo, do lado em que ônibus tem porta. Não dá para fazer o que fizeram na Constantino. Isso foi uma covardia com a cidade. Nós vamos também importar um modelo que tem em Curitiba em que os ônibus, quando se aproximam do sinal, o sinal abre. Além disso, vamos implementar o Hora Certa, um aplicativo de celular que usa o GPS do ônibus para informar a hora em que ele passará na parada.

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