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Eleições
Candidato a prefeito

‘Eu consigo mostrar que eu sou ficha limpa’, disse Henrique Oliveira, candidato a prefeito

Em entrevista, o atual vice-governador falou dos seus projetos caso seja eleito prefeito de Manaus e também sobre alianças políticas e porque está em condições de se beneficiar delas 14/09/2016 às 10:56 - Atualizado em 14/09/2016 às 11:16
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O candidato disparou contra caciques da política amazonense, como Omar Aziz (PSD), Eduardo Braga (PMDB) e Pauderney Avelino (DEM) (Foto: Aguilar Abecassis)
Janaína Andrade Manaus (AM)

Sem o apoio do governador José Melo (Pros), o candidato a Prefeitura de Manaus, Henrique Oliveira (SD), que é vice-governador, afirmou que se não alcançar o 2° turno da eleição, não irá subir no palanque dos seus principais adversários no pleito – Artur Neto (PSDB) e Marcelo Ramos (PR).

“E te adianto que não vou pedir o apoio de nenhum dos dois se eu estiver no 2° turno, porque se a população me colocar no 2° turno é porque ela não aceitou as alianças que foram feitas por eles”, disse.

O candidato, em entrevista ao jornal A CRÍTICA disparou contra caciques da política amazonense, como Omar Aziz (PSD), Eduardo Braga (PMDB) e Pauderney Avelino (DEM). “O Omar que tem o calcanhar de Aquiles bem exposto”, avaliou.

O senhor está em uma posição inferior ao resultado do pleito de 2012. Quais as diferenças essenciais entre essas duas disputas (a de 2012 e 2016)?

As pesquisas continuam sendo mentirosas. Existe uma tendência de polarizar. O melhor adversário para o Artur é o Marcelo, porque o Marcelo tem ao lado dele a máquina. Tem Alfredo, que tem calcanhar de Aquiles. Tem o Omar que tem o calcanhar de Aquiles bem exposto. Tem o Pauderney que foi definido como o parlamentar mais corrupto do Brasil numa delação do Sérgio Cardoso. Tudo que o Artur quer é ter o Marcelo no 2° turno, se fosse o Henrique no 2° turno ele perderia, mas sem dúvidas.

O movimento de apoios (Artur /Braga e Omar/Marcelo) na sua visão expressam o quê? Lembrando que o senhor apoiou o Artur no 2° turno em 2012.

A minha decepção com o Artur é que ele se comprometeu em colocar em prática pelo menos dois projetos meus - armazéns populares e as 100 creches. Não fez. Eu sei por que eles se aliançaram. Foi para ter mais tempo de TV, para poder ter vereadores nas ruas pedindo votos para eles. Eu ando na rua e as pessoas questionam a aliança do Artur com o Braga, ou o porquê do Omar não ter me apoiado. “Pô, porque ele foi apoiar o Marcelo?”. O Marcelo é a Vanessa de 2012.  Mas a população rejeitou demais isso. Eu consigo mostrar para as pessoas que eu sou ficha limpa, que não tenho envolvimento com Lava Jato. Eu não tenho nada no Governo do Estado, não tenho um cargo comissionado, um secretário indicado e isso me deixa muito isento para falar de tudo.

Se sua candidatura não for vitoriosa, quais o reflexos dela para 2018?

 Eu não penso em derrota. Sinceramente, de todos os candidatos, talvez seja o que está mais confortável nessa situação toda, porque eu sou vice-governador e vou continuar sendo se for derrotado. E quem é que garante que o Melo vai ficar os quatro anos? Hoje ele não pode dizer que é candidato a qualquer cargo, porque eu viraria governador. Eu saio dessa campanha, com certeza, muito mais forte, com mandato ou não, para 2018.

Dos candidatos à Prefeitura, quem o senhor não apoia em um eventual 2° turno?

Eu sou muito jogo aberto. O time do Omar está completo para 2018. Ele governador, Alfredo senador, Pauderney senador e vai escolher algum vice dali. O time do Artur também está completo. Ele ou o Eduardo para o Governo, com um vice como algum “Arturzinho”. Se eu não for para o 2° turno, nenhum dos dois eu apoio. E te adianto que não vou pedir o apoio de nenhum dos dois se estiver no 2° turno, porque se a população me colocar no 2° turno é porque ela não aceitou as alianças que foram feitas. Não posso ter no meu palanque um Omar Aziz, um Pauderney, até porque não vou depender deles, vou depender ainda mais do povo.

A sua carreira tem se caracterizado por candidaturas contínuas. Não tem medo de ficar conhecido como alguém que só busca cargos?

Eu não interrompi nenhum mandato. Interromperam o meu mandato de vereador, fui cassado. Eu fui obrigado a ser deputado federal. E como deputado federal fui até o final, depois saí e fui candidato ao Governo do Estado. Eu topei ser vice-governador e me honra muito sê-lo, mas me impõe limites angustiantes. Eu fico esperando a oportunidade de ser governador sem tinta na caneta. Eu confio muito no Melo, acho que ele está no caminho certo, adotou medidas amargas. Há oito anos, quatro anos, todo mundo estaria torcendo para ser o candidato do governador e isso é cruel na vida, por uma crise se abateu sob a economia. E o Melo ficou de lado. O Marcelo não assume o Melo, o Pros está na coligação do Marcelo, mas você não o vê participando do processo.

“Nesse Governo sou apenas uma caneta sem tinta”. O senhor disse essa frase durante o primeiro debate. No que o senhor tem atuado no Governo e como está sua relação com o governador?

Eu substituo o Melo na função institucional. O Melo quando viajava eu assumia dois, três dias, com uma missão social apenas. Mas também as ações do Estado tiveram que ser muito contidas por causa da crise, o Melo está sendo muito bravo de conseguir pagar 13° antecipado, enquanto tem estados que nem a folha consegue manter em dias. Eu exigir do Melo que eu participasse disso tudo, eu acho que não tinha nem tinta para poder gastar, essa é a grande questão.

Artur e Marcelo repelem o nome do governador José Melo como cabo eleitoral. E o senhor?

Essa crueldade é que eu volto a destacar. O próprio Artur gastar quase 3 minutos para explicar sobre o panorama econômico que fez com que ele não conseguisse fazer as obras que ele prometeu. Ele foi o primeiro a virar as costas para o Melo. O Melo hipotecou solidariedade à candidatura do Artur e ele fez questão de arrumar uma briga sem fundamentos, aí rompeu com o Melo porque não queria a rejeição do Melo, que somada à dele iria para 80%. O Marcelo é a mesma coisa. O Marcelo já tem a rejeição do Pauderney, do Alfredo, do Omar, da Nejmi, então tirou o Melo também. Eu gostaria de ter o apoio do Melo, sem dúvida. Mas respeito o apoio que ele seguiu e que foi sugerido pelo Omar. Quem está com a máquina é o Marcelo.

Quais foram os critérios que o senhor utilizou para escolher o seu vice, o empresário Alexandre Bronze?

Primeiro, a confiança. Nós nos conhecemos há mais de dez anos. Nos conhecemos como amigos, sei que ele é um bom pai, um bom filho, um bom marido, bom amigo.

Quais suas propostas para a área de transporte e trânsito?

A gente precisa reorganizar o trânsito em Manaus. Hoje não há alternativas de rotas e vamos construir ao menos sete rotas alternativas. Transporte coletivo é importantíssimo, mas precisamos dar velocidade para tudo isso. Mas para os estudantes nós temos o programa ‘Tarifa Zero’, que é possível sim. Os pais e mães de famílias, hoje, fazem um verdadeiro milagre para pagar a passagem dos filhos, pagar aluguel, luz, água, gás e ainda se alimentar. Só Deus mesmo.

Manaus tem política de Habitação?

Não tem. Tem a política da colaboração, da complacência. Criam os conjuntos habitacionais e distribuem conforme a vontade política. Se você for no Viver Melhor hoje, vai ver figuras super conhecidas de gente que é amigo de ex-governadores, de deputados federais, estaduais. Acho isso muito ruim. O que vamos fazer é o ‘Bosque Amazonense’, que é pegar um grande espaço de terra da Prefeitura próximo à barreira e urbanizar em loteamentos. E vamos financiar esses terrenos em longas parcelas por valores pequenos, como R$ 20, R$ 30. Em quatro anos vamos beneficiar 10 mil famílias.

Entre as propostas para a área de saúde, o senhor tem o programa “Melhor em Casa”. Como vai funcionar?

Esse é um projeto que já existe no Governo do Estado, que é o tratamento de pessoas que estabilizaram a doença e recebem em casa o tratamento. O ‘Melhor em Casa’ passa pela valorização do médico, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes de saúde da família. Esses últimos estarão nas casas medindo pressão, glicose e resolvendo os problemas para que depois as urgências e emergências não fiquem lotadas. E há dinheiro para fazer isso. O Artur brigou com o Melo porque não queria arcar com as despesas da saúde básica.

A aplicativo ‘Manaus Inteligente’ é possível?

É possível. A Lei da Informática destina 6% dos impostos das empresas da Zona Franca para o P&D. E vamos chegar na LG, na Samsung, nessa empresas de informática e vai estabelecer um contrato para que elas criem esses mecanismos que facilitem a vida da população, sempre com fiscalização. Não adianta ficar fazendo festa, coquetel para lançar uma coisa, que dois dias depois não vai estar mais funcionando, tem que fazer as coisas certas.

O que cabe ao prefeito na área de segurança pública?

A gente precisa tirar as crianças das ruas, se você pegar as crianças que estão nascendo hoje e dar creche, educação, merenda de qualidade, for até a casa para ver se a mãe e o pai estão bem, daqui a quatro mandatos nós teremos mulheres e homens com 16 anos ingressando na universidade, se qualificando. É desse jeito que a gente vai transformar a cidade e a segurança pública.

O senhor é a favor da legalização da maconha?

Tem dias que eu sou. Eu pergunto para algumas pessoas o que acham. A minha cabeça, apesar de ser muito grande e ter um HD extenso, acredita que o Brasil ainda não está preparado para a legalização da maconha.

Qual sua opinião sobre o projeto ‘Escola Sem Partido’?

A população precisa ter a definição do que é a função do vereador, do deputado, do governador, de um partido político. Não existe um modelo mais perfeito que a democracia. Se tiver, me apresentem. As pessoas precisam se politizar, se a ideia desse projeto for o contrário disso, eu sou contra.

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