Terça-feira, 24 de Setembro de 2019
SÉRIE CANDIDATOS

‘Eu represento o povo, não estou aqui para brincar’, diz Jardel Deltrudes

Escalado na última hora pelo PPL para concorrer nas próximas eleições para governador, Jardel aposta na origem humilde e no apelo popular para ser o ‘candidato do povo’ e tentar surpreender



18/07/2017 às 00:00

 O candidato Jardel Detrudes (PPL) é o terceiro candidato na série de entrevistas com os candidatos para as eleições suplementares ao Governo do Estado. Cabeleireiro há 15 anos, ele entrou de última hora no pleito, mas acredita que reúne as qualidades necessárias para governar o Amazonas.

Mesmo sendo um nome novo, ele diz não se intimidar com os caciques da política. Segundo ele, fiscalizar será uma das palavras chaves de seu governo, assim, poderá encontrar soluções para os problemas do Estado.

O que é possível fazer em um ano e dois meses de mandato?

Em um dia, eu já melhoraria muita coisa;  imagine um ano e três meses! Para quem está na dificuldade e vê o problema de perto, é mais fácil governar, porque consegue detectar os problemas e procurar uma solução. Os que estão lá, que olham de longe, não têm a visão real da situação, falo em saúde, segurança, no geral.

O Amazonas vem enfrentando um caos na saúde. Como o senhor pretende solucionar esse problema?

Como eu não sou médico e não tenho uma mentira para contar, temos que começar colocando uma pessoa experiente na secretaria. Uma pessoa especializada na área da saúde, para organizar. Junto com o grupo, podemos discutir o que há de melhor para saúde. Acredito que é necessária uma  grande fiscalização, tudo é fiscalização, e precisa acontecer isso em todas as áreas. Há um desvio muito grande. Isso precisa acabar.

No início do ano, o Amazonas estampou as páginas dos jornais com a segunda maior chacina do País. Quais são as suas propostas para a segurança e para o sistema carcerário?

Eu cresci nos bairros periféricos e quem nasce dentro do problema, tem todo um pulso para governar e sabe o que acontece. Não vejo o governador conversar, geralmente ele coloca um secretário. Quem tem vontade de governar está presente. O cara pegou uma sentença de cinco anos, se tivesse alguém para chegar lá, levar um projeto de curso profissionalizante, com propostas para que ocupasse a sua mente, desenvolver essa vontade de crescer. Tem que pensar um projeto que capacite o preso, onde venha ter uma educação, porque com a educação, ele pode muito mais.

Quais são os seus planos para a Universidade do Estado do Amazonas?

Continuo falando da fiscalização. É preciso colocar pessoas capacitadas, não posso prometer, temos que ter uma reunião e colocar pessoas capacitadas. Não só na UEA, mas em todas as áreas, falta fiscalização e vontade de fazer, porque o povo que está aí não tem humildade. Precisamos de um governo humilde e que monte uma equipe de profissionais. Um ano e três meses é muita coisa pra quem sabe o que vai fazer.

Como o senhor vai elencar essas pessoas capacitadas?

Eu acredito que quando você está no poder, você consegue ver as pessoas capacitadas, porque elas vão aparecer. Acredito assim.

Qual o seu plano para geração de emprego e renda?

Imagine cursos profissionalizantes, como eu tenho na área da beleza.  Pega um profissional desses e vai na comunidade. Vai ser uma tenda montada, uma carreta, conforme a estrutura, e vou desenvolver um curso profissionalizante. A cada semana num lugar diferente. Curso básico e avançado. A pessoa pega um diploma para começar, monta o próprio negócio, paga a sua faculdade, cresce e depois passa para outras pessoas. Assim como se os presos tivessem curso na área de mecânica, dava para ajudar, por exemplo nas viaturas que estão paradas. É só pensar.

Como o senhor pretende se aproximar do interior do Estado?

Com o mandato, com o dinheiro e com um grupo com vontade de fazer, a gente trabalharia muito melhor. (Seria bom) se tivéssemos uma casa de apoio grande, em Manaus, para dar suporte aos nossos municípios. Uma casa de apoio para todos os municípios. Fala-se em crise e eu não sei se verdadeiramente existe essa crise. Só sei que o dinheiro tem, e muito. Imagine uma casa de apoio que venha atender todos os nossos municípios, já tinha-se uma grande chance de melhoria. 

O senhor pretende unir esforços com a Prefeitura para desenvolver projetos em áreas como a da mobilidade?

Tem que se unir, quem se une vai mais longe. Não tenho nada contra a Prefeitura, nem ninguém. Se tiver união é melhor para o povo com certeza. Em tudo, todas as áreas. Quem une, gera paz. Vou bater de novo nessa tecla, precisamos de uma pessoa especializada na mobilidade urbana.

No DivulgaCand, o seu plano de governo não aparece...

Não tem o plano de governo? Nós entregamos o nosso plano de governo, montado pelo nosso grupo, mas meu plano tenho na cabeça: é fiscalização. Você pode me perguntar agora em todas as áreas, eu estou preparado para lhe responder.

O senhor já concorreu outras vezes…

E perdi.

Como foi a experiência da campanha?

Doída. Não tem recurso, é pouco. O dinheiro que vem a gente presta conta e não dá quase pra nada. Por exemplo, sou candidato a governo e não tenho nenhum santinho.

Como foi a escolha do seu nome para disputar a eleição?

Eu acredito que foi Deus. Porque o grupo fez uma pesquisa e por já me conhecer de várias lutas, quando disputei para vereador, deputado estadual… E falavam “o que custa perder pra governador?”. Já pensou se Deus sopra meu nome nos quatro cantos do Amazonas e eu ganho? Eles disseram “Vamos colocar o Jardel, que ele vai nos representar”.

Por ser um nome novo, o senhor se sente intimidado com os seus adversários?

Nem um pouco, queria ter um debate com todos eles. Queria perguntar: “Onde tu mora? Onde tu se esconde? Tu é um ninja? Porque tu joga uma fumaça e some…”. Não me intimido. Eu tenho é pena deles se eu pegasse em um debate. Eu represento o povo, não estou aqui para brincar, me sinto orgulhoso de ser candidato, apesar de ter um pequeno recurso. Me sinto realizado porque eu posso bater de frente e representar o povo, sem rascunho e sem brincadeira.

Por que o senhor quer ser governador?

Eu acredito que o dinheiro está sendo desviado e não está chegando no nosso povo. A gente pode pegar esse dinheiro e direcionar para o povo, que é o verdadeiro dono. Eu quero fazer um nome no Estado. Eu quero ser referência para o Brasil, quero provar que quem nasce com o dom, vale mais que uma experiência mentirosa.

O senhor acredita que tem o dom da política?

Eu acredito que Deus deu esse dom. O dom da política, da humildade, do coração, da verdade, do trabalho, da fé. Eu não estou atacando, estou comentando, não tenho nada contra eles, são muito técnicos, que honra seria para mim conversar com eles.

Em um cenário de segundo turno com outros candidatos, o senhor apoiaria alguém ou ficaria neutro?

Eu apoiaria. Eu acho que você tem que apoiar alguém, mesmo que aquela pessoa não some com você, porque você tem que se manter ali perto, mendigando os holofotes, para ficar aparecendo, para que venha depois a sua vez. Deus me dando a oportunidade de governar, a gente vai fazer o melhor. Mas falando nesse cenário, a gente é obrigado a se unir…

Então, o senhor iria para fixar o seu nome?

Se você não aparece, você não é lembrado. Tem gente que vai e diz que vai para somar, como tu vais dar o melhor para o Amazonas, se tu tá sem o poder? Você precisa se manter, que o povo te veja.

O senhor oferece cursos de capacitação em beleza e mantém um abrigo?

O abrigo é pequeno, no Parque 10, ao lado da minha casa. Vai um amigo, vai outro com dificuldade. Chegam com dificuldade. É um negócio meio povo, vive todo mundo junto, com o prazer de estar junto. Tem pessoas que vivem na dificuldade, mas são ricos de mente, tem aquela postura.

É verdade que o senhor tem 11 filhos?

Não é bem assim, disseram que são 12, mas tenho 3 filhos registrados. De coração tenho mais de mil, tenho um pequeno abrigo voluntário, que eu não divulgo muito, onde sou chamado de pai. O que acontece? As pessoas chegam e dizem “pai” e vai levando. Tem que ver se procede. Se disserem que tem um filho meu, eu digo “traga, que boto para trabalhar”, não vou questionar, não vou negar um filho e nem vou procurar fazer um DNA. Digo que traga, é mais um. Se eu tiver 12, ok, mas se tiver 50, melhor ainda.

Perfil

Nome: Jadelvone Nogueira Deltrudes

Idade: 42

Estudos: Técnico em Mecânica, curso incompleto de Direito

Experiência: Há 15 anos é design de cabelo, possui experiência no comércio. É criador da Voz da Compensa e já teve um programa de TV.


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