Publicidade
Eleições
Entrevista

Hissa Abrahão diz que elevará o salário-base de todos os servidores municipais

Candidato a prefeito pelo PDT, depois de já ter exercido o cargo de vice e de secretário na gestão do atual prefeito, Artur Neto, Hissa diz que não tem mágoas e fala de seus projetos para Manaus, caso seja eleito 06/09/2016 às 11:06 - Atualizado em 06/09/2016 às 15:42
Show hissa
Foto: Michael Dantas/Divulgação
Janaína Andrade Manaus (AM)

Ex-vice de Artur Neto (PSDB), o deputado federal Hissa Abrahão (PDT) diz que, se assumir a cadeira do tucano, a partir de 2017, vai liberar o uso de arma de fogo para guardas municipais e aumentar o salário base dos servidores da Prefeitura de Manaus.

Candidato a prefeito, Hissa diz ter mais liberdade no PDT do que em sua antiga sigla, o PPS, onde permaneceu por 16 anos. “O PDT não me pediu para que eu virasse vice de ninguém, e o PPS, em 2012, pediu”, declarou o candidato, em entrevista ao jornal A CRÍTICA.

Esta é a sexta eleição que o senho concorre em oito anos de vida pública. O senhor gosta de ser candidato?

Não. Mas além de sempre ser por pedido do partido, é preciso ousar para fazer o que eu consegui fazer, que foi inaugurar a nova geração de políticos. Eu mostrei para o eleitor do Amazonas que existem candidatos jovens que querem a mudança. E mudança verdadeira, não a mudança ‘fake’.

Como avalia a administração do prefeito Artur Neto?

A comparação que a gente tem que fazer é que caminho Manaus quer tomar. Ela quer ser uma cidade organizada, parecida com Curitiba ou com São Paulo. Então você tem que fazer comparativos com outras cidades que tem o orçamento menor que o nosso e onde os serviços públicos funcionam com muito mais qualidade. Mas é óbvio que Manaus não cresceu o que deveria crescer.

O senhor foi secretário de infraestrutura por 11 meses. Como avalia o trabalho da pasta neste final de mandato?

Eu penso que se tivessem mantido o ritmo dos projetos que nós deixamos, Manaus estaria muito melhor. Eu deixei prontos alguns projetos, como o viaduto do Aeroporto, o da nova Marina do Davi, da nova Feira do São José, do Mutirão e do BRT. Desses cinco, um saiu do papel, que foi o viaduto do aeroporto. Quem me conhece sabe que eu tenho um ritmo de trabalho acelerado e isso me ajuda, do ponto de vista da competência administrativa, mas também me prejudica porque acaba gerando muito ciúme político para o meu lado.

Quem dentre os candidatos que concorrem à Prefeitura o senhor não apoiaria num cenário de 2° turno?

É muito cedo para falar, até porque eu estarei no 2° turno, se Deus permitir e o povo quiser. Eu não gosto de me antecipar. Todas as vezes que me antecipei, e isso foi no início da minha vida pública, não deu certo. Então deixa acontecer, um dia de cada vez, um sofrimento de cada vez e a gente vai levando a vida.

O senhor considera ter sido usado na eleição do prefeito Artur Neto, em 2012?

Sim. Usaram a minha juventude. Na época a gente estava iniciando e eu achava que o atual prefeito tinha mudado, e o fato é que a minha juventude foi muito importante para ajudar o atual prefeito a estar aonde está. Mas depois deu no que deu e cada um seguiu o seu caminho. Na época eu fiquei muito mal, mas agora estou curado. Não tenho mais rancor, ódio, chateação, passou.

Por que a maior expressão política do seu partido, que é o Amazonino Mendes, não lhe apoia?

Ele é uma pessoa que tenho um carinho grande, o mais absoluto respeito. Ele praticamente fez todo o sistema de saúde, a UEA, foi um trator para trabalhar. Agora, o Amazonino é maior do que qualquer partido. Ele tem uma biografia muito robusta. Então ele tem tamanho político para que na hora que ele achar interessante para a sua história, para a sua biografia, dizer quem vai ser o seu candidato.

No dia 17 de março deste ano o senhor deixou o PPS, após 16 anos como filiado. O que lhe motivou a tomar essa decisão?

A questão toda é que, se eu estivesse no PPS hoje, eu não teria competitividade eleitoral. E o PDT me dá competitividade para estar nos debates, expor as minhas ideias, e ter visibilidade e competitividade eleitoral.

Como ficou a relação com os militantes do PPS e a própria direção? O senhor se arrepende dessa decisão?

Da minha parte, não há problema algum. Agora, você imagina quando uma pessoa termina um relacionamento de 16 anos na vida pessoal, acaba havendo feridas. Alguém sai machucado. Eu queria muito que o PPS tivesse me entendido, mas é aquele negócio - foram 16 anos formando corações e mentes para participar da política. Foi necessário para que a minha história continuasse. E não me arrependo da minha decisão, o PDT hoje é muito correto comigo, a prova disso é que o PDT não me pediu para que eu virasse vice de ninguém, e o PPS em 2012 pediu.

O senhor fala do Plano Municipal Intermodal, dizendo que vai interligar ônibus, transporte fluvial, micro-ônibus. Como os motoxistas se inserem nesse plano?

 Eu preciso fazer um estudo, me cercar dos melhores técnicos para estudar a orla, os igarapés que cortam a cidade, estudando o principal destino, que é o Centro. Eu posso, em um bairro mais distante, ter o serviço do mototáxi para melhorar o deslocamento. Agora, não posso colocar um motociclista para ficar andando num trânsito de avenida, então, a gente vai colocá-lo numa realidade que não prejudique a sua saúde e que ajude a cidade a se interligar com os outros modais. Isso vai valer para o Executivo, ônibus, transporte fluvial, ciclopistas que pretendemos fazer, e o BRT que queremos tirar do papel. O Banco Mundial financia esse plano.

Como avalia o reordenamento na saúde, que afeta diretamente o serviço ofertado no município? O que propõe?

Óbvio que esse reordenamento que fecha Caics, Caimis, SPAs, é um crime sem tamanho que estão fazendo com a população de Manaus. E a nossa gestão terá autonomia e segurança para discordar de projetos do Governo que queiram diminuir o atendimento na saúde. Diferentemente de candidatos que são bancados pelo governador Melo e que não terão moral alguma para ir de encontro a uma iniciativa do Melo. Pretendo realizar parcerias Público Privadas entre prefeitura e farmácias. Vamos implantar o Prontuário Eletrônico da Prefeitura e um aplicativo popular de telefone.

O que cabe à Prefeitura na área de segurança pública?

Muita coisa. Existe um programa chamado Pronasci (programa nacional de segurança pública para cidadania), do Ministério da Justiça, onde eles financiam viaturas, equipamentos de ponta, uniformes para guarda municipal, porém, a guarda municipal não pode ser confundida com zeladora de prédio. Na nossa administração a Guarda Municipal vai trabalhar de forma preventiva e dentro desse contexto todo, nós teremos um número de guardas que estarão armados, por que a lei já permiti e iremos criar o Goep (Grupo de Operações Especiais da Prefeitura).

Na educação, o que mudaria? 

Queremos respeitar a HTP (Horário de Trabalho Pedagógico) do professor e revisar o salário base, que hoje é de R$ 415. Apesar deles ganharem R$ 2 mil, R$ 3 mil, é pelo salário-base que é calculado a aposentadoria. E, chegando à Prefeitura, nós vamos elevar o salário-base não só dos professores, mas de todos os funcionários da Prefeitura. Eu já fiz um estudo sobre isso e o impacto na folha não vai ser menos de R$ 12 milhões, nem mais de R$ 15 milhões. Vamos cuidar não só da mente dos professores, mas do coração e do bolso.

O senhor defende a criação de sub-prefeituras. Que critérios seriam usados para designar os "sub-prefeitos"?

Nós vamos descentralizar a administração. Vamos dividir a cidade entre oito a dez áreas administrativas com sub-prefeitos, que terão autonomia para emitir uma resposta rápida para a reivindicação da comunidade, seja o buraco da rua, a tampa do bueiro.

O senhor é a favor da legalização da maconha?

Não, porque faz mal para a saúde. Eu acredito que, por enquanto, é melhor não ser a favor porque pode prejudicar a saúde dos nossos jovens.

É favor ao projeto Escola sem Partido?

Eu preciso examinar melhor esse projeto. Não tenho ainda uma opinião formada sobre ele.

Perfil

Nome: Hissa Nagib Abrahão Filho

Idade: 36 anos

Estudos: Bacharel em Ciências Econômicas (Ciesa), mestre em Desenvolvimento Regional pela Ufam e pós-graduado em Gestão Empresarial

Publicidade
Publicidade