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Interior recebe influência das coligações política de Manaus

Grupos de maior força em aliança de Manaus chegam aos demais municípios com o mesmo número de candidatos 28/08/2016 às 05:00
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Na cidade de Anori, os candidatos a prefeito e a vice são do PSDB e do PR, partidos que são antagônicos em Manaus
Janaína Andrade

Os partidos que compõem os dois grupos que concorrem à Prefeitura de Manaus lançaram praticamente o mesmo número de candidatos a prefeito no interior do Estado. As legendas que compõem a coligação ‘Por uma só Manaus’, de Artur Neto (PSDB), no interior, lançaram 94 candidatos. Já as siglas da coligação ‘Mudança para transformar’, de Marcelo Ramos (PR), juntas, vão disputar 92 prefeituras.

Do lado de Artur, o partido que vai lançar o maior número de candidatos é o PMDB, dirigido pelo senador Eduardo Braga, com 41 nomes. Em seguida vem o partido do tucano com 17 prefeituráveis. O PTN, do deputado Abdala Fraxe, é a terceira maior sigla em candidatos – dez. O PP, comandado por Rebecca Garcia, lançou nove nomes.

O PHS, do presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Wilker Barreto, nesta eleição, lançou cinco candidatos. O PTB, do ex-deputado federal Sabino Castelo Branco, e o PRP lançaram quatro candidatos, cada. O PV e o PSL lançaram dois candidatos, cada. Somente o PPL, presidido no Estado por José Ribamar Campelo Anibal, não concorre nos municípios do interior à prefeitura.

Ao lado de Marcelo Ramos, a sigla que possui o maior número de candidatos concorrendo para prefeituras do interior, é o Pros, do governador José Melo, com 34 candidatos. Em seguida vem o PSD, do senador Omar Aziz, principal cabo eleitoral da campanha de Ramos, com 32 candidatos. O PR, sigla de Marcelo Ramos, administrado pelo ex-prefeito e hoje deputado federal Alfredo Nascimento, chega à eleição municipal com 17 nomes. O DEM, do deputado federal Pauderney Avelino, possui oito nomes que concorrem a prefeitura.

O PTdoB, comandado pelo irmão de Alfredo, Evilázio Nascimento, lançou somente um candidato – Vanessa Pereira Ricardo, que concorre no município de Itapiranga (a 222 quilômetros de Manaus). O PTC e o PEN, que integram o arco de alianças de Marcelo Ramos, não lançaram candidatos às prefeituras do interior.

Adversários na capital

Os partidos que integram as coligações ‘Mudança para Transformar’ e ‘Por uma só Manaus’ estão em lados apostos na capital, mas no interior seguem casados. No município de Beruri (a 170 quilômetros de Manaus) a candidata do PMDB, Dona Maria, compôs chapa com Manuel Sidô, do Pros.

“Eu não participaria de qualquer aliança política com o Eduardo Braga, porque ele já mostrou como trata a coisa pública como governador do Estado”, disse Melo em entrevista ao jornal A CRÍTICA, no início deste mês.

Em Guajará (a 1.645 km), os papéis se invertem, o candidato do Pros, Márcio Ribeiro, tem como vice Tião Leopoldo, do PMDB. O município de Anori (a 195 km) é um dos que trazem matrimônios que não aplicam às desavenças da capital. A chapa de Hayllen Castro, do PSDB, tem como vice um candidato do PR, Antonio Marques.

Situação do PPS está na Justiça Eleitoral

O apoio do PPS, por enquanto, é uma questão que está sendo tratada pela Justiça Eleitoral. A sigla, que possui três candidatos no interior, apoia, em princípio, Marcelo Ramos, mas na data limite da convenção, subiu no palanque de Artur Neto.

Blog: Tiago Jacaúna, sociólogo e cientista político

“Observo que é um pouco característico no campo político esse tipo de grupos que tentam formar um bloco que une certos interesses, e esses grupos acabam se formando em lados opostos, mas o interesse é o mesmo - polarizar a campanha eleitoral.  Principalmente no Amazonas, as alianças que foram feitas no plano nacional, como entre o PSDB e o PMDB, estão se repetindo aqui. Essa já é um indício do que será as alianças de 2018, todavia, existem locais que, por exemplo, o PSDB está com o Partido dos Trabalhadores (PT), e isso seria absurdo se a gente fosse analisar as alianças a nível nacional, mas é também possível. No campo político vale estabelecer campos de força, e se de repente um partido que é divergente em Manaus, no interior não é. A aproximação do senador Eduardo Braga com o prefeito Artur Neto é a clara demonstração disso”, acrescentou o sociólogo e cientista político da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Tiago Jacaúna.

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