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Eleições
ENTREVISTA

‘Já fui gestor sem nenhum processo de improbidade’, diz candidato Luiz Castro

Deputado estadual destaca a experiência que teve como prefeito de Envira na disputa pelo Governo do Estado 21/07/2017 às 05:00 - Atualizado em 21/07/2017 às 08:54
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Luiz Castro (Rede) está no meio político desde os 24 anos e é o sexto entrevistado na série com os candidatos ao governo (Foto: Gilson Melo)
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Candidato ao governo do Estado nas eleições suplementares, Luiz Castro (Rede), está no meio político desde os 24 anos quando foi eleito prefeito de Envira (a 1,2 mil quilômetros de Manaus). Sexto entrevistado na série com os candidatos ao governo, Luiz Castro destaca a vivência no interior como uma vantagem para reconhecer as reais necessidades do Estado.

Quais seriam as suas prioridades à frente do Governo?

Temos medidas concretas a serem adotadas desde o primeiro dia do governo como a formação de equipes. Não vem critério político-partidário, a gente pode aproveitar, e vai aproveitar, pessoas de qualidade da Rede, do Psol, mas nós vamos buscar fora dos partidos políticos as pessoas que também têm competência e compromisso para fazer a diferença em um governo ético, sério, com forte sensibilidade social e com planejamento técnico permanente. Sei que, quando se obtém êxito numa gestão pública, é porque se uniu o componente técnico com o componente ético e o componente social. Não se pode ser só ético e não ter um bom planejamento técnico, mas também não basta ter esses dois fatores e não priorizar os segmentos mais vulneráveis, que não são priorizados no Amazonas.

Como foi construído seu Plano de Governo?

Nós não temos um plano de governo mirabolante, nosso plano de governo é pé no chão, mas com muita clareza de uma mudança de direção do nosso Estado. Dividimos o plano de governo no nosso plano emergencial, um plano de quatro meses e o restante do período. Não ficamos brincando de fazer marketing com número no nosso plano, nós botamos o pé no chão e vimos as questões mais importantes. Não nos escondemos daquela que é crucial, que é a forma de administrar o Amazonas; e nós estamos dizendo como fazer isso.

Quais são os seus planos para o interior?

Tenho uma história de vida em relação à agricultura, à saúde, à própria educação, respeitando sempre os municípios na sua esfera de atuação. Vamos promover essa integração sistêmica na área de saúde, apoiar o ensino rural para que os municípios possam desenvolver melhor o ensino rural, que seja atrativo e seja de qualidade para as populações produtoras, agroextrativistas, ribeirinhos, pequenos produtores e pescadores. Vamos desenvolver o programa de agricultura familiar forte com uma visão agroecológica, que não é de proibir a produção de alimentos, mas de incentivar a produção de alimentos de uma maneira mais avançada. Temos como desenvolver um amplo programa de sistema  de produção agroecológica para a agricultura familiar e apoiar a nossa pecuária para se tornar mais sustentável. Nós vamos ter no nosso governo, não só no interior, mas na capital, uma política de direitos humanos bastante estratégica, não paternalista.

Como o senhor vai cuidar da questão da Educação?

Nós temos uma visão bastante diferente do processo de educação: tem que ser integrado com a área social. Se você não tem escola de tempo integral para todos os alunos, tem que fazer projetos complementares em parceria com a sociedade, eu fiz isso quando prefeito. Primeiro prefeito do Amazonas que criou um processo de educação em tempo integral em turnos complementares ao da escola. Um programa de estímulo, que nós pretendemos implementar para os professores terem um adicional para irem para as escolas, atuarem nas escolas mais pobres. Nós precisamos levar qualidade e educação para as regiões mais pobres de Manaus e do interior e precisamos fazer isso como prioridade, ampliando as escolas de tempo integral, mas nós não vamos prometer o que não podemos cumprir.

Como lidar com os entraves na Saúde pública?

Nós somos estudiosos do Sistema Único de Saúde (SUS). As hierarquias de baixa, média e alta complexidade não são respeitadas no Amazonas. Manaus é a única capital do Brasil que não teve até hoje a hierarquização do sistema. Isso demonstra que os governantes, ao longo dos anos, têm muito mais interesse no seu poder político pessoal do que no bem estar da sociedade. Há um desperdício de dinheiro muito grande na área da saúde, não só pela corrupção, mas pela ineficiência. A gente vai ter que implementar essas mudanças. Algumas serão emergenciais - para ações paliativas mais importantes - e outras serão estruturais. 

Haverá convocação de concursados?

Nós temos que profissionalizar o Sistema de Saúde com pessoal concursado, selecionado tecnicamente. Então, nossas metas imediatas são chamar os concursados e planejar um novo concurso para suprir essas áreas de técnico de enfermagem. Na área de medicina é um pouco mais complexo, a gente vai ter algumas áreas que vão depender de algum tempo de terceirização, como a área de patologia.

E em relação ao setor primário, qual a proposta?

Todo esse trabalho da ADS tem a sua origem conceitual no município de Envira com essa experiência da Fundepror (Fundação de Desenvolvimento Sustentado da Produção e Exploração de Recursos Naturais) que os municípios do Juruá copiaram também, que era ter uma gestão organizada de toda a cadeia de cada item produzido no município até chegar na mesa do consumidor ou de um grande atacadista aqui em Manaus, sem aqueles atravessadores que atrapalham a valorização do produto para o agricultor e oneram para o consumidor. Então nós fizemos de fato um programa totalmente diferente, até hoje ninguém fez um programa igual ao do município de Envira. Eu sei que no momento em que fizermos um programa desse nível estadual, os resultados, inevitavelmente, serão positivos e a produção de alimentos vai crescer no Estado inteiro. É uma questão de vontade política, de organização social dos produtores e de uma gestão honesta, técnica, com planejamento, com metas, e nós trabalhamos dessa forma.  

Em outras eleições o senhor fazia parte do mesmo grupo de Artur Neto (PSDB), que atualmente é o prefeito de Manaus. O que o levou a esse rompimento?

 Tive uma relação de aliança com o Artur, porque ainda representava para nós alguém que combatia essa oligarquia, mas hoje nós sabemos que ele está alinhado com essa oligarquia. Então eu não mudei, ele mudou. Tínhamos uma visão de vários pontos diferentes, mas tínhamos essa convergência. Artur Virgílio era um resistente como eu sou, mas ele preferiu não ser mais um resistente. Ele tomou a decisão dele de se aliar com as velhas forças da política tradicional do Amazonas. Passei pelas decepções de ver jovens líderes, todos se entregarem pela lógica da política do poder pelo poder. Até aqueles que mais veementemente criticavam essa lógica.

De que forma o senhor pretende fortalecer a economia?

Nós temos que buscar empresas que têm matriz estratégica de decisão fora do Estado, nós precisamos fazer delas parceiras de alternativas de desenvolvimento. Tenho a convicção que no momento em que empresas como a Honda, Yamaha, as empresas que trabalham com tecnologia, que não têm diretoria estratégica aqui, entenderem que tem uma governança diferente, com uma visão de sustentabilidade, elas vão investir, não apenas mantendo suas fábricas aqui, mas trazendo outros capitais, outros investimentos para ações alternativas.

E os investidores locais? 

Em nenhum momento estamos dizendo que vamos ser inimigos dos empresários. Nós vamos ser absolutamente defensores de uma economia que vai dar oportunidade para os micros, pequenos e até médios empresários que hoje são canibalizados por aqueles que são protegidos pelo poder público estadual. Nós vamos oxigenar para as cooperativas, para as empresas de bairro. As obras públicas serão feitas, quando estiverem em pequena escala, por pedreiros, carpinteiros, engenheiros civis, micro e pequenas empresas e cooperativas dos bairros de Manaus e do interior.

Qual a importância da internet durante a campanha?

A internet é fundamental para candidato como eu. Infelizmente, o nosso tempo de TV é muito pequeno e nós chamamos as pessoas para a internet, para as mídias sociais, para ver entrevistas. Não há candidatura que tenha um componente abrangente integrado de maior qualidade do que a minha e do João Victor. Ficha limpa, experiência na capital e no interior, já fui gestor público e tive ótimos resultados sem nenhum processo de improbidade, nenhuma acusação.

Perfil

Nome: Luiz Castro
Idade: 58 anos
Estudos: Professor e bacharel em Direito
Experiência:  Atuou como professor e agricultor no município de Envira aos 18 anos; em 1982 foi prefeito, também em Envira, reeleito no ano de 1993; assumiu a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) de 2003 a 2004 e está no quinto mandato de deputado estadual.

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