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entrevista

José Ricardo Wendling elege transparência e participação popular como prioridades

Pré-candidato do PT à Prefeitura de Manaus, o deputado promete campanha limpa e lista suas principais propostas 16/07/2016 às 19:39 - Atualizado em 28/07/2016 às 18:43
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Pré-candidato a prefeito de Manaus nas eleições de outubro, o deputado estadual petista José Ricardo citou a 'transparência e a presença da população' como suas prioridades se assumir a administração da cidade. Fotos: Evandro Seixas
Rebeca Mota Manaus (AM)

Após 20 anos dedicando-se à atividade parlamentar - seja na Câmara Municipal, seja na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), o deputado estadual José Ricardo Wendling anunciou a sua pré-candidatura à prefeito de Manaus. A vaga de cabeça de chapa ainda está sendo disputada pelo ex-secretário de Estado da Produção (Sepror), Eron Bezerra (PCdoB).

Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) - que passa por uma crise de credibilidade em nível nacional - ele afirma que a transparência e a presença junto à população estão entre as prioridades em seu plano de governo, além da modernização do transporte público e de incentivo para o turismo em Manaus. Veja a entrevista:

Por que deixar o Parlamento para entrar na corrida pela prefeitura?

Primeiro, nós entendemos que temos uma realidade em  Manaus que, além de uma razão para sermos candidatos, é a situação de abandono da cidade em várias áreas. São áreas nas quais a atual gestão não teve grande preocupação. Nós vemos a situação do saneamento gravíssima que envolve a falta de água e, depois o problema de esgoto - menos de 10% da cidade tem tratamento - e também dos igarapés poluídos, a questão da mobilidade urbana, o transporte público com muitos problemas e a população aflita, pois tem que pagar uma tarifa muito cara. Isso motiva o partido e a minha candidatura no sentido de nós mudarmos esse “quadro”, de nós termos uma candidatura que possa trazer mudanças e propostas que possa ouvir a sociedade e contribuir para sairmos desses problemas.

Dentro do PT em Manaus, como estão se posicionando as correntes internas?

Eu fui escolhido para ser o candidato através de um processo interno. O PT é um dos partidos mais democráticos que nós temos, porque ele exatamente valoriza as participações dos filiados. Nós tivemos, portanto, debates internos e uma disputa de votos em que a maioria dos filiados e das correntes políticas indicaram meu nome. Então nós, viemos fortalecidos por este processo democrático que o partido tem. Isso é muito bom porque suscita a participação dos filiados, a preocupação de se envolver e ajudar, contribuir na montagem de um programa de governo. Então o partido vai muito unido nessa eleição.

Quais seriam os outros partidos aliados em nível nacional que podem apoiar uma eventual candidatura própria do PT na capital?

Em relação às mudanças que nós precisamos na cidade de Manaus, estamos em diálogo principalmente com o PCdoB  e outros. É necessária esta conversa para fortalecer. Mas, por outro lado, além da questão partidária, uma aliança muito forte que nós pretendemos ter é com a sociedade, os movimentos sociais com vários coletivos, por exemplo, os movimentos de moradias que lutam por uma política habitacional. Então queremos uma aliança além da partidária com a juventude e com as mulheres que lutam por direitos. Desejamos criar condições de implementar os direitos das mulheres.

E como ficou o tempo do PT na propaganda eleitoral?

O PT é um dos partidos que tem o tempo maior. Teve mudança nas regras e agora o tempo de televisão  é divido em várias inserções, mas o PT está com um bom tempo e, na medida em que tem uma aliança com outros partidos, deve melhorar ainda mais. Hoje, entre os maiores partidos do Brasil, o PT está com um bom tempo para mostrar suas propostas da TV e no rádio. Aproximadamente um minuto e meio.

Após o anúncio de sua pré-candidatura, como o senhor avalia a receptividade do eleitorado?

Eu estou diariamente recebendo propostas positivas em relação à nossa indicação. Nós estamos conversando com vários segmentos, muitas pessoas que espontaneamente disseram que ficaram muito felizes com as indicações dos partidos, em relação ao meu nome. Nós apoiamos vários movimentos, por exemplo, dos estudantes em relação à meia passagem de ônibus, o passe livre,  uma proposta que também estamos apoiando para ser discutida na cidade de Manaus, para milhares de estudantes que pensam em desistir da escola por não terem o dinheiro do transporte.

O senhor acha que pode haver rejeição do seu nome por causa do seu partido?

Eu não vejo desta forma, pois todos os partidos políticos têm problemas, você vê que a questão da Lava Jato mostra que todos os partidos tiveram participações em irregularidades ou então que foram financiados por empresas investigadas. Acho até que, se houver uma operação da  Lava Jato no Amazonas, poucos políticos vão escapar. E em relação ao partido, aqui no Amazonas não tem ninguém do PT envolvido em atos de corrupção. Pelo menos não temos conhecimento até agora. Portanto, não temos nada a ver com eventuais problemas. Mas eu concordo que deve haver investigações para quem tenha cometido irregularidades e o encaminhamento da justiça normal. Não discordarmos de nenhuma investigação.

Qual a sua prioridade para a Prefeitura de Manaus?

Primeiro, precisamos ter uma administração em que a população participe e possa ser ouvida. Hoje, a gente vê uma população afastada e que não é chamada, não é valorizada. Não se pergunta da população quais são as grandes necessidades e urgências. Não tem nenhum tipo de debate nas comunidades e nos bairros. Então, o primeiro aspecto, é o diálogo e a participação da sociedade nas decisões, nas escolhas das prioridades, por exemplo, no debate sobre orçamento público. Segundo aspecto é a transparência e ouvir os segmentos que mais precisa.

Como o senhor avalia os impactos que a crise econômica poderá ter na futura administração municipal?

Nós sabemos que crise econômica sempre existiu, mas nos últimos anos ela é crescente. Mesmo nesta crise, a arrecadação do município, o repasse para Manaus não diminuiu. O prefeito teve tanto recurso nas mãos e tão pouco realizou em obras e nada significativo de intervenção na cidade que tenha melhorado a arborização, o espaço de lazer, a questão da mobilidade do transporte. Pelo contrário, tivemos reduções, nós temos um orçamento razoável, pouco diante das grandes obras, logicamente,  nós vamos buscar recursos, diálogo com o governo Estadual e Federal.

O que o senhor elegeria como prioridades em seu plano de governo?

Primeiro a transparência e a presença da população. Eu vou assinar um compromisso junto à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Sem caixa dois, uma campanha de militância, de participação espontânea e consciente.

Qual seria sua proposta para fomentar o comércio no município?

Manaus é uma cidade de muitas oportunidades, nós temos o polo industrial, que gera uma grande arrecadação pública, tanto Estadual, Federal e Municipal. Uma parte do ICMS arrecadado pelo polo industrial fica em Manaus, por conta das distribuições dos ICMS. E tem atividades eminentemente comerciais. Precisamos garantir, além da manutenção do polo industrial e da Zona Franca de Manaus, também olhar para os pequenos empreendedores de Manaus. 

Como o turismo se encaixa nessa visão? 

Temos uma grande oportunidade de trabalhar no turismo dos povos indígenas de Manaus para gerar uma renda para eles mesmos. Na área do turismo, inclusive o empresário da Bemol, Jaime Benchimol estava apresentando ideias que queremos colocar em práticas aqui em Manaus, por exemplo, um grande aquário para mostrar todos os peixes que nós temos na Amazônia. Além disso, temos bairros inteiros que não tem uma feira, temos tantas possibilidades de criar feiras para os produtores do entorno de Manaus. Estou com várias propostas com pesquisadores e profissionais nesta área. Temos pessoas ligadas à produção rural da agricultura familiar construindo uma proposta relacionada à produção e comercialização de alimentos pelos produtores da cidade. Há vários pesquisadores, empresários e professores que estão ajudando no programa de governo com propostas que podem ajudar meios de rendas.

Tendo em vista que sempre há discussões sobre o aumento da passagem de ônibus, o que o senhor propõe para melhorar o transporte público?

Nós temos que modernizar o sistema de transporte, repensar a questão do setor público e o poder empresarial. Precisamos que a Prefeitura tenha as informações necessárias e  faça a gestão adequada para o funcionamento do sistema de transporte. Tem que ser feito o planejamento, a gestão e a fiscalização. As empresas têm que cumprir a execução. Depois,  temos que pensar na cidade como um todo, temos um crescimento muito forte nas áreas da zona Norte e Oeste, regiões de expansão por conta de empreendimentos imobiliários, então tem que se pensar num sistema que abranja toda essa expansão.

Perfil: José Ricardo

Idade: 51

Nome: José Ricardo Wendling

Formação: Economista

Experiência: Foi industriário no Distrito Industrial de Manaus. Foi professor de Economia de 1992 a 1994, no CIESA; e em 2005, nas Faculdades Dom Bosco. Desde 1989, atua como economista, prestando serviço de Consultoria Econômica para empresas do Polo Industrial.

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