Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Eleitorado Feminino

Maioria nas urnas, mulheres continuam excluída das chapas majoritárias

Quase 53% do eleitorado que irá às urnas em outubro é composto de mulheres na disputa que não tem uma candidata sequer à prefeita



ljk__.JPG O município possui 1,2 milhão de pessoas aptas a votar, das quais 52,9% são eleitoras / Foto: Clóvis Miranda
08/08/2016 às 14:33

Numa disputa majoritariamente dominadas por candidatos homens, o eleitorado feminino, que já era maioria na eleição de 2012 em Manaus, ampliou a vantagem sobre o número de eleitores no pleito deste ano. De acordo com dados disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o município possui 1,2 milhão de pessoas aptas a votar, das quais 52,9% são eleitoras.

Desta forma, o voto de 665.730 mulheres será decisivo para eleger o prefeito de Manaus a partir de 2017. As eleitoras que têm entre 25 a 34 anos representam, segundo a Justiça Eleitoral, o maior grupo - 171.752. Em seguida, as mulheres entre 35 a 44 anos somam 156.206 votantes. Terceiro maior grupo, com 142.680 eleitoras, estão as mulheres de 45 a 59 anos.

A estatística que revela o grau de escolaridade do eleitorado feminino mostra que os dois grupos que concentram o maior número de eleitoras são das que possuem ensino médio completo – 246.343; e ensino fundamental incompleto – 113.250.

Lucineide Santos, 53, empresária, pertence ao maior grupo de eleitoras em Manaus - as que possuem ensino médio completo. “O prefeito que assumir a administração de Manaus tem que olhar pelas calçadas, pelas paradas de ônibus, que na verdade nem existem. Muitos pontos não têm nem identificação e a gente só identifica pela aglomeração de pessoas. Outro problema é a iluminação pública. Pagamos caro para ter energia, e nessa conta já está incluída a iluminação das vias. A escuridão faz com que os vândalos se aproveitem para praticar assaltos e outros crimes”, avaliou.

A autônoma Elizabeth Sales Thomé, 34, é do grupo que lidera em número de eleitoras, o das que possuem entre 25 e 34 anos.

“O próximo prefeito tem que fazer o básico. Quando falo básico, me refiro a calçadas para pedestres e cadeirantes, tampar esse mundo de bueiro que está aí a céu aberto, e sem esquecer, claro, da iluminação. Parece que a iluminação só chega nas principais vias, o mesmo fenômeno acontece com o tal asfalto. É só entrar nos bairros, está tudo escuro, ruas esburacadas. Um homem sente medo quando passa numa rua escura? Nós mulheres sentimos, e todos sabem o motivo”, observou.

A professora Renata da Silva Targino integra o bloco de eleitoras manauenses com maior força eleitoral, que possuem entre 25 e 34 anos.

“O envolvimento de mulheres na política, principalmente aqui, ainda é muito pequeno. Exemplo disso é que temos somente uma mulher na Assembleia Legislativa. Há uma cultura machista que impera nesses espaços de poder, e superar isso é um primeiro passo importante para que as mulheres se façam cada vez mais presentes”, avaliou Targino.

Personagem - Estudante de Direito/Ana Silva dos Santos

‘Queremos propostas sérias e possíveis, bem explicadas’

Ana Alessandrine Silva dos Santos, 24, pertence ao exército de eleitoras manauenses com ensino superior incompleto. Estudante de Direito, ela é mãe de duas crianças e defende que “organizar espaços e enfeitar a cidade não tem muito sentido quando não se cuida do principal, as pessoas”.

“Queremos propostas sérias e possíveis, bem explicadas e sem sensacionalismo. Essas propostas precisam contemplar o maior número de pessoas possível”.

Para Alessandrine, não há como eleger somente um problema que a incomoda na cidade. “Manaus tem vários problemas e que devem ser resolvidos de forma urgente, saúde, educação, saneamento básico, moradia e ainda a corrupção. O próximo prefeito tem que maquiar menos e trabalhar muito mais”, disse.

A estudante contou que ainda não precisou procurar vaga em creches municipais, mas que sabe que esse é um problema grave na cidade.

“O poder público precisa tratar esse tema com prioridade. Se não mudarmos a forma com a qual o setor público volta suas atenções para os pequenos, nenhum outro trabalho fará sentido”, concluiu.

Blog - Afrânio Soares Presidente da Action Pesquisas de Mercado

“Para conquistar o eleitorado feminino, um bom começo seria mais candidatas. Seja para prefeita ou vereadora, ter em seus quadros bons nomes do sexo feminino certamente agrada as mulheres. A eleitora se sente representada por outra mulher, pelo menos parte delas. Ter programas de governo para mulheres em diversos âmbitos é outro caminho. Por exemplo, proteção para mulheres que sofrem com violência doméstica, acompanhamento da saúde de gestantes, preparação para o mercado de trabalho e, principalmente, creches e apoios aos filhos. As mulheres são o esteio da família. Na maioria das vezes são responsáveis pelo acompanhamento da educação e saúde dos filhos, pela saúde dos idosos da família. Enfim, programas mais amplos que envolvam a família são bons para todos, principalmente, na ótica das mulheres. Estamos falando na maioria das mulheres, as que precisam”.

Baixa representação na CMM e na ALE

Apesar do eleitorado de Manaus ser formado em sua maioria por mulheres, o número não se reflete nas cadeiras da Câmara Municipal de Manaus (CMM) onde apenas sete das 41 cadeiras são ocupadas por mulheres.

Situação semelhante ocorre na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), onde das 22 vagas, apenas uma é ocupada por uma mulher – Alessandra Campelo (PMDB).

Em 2012, 216 mulheres disputavam uma das 41 vagas de vereadoras, mas somente Socorro Sampaio (PP), Rosi Matos (PT), Therezinha Ruiz (DEM), Jaqueline Coelho e Vilma Queiroz do PTC conseguiram votos suficiente para ocupar o cargo de vereadora. A representação da bancada feminina na Câmara Municipal aumentou após decisão relâmpago do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) que garantiu uma liminar à primeira suplente Glória Carratte (PRP).

Na ação, Carratte argumentou que Tabosa estaria inelegível em função da decisão que tirou o mandato de vereador do filho dele em 2009 por irregularidade na propaganda eleitoral.

A líder espiritual da Igreja Ministério Apostólico Sol Brilhante, pastora Luciana, chegou à Casa Legislativa em março de 2015, como suplente do vereador Dr. Gomes (PSD). O vereador pulou da cadeira do legislativo municipal para o estadual após ser chamado para ocupar a vaga de Sidney Leite (Pros), convocado pelo governador José Melo para comandar a Sepror.

Saiba Mais - Estatísticas

Atualmente, o Brasil tem 144.088.912 eleitores aptos a votar no próximo dia 2 de outubro. O eleitorado nacional é formado por 74.459.424 mulheres, pouco mais que a metade (52,13%) e 68.247.598 homens (47,79%). Os eleitores com 16 e 17 anos correspondem a 2.311.120 (1,60%), e os com 70 anos ou mais somam 11.352.863 (7,88%).


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