Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
ENTREVISTA

‘Meu projeto é o de botar para funcionar o que tem’, diz o candidato Wilker Barreto

Presidente da CMM quer chegar ao governo com a proposta de tornar a máquina administrativa mais eficiente



24/07/2017 às 07:00

Candidato ao governo do Amazonas, Wilker Barreto (PHS) está em seu terceiro mandato de vereador e segundo biênio como presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), comandando um dos mais elevados orçamentos da capital. Ele destaca  que entre os seus diferenciais, na corrida pelo comando do governo estadual, está a capacidade de gerenciamento que poderia ajudar o controle da máquina, principalmente na questão econômica. 

O candidato propõe a revisão de contratos e cobrança dos grandes devedores do Estado, para uma melhor oxigenação da economia, para fazê-la funcionar com eficiência. Wilker é o último candidato a participar da série de entrevistas feitas por A CRÍTICA.

O que é possível fazer em pouco mais de um ano?

Para mim, os primeiros 75 dias tem dois desafios. Um, fechar a LOA, 15 de outubro. A LOA deve estar chegando na Assembleia. Você precisa conversar com os deputados preparar uma lei para um programa de 2018. Como que eu posso falar de investimento se eu não sei de onde vai sair o dinheiro? A capacidade do Estado do Amazonas, se não tiver manutenção dos números é preocupante. Como posso na crise, precisando aumentar receita não cobrar os devedores? O que não pode é aliviar para grandes devedores. Ela alivia para o pequenininho? São medidas dessa natureza, que eu acredito que se eu chegar ao final dos 14 meses de governo colocando o aparelho público existente para funcionar, terei cumprido o meu papel.

Quais são os seus planos para a segurança pública e a política carcerária?

 Quando você valoriza o servidor, equipa a polícia, a polícia está hoje desequipada, mal remunerada, desmotivada e o crime hoje é mais organizado que o Estado. Não vejo como virar a problemática da segurança, porque a valorização do policial é um dos itens, precisamos ter equipamentos e principalmente em inteligência. Quero pagar para uma terceirizada o preço justo. A população é pouco mais de 10 mil, gastando quase R$ 50 mil reais por ano por um preso. Obviamente que não vou conseguir resolver a política carcerária em 14 meses, o que eu quero é pegar esse dinheiro que está sendo gasto de forma irresponsável em uma “Umanizzare da vida”, que por mim já estaria fora há muito tempo, e reinvestir em outras áreas. 

Quais são os projetos para a área de saúde?

Botar para funcionar o que tem em 14 meses. Vamos sonhar comigo, o (Hospital) 28 de agosto funcionando a seu melhor momento, o Platão Araújo voltando a seu melhor momento, Francisca Mendes, João Lúcio, UPAS funcionando. Meu projeto é o de botar para funcionar o que tem. Meus primeiros 75 dias de 2017 é preparar uma máquina, revendo contratos, cobrando devedores.

O senhor falou que é mestre em meio ambiente. O senhor tem alguma meta nesse sentido?

A UEA (Universidade do Estado do Amazonas) pra mim é um dos grandes potenciais do desenvolvimento sustentável. Talvez não consiga fazer isso em 14 meses, mas consigo dar os primeiros passos. As grades curriculares têm que ser voltadas para as suas potencialidades. Pergunta se o Idam, UEA, Sepror e Afeam conversam. Não conversam.  Como podemos ter desenvolvimento sustentável, se os entes públicos não agem dentro de um plano de governo, um plano de metas. Eu vejo que precisamos criar um modal chamado desenvolvimento sustentável. Temos terras, que podem produzir, no primeiro momento para a metrópole Manaus, no segundo momento, podemos pensar em outras matrizes, a BR 319, seria uma responsabilidade. 

Se eleito, como vai se aproximar do interior do Amazonas?

Não precisa visitar 60 (municípios) para saber que o descaso é igual. Com uma amostragem de ideias eu já fecho um diagnóstico do interior: o poder público fica de costas. Os prefeitos ficam à mingua. Vou tratar o prefeito independente de partido político. Eu tenho que respeitar o povo do interior. Quero trabalhar junto com os prefeitos para enfrentar a problemática da segurança, da infraestrutura, porque as ruas do interior estão intrafegáveis, botar a Afeam  para fomentar a política no interior. Quero ver aqueles títulos, terra da banana, terra do açaí, terra da melancia. Naquele tempo se produzia, hoje não se produz mais. Estamos perdendo milhões e milhões de reais. Conheço bem o interior, tenho formação acadêmica e prática. 

A sua candidatura serve de ‘trampolim’ para as próximas eleições?

Não tem como não crescer. Só temos uma chance, mostrar que é possível, fazendo a boa política, construirmos um governo de eficiência e eficácia. Me espelho muito no que é o Doria. É um pouco do que eu vejo como político gestor.  Eu acredito muito, sinceramente, eu só vou desistir de ser governador no dia 6 de agosto às 18h, quando sair o resultado. Se o povo do Amazonas quiser a mudança ou o continuísmo de uma matriz que a gente sabe o custo político e quanto custa ao povo. Eu acredito muito na mudança. Eu vou seguir minha vida política. Sou jovem. Tenho 40 anos. Quero mostrar que tenho conteúdo. 

Como o senhor avalia o quadro de adversários que enfrenta?

Uma escola antiga, já deram suas contribuições. Um quer falar de combate à corrupção, dentro de um partido literalmente corrupto, que teve seu âncora, um ex-presidente condenado na Lava Jato. Um outro de esquerda, uma esquerda moderna. Eu não acredito na esquerda. Não tem um exemplo no mundo da esquerda dando certo. A esquerda saiu pela porta dos fundos da França. Vejo outros sem capacidade gerencial. Quando você se depara com desafios, não é só boa vontade. Apesar de não correr maratona, é cansativo. Não dá pra brincar de fazer política.

O senhor tem uma relação muito próxima com o prefeito Artur Virgilio, mas ele apoia um de seus adversários. O senhor acha que foi uma decisão acertada?

Vejo como um dos grandes gestos de independência política. No passado, fui aliado do Amazonino, hoje me permito ser adversário. É uma questão de personalidade. Não me faltou convite para ser vice governador de chapas importantes, mas o momento da República e do Amazonas vai na direção de novos conceitos da política. Estamos passando por uma metamorfose. Acredito que a minha coragem de me lançar candidato contra todo um sistema, não é fácil. Quando você lança uma candidatura como essa você ganha mais adversários do que aliados. Eu tenho uma relação muito madura com o prefeito. Ele sabe que eu sou um político da nova geração. Eu não poderia me tirar esse direito.

Que lições o senhor tira do episódio que aconteceu na CMM, envolvendo o senhor e a vereadora Joana D’Arc (PR), no qual o senhor foi chamado de machista?

Ficou clara que foi um gesto político. O regimento é claro. Na condição de presidente, tenho que fazer cumprir o regimento.  A mulher amazonense e brasileira, constrói a sua vida no trabalho. Parlamento é feito de vereadores. É impessoal. Todos estão sujeitos ao regimento. Ali eu cometi um erro, fui querer ser benevolente demais. Uma questão de ordem improcedente. Sou benevolente, porque ali é a casa do debate. Não vejo nenhum problema, continuo na mesma linha. 

Mas essa foi uma lição? O senhor pretende não ser mais tão benevolente? 

A gente fica mais atento às malícias. Ali foi uma atitude maliciosa. Com cunho político, devidamente comprovado, “filma que isso comove”, “vou ser  candidata a deputada estadual”, não foi um gesto de emoção, ali se usou muito a razão. A lição que eu tenho é que eu devo estar atento, que estou dentro de uma casa política, onde nem todo mundo comunga com os meus pensamentos. A lição que eu tiro é que eu tenho que ficar mais atento às questões do regimento interno. 

O senhor critica os contratos do Estado. Como o senhor aplica esse conceito na fiscalização das contas da  Prefeitura?

Na condição de presidente, eu não voto nos requerimentos da CMM, voto naquelas que tem 2/3, como a LOMAM. Quem ganha governa, quem perde fiscaliza. Não existe nenhum problema. Sugeri ao prefeito que em função da crise, adotasse a revisão dos contratos, o fornecedor deve entender. A crise chegou. As metodologias que eu faço na CMM, adoto na prática no meu dia a dia político.

Perfil

Nome: Maurício Wilker de Azevedo Barreto
Idade: 40
Estudos:Formado em economia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), pós-graduado em políticas públicas, pós-graduado em engenharia financeira e sou mestre em Meio Ambiente.
Experiência: Exerce o 3º mandato como Vereador do município de Manaus.

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