Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
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'Ninguém me dá grito', diz Artur Neto, em entrevista exclusiva ao A Crítica

O prefeito se diz consciente dos efeitos da aliança que fez com o PMDB, e disposto a comparar biografias para provar que se mantém coerente com suas convicções ao longo das décadas



11/08/2016 às 16:10

Dizendo-se consciente dos efeitos da aliança que fez com o PMDB, e disposto a comparar biografias para provar que se mantém coerente com suas convicções ao longo das décadas, o prefeito Artur Neto (PSDB) afirmou estar “pronto” para a campanha à reeleição, na qual irá pregar “sonhos realizáveis”. “Quem governa pelo WhatsApp pode prometer tudo. Vai transformar isso aqui em Nova Iorque, em Viena. Eu tenho a obrigação de ser realista”, afirma ele. “Vou fazer um programa de governo em cima de sonhos realizáveis, dando conta do que fiz, do que não pude fazer, daquilo que não estava programado e eu fiz. E dos sonhos realizáveis”. A seguir, veja trechos da entrevista de Artur Neto concedida ao A Crítica.

O senhor já tem alguma pesquisa sobre a reação da população à sua aliança com o PMDB do senador Eduardo Braga?

Não tenho uma específica sobre isso porque não me preocupei em fazer. Eu sou uma pessoa muito clara. Veio o PMDB, o (Marcos) Rotta, obviamente que veio o senador Eduardo Braga. Eu sou muito claro. Se eu estivesse com o Melo, eu não esconderia o Melo. Aliás, eu ajudei a eleger o Melo. Tudo na minha vida pessoal eu não vejo se tem eleição para fingir um pouquinho. Tudo meu é muito claro. As pessoas não podem esperar de mim nada diferente do que minha biografia construiu. Mas eu tenho pesquisas, várias com significativa vantagem sobre os candidatos. Estou pronto.

O governador José Melo, em entrevista a A Crítica, afirmou que o povo vai saber diferenciar quem faz oba oba de quem faz bravata...

Aliás, se puderem publicar uma entrevista dele por semana, eu vou agradecer muito. Aí, eu não preciso fazer muita coisa. O governador sabe. Ele fica com a consciência dele como ele é. Eu não estou preocupado com o governador. Acho que ele escolheu um caminho. A crise bateu só lá ou bateu e mim também? Então, aqui não teve crise? Eu tive rios de dinheiro para entregar uma média de duas três obras por semana no ano pior da crise que foi 2015? Se a crise bateu só lá, então, eu sou privilegiado. A crise bateu lá e bateu cá. Abalou a Zona Franca de Manaus. Abalou as duas estruturas de arrecadação. Por que eu mantive Manaus funcionando? Por que eu ampliei o sistema de saúde de Manaus? Porque eu não parei de trabalhar infraestrutura em nenhum momento nos bairros da cidade? Eu usei criatividade que vem da experiência. Muitas obras com medidas compensatórias pagas por empresas.

O governador também disse que população das zonas Norte e Leste se queixa da buraqueira nas ruas e o senador Omar Aziz falou que dos R$ 500 milhões que ele teria ajudado a viabilizar, vai fiscalizar se ainda tem buracos na cidade?

É uma disposição enorme. Ele faz o que bem quiser. Olha para minha cara e para minha biografia. Veja quem é que tem cara de traidor dos dois. Com clareza. Com muita clareza. Oito anos enfrentando o todo poderoso deus Lula, ídolo pé de barro. Hoje não é vantagem, qualquer um o chuta. São muitos a criticá-lo agora. Vinte anos enfrentando um regime ditatorial. Quando é que o nosso senador passou um minuto na oposição? Eu passei minha vida toda fazendo oposição, toda vez que o meu partido não ganhava na eleição para presidente. Eu sou uma pessoa muito testada nas minhas convicções. Que bom que o senador vai dar uma emagrecida andando pelos bairros.

O senhor acha que ele vai saber fazer oposição agora?

Tomara. Ele só não pode é querer passar como verdade que ele arranjou R$ 500 milhões para a Prefeitura. Não é verdade. Ele colaborou como muita gente colaborou. E é um dinheiro de empréstimo que vai ser pago pelo povo de Manaus. O governador Melo é inadimplente com Manaus. Porque não cumpriu o seu compromisso de asfaltar a cidade. Porque ele tentou empurrar para Manaus, sem orçamento, sem nada, aqueles aparelhos todos (Saúde). Amplificou uma crise que já existia no transporte coletivo não honrando a parte do Estado nos subsídios. Aí, disse: “eu prefiro comprar remédio”. E qual foi o remédio que ele comprou? Vejo um desespero no sistema de saúde do Estado. Eu quero é distância dele, sinceramente.O senhor usou as palavras biografia, história e coerência.

O senhor em algum momento mudou o conceito que tinha do senador Eduardo Braga?

O Omar serviu o Eduardo Braga de um jeito que eu jamais serviria ninguém. A pessoa que tratar comigo tem que me respeitar. E ninguém me dá grito. Eu não grito com ninguém. Ninguém me trata mal porque eu também não trato mal ninguém. Pode ver qualquer auxiliar meu para ver se em qualquer momento eu alterei a voz ao repreender uma pessoa, ao reclamar de alguém. Não sou assim. O que você acha do ministro Alfredo (Nascimento) ter feito uma campanha dizendo coisas terríveis sobre o governador Omar, que nesse episódio foi defendido por mim? E o que você acha de um candidato que fica o tempo todo, tem duzentos discursos chamando ambos de desonestos? Olha, coerência é o meu forte. E outra coisa: eu não sou subalterno a ninguém. Nunca me escorei em ninguém. Não tem um cacique com a mãozinha no meu ombro dizendo: ‘vote nesse moço, ele é bom’. Sempre fui da luta e tenho muito orgulho de momentos em que enfrentei quase sempre contra a correnteza, paradas muito difíceis. Amazonino (Mendes), em 1986, amparado por aquele homem extraordinário que é Gilberto Mestrinho, uma luta dura. E depois eu tendo que enfrentar o próprio Gilberto Mestrinho, uma figura que eu admirava. Mas o destino quis assim. Minha eleição para prefeito foi contra quem? Lula era uma pessoa ainda prestigiada, Dilma era prestigiada. E o leque de partidos e de pessoas apoiando e eu no meu lugar.

Alguns de seus adversários dizem que têm números para contrapor a essa narrativa de que o seu governo foi prejudicado pelo governo federal?

Eles se queimam com Manaus. Sabe por que? Dizer que Manaus não deveria ter recebido, a população crescendo, mais recursos obrigatórios. Eu não recebi foi repasses expontâneos. Então, não é bom uma pessoa fazer uma campanha com base na inverdade. É isso que me fez ser candidato. Até porque sou uma pessoa absolutamente verdadeira na minha vida pessoal. É verdadeiro quando me dirijo às pessoas no embate. Zero de recursos federais transferidos expontaneamente. Passar emendas parlamentares, todos me davam. Agora no meu caixa não chegava. E eu cumpro com os vereadores rigorosamente, inclusive com o pessoal de oposição a mim, que eu respeito muito.

O senhor teve dificuldades com o seu vice-prefeito, deputado Hissa Abrahão. Que afinidade o senhor tem com o deputado Marcos Rotta que possa indicar que a relação com ele vai ser diferente daquela que teve com o Hissa?

Eu não vejo que a gente possa misturar CPFs. Não tenho nada pessoalmente contra o deputado Hissa Abrahão. Eu entendo que fui absolutamente correto com ele. Porque é comum deixar vice na geladeira. Eu não fiz com ele nem farei com outros. E o vice meu vai para a vitrine. Vai se responsabilizar por algumas secretarias e vai administrar a cidade junto comigo. Eu coloquei o deputado Hissa Abrahão como secretário de Infraestrutura. Não botei num escritório bonitinho, decoradinho para ele ficar ali. Nada. Ele foi secretário de Infraestrutura e teve oportunidade de mostrar o seu valor. E pelo que fez pela Prefeitura na minha gestão, eu agradeço profundamente.

Ao anunciar a aliança com Marcos Rotta, o senhor disse que ele teria uma secretaria. Qual seria?

Nada de carro na frente dos bois. Vamos primeiro ganhar a eleição. Depois a gente vai discutir secretarias.Passados três anos e meio, um ano de crise, e diante das dificuldades que senhor enfrentou, o que o senhor acha que pode prometer para a população para mais quatro anos?Outro problema. Quem governa pelo WhatsApp pode prometer tudo. Vai transformar isso aqui em Nova Iorque, em Viena. Eu tenho a obrigação de ser realista. Estamos apresentado um programa de governo em linhas gerais e vou fazer um programa de governo em cima de sonhos realizáveis, dando conta do que fiz, do que não puder fazer, daquilo que não estava programado e eu fiz. E dos sonhos realizáveis. E tudo aquilo que a gente puder fazer caber, parte do orçamento da Prefeitura e parte com a ajuda do governo federal que de forma alguma é contra nós e não discrimina nem a mim nem a Prefeitura.

Prefeito, os seus adversários têm dito que o senhor colocou a Faixa Azul do lado errado da pista...

Se eu colocasse todos os ônibus do lado de cá (na direita) aí não era Faixa Azul. O pessoal do sistema de transporte numa queda de braço estúpida, que eu não sou de me dobrar. Eles deveriam ter colocado ônibus aqui com abertura para a esquerda. Com mais ônibus aqui resolveria esse problema. Agora, Faixa Azul que pode eventualmente irritar uma pessoa que está no carro, no ar condicionado, ela é muito bem vista pelas pessoas mais pobres, ganham tempo para o almoço, para a ginástica nas inúmeras academias que espalhamos pela cidade. Ganham tempo para a convivência familiar, com os vizinhos, para ler, para fazer um vestibular. A Faixa Azul é uma opção clara que a gente fez pelas pessoas mais pobres.

Em três anos e meio à frente da Prefeitura, a sua gestão teve R$ 11 bilhões. Quantos bilhões faltaram para o senhor fazer mais?

Primeiro você tem que ver as despesas obrigatórias que nós temos, as vinculações. As despesas crescem. O custeio cresce a cada momento. Você tem um crescente de obrigações que já estão ali. Você não dando reajuste, e eu dei todos os anos. Você já tem aumento do custeio. Manaus é muito mais complicado do que esse recurso a que você se referiu. Não dá para comparar uma Manaus, que tem 2,2 milhões de habitantes, com problemas crescentes, governada nem sempre por pessoas que tiveram coragem de fazer o asfaltamento direito, de enfrentar os problemas da cidade. Sempre a política do contorno, de vou por aqui, de fingir que não é comigo. É comigo. Estou dizendo que precisava muito mais do que isso. Esse empréstimo que chegou aqui é muito menor do que perda de receita que tivemos no período previsto para 2016. E realizado em 2015. Exatamente isso. Alguém chegar para mim e dito isto: olha, Manaus cresceu, está maior, tem mais habitantes, mais problemas, não resolvi o problemas, ampliar os problemas e dizer: “essa parte não”. É essa forma adulta de ver as coisas que me faz disputar uma eleição e agora eu vou para a luta com tudo que eu tenho de garra, de amor pela cidade, responsabilidade com a cidade. Não seria responsável com a cidade não ouvir julgamento do povo a meu respeito.

O que o senhor reconhece que fez e o que não fez?

Eu faria a pergunta inversa. Você acha que Manaus é a mesma que eu recebi? Claro que não! Manaus não é a mesma. Agora, muita coisa eu não pude fazer. Por exemplo: as tais 110 creches. O governo federal custeia 10% das creches. Antigamente, eles faziam toda a creche, depois passaram a fazer metade. Havia uma em 343 anos de história. Eu vou fechar este ano com mais de 20. Ou seja, é expressivo. Eu não teria como arcar com custeio à base de 90% e mais metade da construção. Construção não é nada. Quando cheguei ao governo, o custeio era um pouco menor do tamanho da construção. Agora, a construção é muito menor do que o custeio. Então eu não tinha como avançar nesse campo, mais do que fiz. Mesmo assim, se você compara com tudo que fizeram para trás, essas pessoas que governaram a cidade, uma creche municipal. Tem treze, quatorze, sei lá quantas funcionado. Vão passar de 20 até o final do. Melhorou, então, em creche. O déficit não resolveria com 110 creches. O déficit é muito maior do que isso. E quem falar que resolve o déficit de creche não está falando a verdade. Essa voz de responsabilidade e amadurecimento, eu sou obrigado a dar na campanha pelo amor que eu tenho pela cidade e pelo amor que tenho ao local de meus filhos, vive o Artur Bisneto aqui, eu vivo aqui com dois netos. Tenho muita responsabilidade com eles. Não faria nada que fosse ruim para Manaus.

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