Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
cenários

Novos movimentos marcam a corrida pela Prefeitura de Manaus

Movimentação de pré-candidatos à cadeira de Artur agitou a última semana e alterou o panorama para as eleições



1091348.jpg Na última semana, Hissa Abrahão, Artur Neto e Silas Câmara provocaram mudanças no panorama eleitoral em Manaus (A Crítica)
05/06/2016 às 14:32

BRASÍLIA (SUCURSAL) – Três fatos políticos ocorridos na última semana mexem no tabuleiro de xadrez da sucessão à Prefeitura de Manaus. O primeiro deles foi o retorno ao “game” do deputado federal Hissa Abrahão, que escapou da expulsão do PDT por ter votado a favor do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Ele foi punido com uma suspensão de 40 dias. O segundo fato foi o pré-lançamento da candidatura do deputado Silas Câmara pelo PRB, contrariando as especulações de que ele está cavando uma vaga de vice na chapa de reeleição do prefeito Artur Neto (PSDB). E o terceiro episódio foram as duras críticas de Artur ao aliado das últimas eleições, o governador José Melo (Pros) por conta das mudanças na área de saúde.

Especialistas ouvidos por A Crítica consideram cedo para afirmar com precisão se a rebeldia do prefeito de Manaus pode resultar em um rompimento definitivo com Melo; e se as declarações do prefeito miram no projeto de reeleição. “Como o governador parece não pretender se candidatar em 2018 (e talvez nem possa já que foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral), está tomando medidas impopulares para conter a crise econômico-financeira no Amazonas.Nesse caso da saúde, o governo estadual diz claramente que a atenção básica é de responsabilidade do município de Manaus. O prefeito Artur Neto quer se desvincular dessas ações impopulares. Isso prejudica a candidatura à reeleição dele, ainda mais que não está bem nas pesquisas divulgadas até agora e nas sondagens internas feitas por vários grupos e partidos políticos”, afirma uma fonte que não quis se identificar. Artur não trata nem fala publicamente sobre eleições. “Nem eu sei se serei candidato, quanto mais de outras candidaturas”, tem dito o prefeito.

Também ainda não tem um nome definido para ser o vice na chapa do tucano; está entre o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Josué Neto (PSD), e o presidente da Câmara Municipal de Manaus, Wilker Barreto (PHS).

O terceiro nome que figura na lista dos prováveis vices na chapa de Artur Neto é o do deputado federal Silas Câmara (PRB), mas ele descartou essa possibilidade na última sexta-feira (3) quando o partido anunciou a pré-candidatura dele a prefeito de Manaus.

“O PRB está lançando minha pré-candidatura no próximo dia 10 de junho, no Studio 5, com a presença do presidente nacional do partido, do ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira, dezenas de colegas deputados federais e senadores”, declarou Silas Câmara.

No lançamento da candidatura a prefeito de Manaus, na próxima sexta-feira, o deputado pretende reunir dez mil líderes políticos e religiosos das dez maiores igrejas de Manaus e do interior. A intenção de Silas é em julho figurar entre os três mais citados nas pesquisas eleitorais. “Se cada um desses dez mil líderes conseguir 20 votos, já sairei com 200 mil votos e, segundo os analistas, quem tiver essa votação estará no segundo turno”, afirma o deputado.

Estratégia

O deputado Silas Câmara não para de fazer contas para viabilizar a candidatura a prefeito de Manaus. Além dos 200 mil votos que pretende angariar principalmente no nicho evangélico, ele lembra que teve 65 mil votos em Manaus, nas eleições de 2014, e o PRB, com o Pastor Nilmar, outros 40 mil votos, somando 105 mil votos. Outra estratégia é utilizar sua capilaridade no interior e agregar votos na eleição de Manaus. Ele lembra que quase todo mundo que mora no interior tem um parente em Manaus. Silas promete fazer campanha durante quatro ou cinco dias em na capital e dois ou três dias no interior.

‘Não seremos trampolim’, diz Hissa

No mesmo dia que o Diretório Nacional do PDT o livrou da expulsão pelo voto “sim” ao impeachment de Dilma, o deputado Hissa Abrahão foi às redes sociais avisar que estava de volta ao “game” eleitoral. “Com a caravana, com a militância, com todos os membros do PDT, vamos aos bairros, ruas e vielas, ouvir as reclamações do povo e formatar um grande plano de governo; o PDT lançará candidatura própria. Nosso projeto para Manaus não é brincadeira e ninguém vai impedir o nosso partido de avançar. A população que nos aguarde porque nós iremos participar dessas eleições”, disse Hissa.

O presidente em exercício do PDT-Amazonas, Stones Machado, explicou que a pena aplicada pelo Conselho de Ética não impede a pré-candidatura de Hissa à Prefeitura de Manaus. Segundo o dirigente, o deputado já estava punido ao perder a presidência estadual e a pena de 40 dias de suspensão é simbólica. “Hissa não decidirá nada dentro do partido durante esse prazo, mas está livre para continuar o projeto de governar Manaus por meio da pré-candidatura a prefeito”, declarou Machado.

PMDB articula candidatura própria

Com a permanência quase certa da ex-deputada Rebecca Garcia (PP) na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que não se desimcompatilizou no último dia 2 para ser candidata nas eleições deste ano, o PMDB, do senador Eduardo Braga, poderá lançar o deputado federal Marcos Rotta, tendo como vice na chapa, a deputada Conceição Sampaio (PP). Mas informações de bastidores revelam que Braga teria dado uma força para que o PDT não expulsasse o deputado Hissa Abrahão por ter votado a favor do impeachment de Dilma.

É que no Rio de Janeiro, o PMDB vai fazer aliança com o PDT de Carlos Lupi. Questionado sobre essa aliança, Marcos Rotta diz que até agora a candidatura dele está em curso e que a discussão dentro do partido é se unir ao PP. Sobre a possibilidade de o próprio Eduardo Braga ser o candidato, Rotta afirma que a chance é zero. A situação do senador é delicada porque se ele votar contra o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, o presidente interino, Michel Temer, e a cúpula do PMDB podem tirar-lhe a sigla do comando dele no Amazonas, o que inviabilizará a pretendida candidatura ao governo do estado em 2018.

Já são 13 pré-candidaturas na disputa

Uma possibilidade estudada pelos partidos de esquerda é uma aliança das oposições ao governo do presidente Michel Temer

Com o pré-lançamento da candidatura do deputado Silas Câmara (PRB), a corrida pela sucessão à prefeitura de Manaus já conta agora com 14 nomes prováveis para concorrer ao cargo de Artur Neto. Além do próprio prefeito, os deputados Silas Câmara, Hissa Abrahão e Marcos Rotta, também pretendem lançar candidatura o deputado estadual Serafim Correa (PSB), Marcelo Ramos (PR), o ex-deputado estadual Eron Bezerra ou a senadora Vanessa Grazziotin, pelo PCdoB; o PT também estuda lançar candidato próprio e a disputa está entre os deputados José Ricardo e Sinésio Campos.

O ex-deputado estadual Chico Preto é o nome do PMN e o vice-governador Henrique Oliveira diz que é pré-candidato pelo Solidariedade e o deputado estadual Luiz Castro deve sair pela Rede Sustentabilidade. Herbert Amazonas e Luiz Navarro, líderes de seus partidos no Amazonas, são, respectivamente, pré-candidatos do PSTU e PCB. O PSOL não terá candidatura própria e deverá apoiar o nome de Serafim Correa é o que informa o site do partido.

Uma possibilidade que está sendo estudada pelos principais líderes dos partidos de esquerda é uma grande aliança das oposições ao governo do presidente interino Michel Temer. Essa união, não mais vista há alguns anos, poderá ocorrer não somente em Manaus, mas em outras capitais e cidades brasileiras. Seria uma resposta ao que são contrários ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Em Manuas, partidos do PT e PCdoB, principalmente, começam a vislumbrar uma candidatura única e o nome mais citado é o da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que tem resistido à ideia. “Estou muito envolvida com a comissão do processo de impeachment da presidente Dilma e não teria muito tempo para fazer campanha em Manaus”, alega a senadora. Mas, o nome de Vanessa cresce ainda mais dentro do PCdoB principalmente porque o ex-deputado Eron Bezerra, que já anunciou a pré-candidatura dele, pode se inviabilizar por conta da decisão do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) que acaba de julgar irregular a prestação de contas dele, quando era secretário estadual de Produção Rural. Eron foi condenado a devolver R$ 2,6 milhões por adiantamentos concedidos aos servidores da Sepror e por não apresentar justificativa para a ausência de licitação de despesas que ultrapassaram o valor máximo de 10% da modalidade Convite. Ele pode recorrer da decisão.

Pré-candidatos de olho no calendário

Pelo calendário eleitoral do TSE, o dia 30 de junho é a data a partir da qual é vedado às emissoras de rádio e de televisão transmitir programa apresentado ou comentado por pré-candidato, sob pena, no caso de sua escolha na convenção partidária, de imposição da multa e de cancelamento do registro da candidatura do beneficiário. As convenções para escolha de candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador serão de 20 de julho até 5 de agosto.

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