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Eleições
Crime eleitoral

Operação Pente Fino flagra delivery da compra de votos em Careiro Castanho

Barreira montada pela Justiça Eleitoral apreendeu veículo entregando sacolas de ranchos em domicílio sob suspeita de que o serviço seria utilizado para cooptar eleitores 28/09/2016 às 09:12 - Atualizado em 28/09/2016 às 09:12
Show delivery compra de votos
As cestas básicas foram apreendidas em operação coordenada pela juíza eleitoral Sabrina Cumbra Ferreira com o titular da firma M S Frios que portava um cartão de 'disque rancho'
Aristide Furtado Manaus

Duas semanas depois de decretar a prisão preventiva de cinco pessoas acusadas de participar de um esquema de compra de votos em Careiro Castanho (a 102 quilômetros de Manaus), a juíza eleitoral  Sabrina Cumbra Ferreira apreendeu, ontem, 70 cestas básicas de um suposto serviço de ‘Disque-rancho’ por suspeita de entrega em domicílio de alimentos em troca de votos.

O suposto delivery da cooptação eleitoral foi flagrado durante a ‘Operação Pente Fino’ realizada pela magistrada com o apoio das tropas especiais  enviadas para garantir a segurança do pleito. “A gente tem feito barreira na estrada. E detectamos algo inusitado. Um homem com cartãozinho de disque rancho. Ele tentou se explicar. Não apresentou documento dele ou do carro na hora. A gente apreendeu 20 cestas básicas. Tudo embaladinho. E no local onde ele indicou que seria a empresa dele tinha mais de 50 cestas básicas todas acondicionadas”, disse a juíza.

O titular da firma identificada como  M. S. Frios, segundo a juíza, explicou que vende rancho nas casas, o que foi considerado suspeito por conta da proximidade do dia da eleição e do histórico de crimes eleitorais do município. A suspeita é de que algum candidato tenha contratado os serviços de entrega de rancho para eleitores. “Ele não foi detido. A gente apreendeu as cestas. E vamos apurar direitinho. De todo jeito foi determinado para ele suspender esse serviço até depois da eleição. Nesse período pode servir para fins ilícitos. Depois do domingo ele volta a vender o rancho do ‘Disque-rancho’. Ele é suspeito de estar envolvido em distribuição ilícita de cestas básicas”, afirmou a juíza Sabrina Ferreira.

No dia 16 deste mês, durante a ‘Operação Voto Livre’, foram presos os vereadores João Doza de Oliveira Neto (PMDB), Gleuson Mesquita de Lima (PSB), o candidato a vereador Elcio Freitas Nascimento (PRP),  as assistentes sociais Jucimara Cabral Cavalcante, Aurilene Barbosa Pucu Cardoso e a subsecretária Girlaine Martins Rodrigues. Eles seguem presos até após as eleições. “Indeferi o pedido de soltura deles. E o TRE (segunda-feira) por unanimidade denegou a ordem de habeas corpus que foi solicitada por entender que realmente tem elementos que autorizam a manutenção da prisão preventiva deles. Os áudios, as escutas, as demais provas produzidas dão conta realmente da intensa movimentação deles no sentido de comprar votos e usando recursos da ação social”, disse a juíza.

A magistrada afirmou que o clima na cidade é de traquilidade. “O pessoal fala que  nunca viu uma fiscalização intensa dessa forma. Em outras eleições costumava correr tudo  muito solto. E agora o pessoal que está com tendência a comprar votos  estão  muito receosos”, disse.

Busca e apreensão

Na segunda-feira, a Justiça Eleitoral cumpriu mandados de busca e apreensão nos comitês de quatro dos oito candidatos a prefeito de Careiro Castanho para apurar a denúncia de que nesses locais haveria dinheiro que seria distribuído na reta final da campanha.

“Tudo foi averiguado.  Não foi apreendido dinheiro ou algo expressivo. Os mandados foram cumpridos nos comitês dos candidatos Hamilton Villar, Nathan Macena, Nénem do Igapó e Nailson Guedes. As informações era que tinha uma grande quantia em dinheiro em alguns comitês juntamente com documentos indicando compra de material para ser distribuído. Não foi apreendido nada nessa busca e apreensão. Não foi constatado nada em nenhum dos alvos”, disse a juíza eleitoral Sabrina Ferreira.


A magistrada explicou que as buscas também ocorreram nas casas do candidato a vereador Júnior Melo (PSL) e do candidato a vice-prefeito da chapa de Nathan Macena (Pros), Tay Lira (SD) e de uma assessora dele.  Mas nada foi encontrado, segundo a magistrada. Ele ressaltou que o município recebeu o reforço de 37 policiais militares. E que tem feito barreiras para inibir possíveis crimes eleitorais. “Ninguém  foi preso hoje (terça-feira). Não foi constatado nada. O pessoal esta muito receoso de transportar dinheiro mas a gente tem muitos informes”, disse a juíza.  

Quem disputa

Oito candidatos disputam a Prefeitura de Careiro Castanho. A lista é composta pelo prefeito Hamilton Villar (PMDB);  Doutor Miguel (Rede); Lourenço Almeida (Psol); Nailson Guedes (PSD); Nathan Macena (Pros); Neném do Igapó (PHS); Professora Ranilde (PT); e Valdimar Felizardo (PR). Apenas o prefeito teve o registro de candidatura indeferido pela juíza Sabrina Ferreira. Hamilton Villar recorreu ao TRE-AM e aguarda decisão.  

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