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Mobilidade eleitoral

Pessoas com deficiência tem dificuldade para votar em Manaus

Falta de acessibilidade de alguns colégios eleitorais foi a reclamação mais frequente 03/10/2016 às 06:00 - Atualizado em 04/10/2016 às 09:18
Silane Souza Manaus (AM)

Pessoas com Deficiência (PCDs) enfrentaram dificuldades para votar ontem em Manaus. Falta de acessibilidade de alguns colégios eleitorais foi a reclamação mais frequente.  Numa escola da Zona Oeste, um cadeirante teve que ser carregado por outros eleitores para poder chegar à cabine de votação que ficava no segundo andar do prédio.

O autônomo Wollace da Silva Freitas, 36, foi quem precisou de ajuda para subir a escada de 15 degraus que dava acesso ao segundo andar da Escola Municipal Manuel Ferraz de Campos Sales, bairro Tarumã, Zona Oeste. No local, funciona a Zona 62, e ele vota na seção 589, a única que estava funcionando no andar superior do prédio. As demais estavam no primeiro andar.

“É a primeira vez que voto nesse local. No outro lugar não tinha esse problema porque a escola é adaptada. Mas eu perdi meu título de eleitor, tive que tirar outro. Quando fui tirar não tinha mais vaga para o mesmo colégio que eu votava e me colocaram nesse. Para nós que moramos sozinho e gostamos de ser independentes é muito ruim ficar dependendo dos outros para poder votar”, disse.

A coordenadora da Zona 62, Márcia Castro, contou que houve um problema na sala onde funcionaria a seção 589 e por isso ela teve que ser transferida para o segundo andar da escola. “Todas as seções ficariam no primeiro andar justamente para facilitar o acesso aos cadeirantes, mas o ar-condicionado de uma das salas sofreu um curto circuito e tivemos que trocar o local da seção”, justificou.

A entrada de muitas escolas foi um empecilho para cadeirantes. A falta de rampa dificultou a entrada deles. “Se tivesse uma rampa eu não teria tido problema para entrar. Bastava ser empurrada. Mas como não tinha tive que ser carregada para passar pelo portão que tinha a parte de baixo um pouco suspensa”, relatou a aposentada Adelaide Luiza Nascimento da Silva, 51. 

A dona de casa Celeste Edith Mota, 62, também enfrentou dificuldades para levar o filho André Luiz, 27, que é cadeirante, ao local de votação. Ela reclamou da falta de calçadas acessíveis no bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul, onde reside, pois precisou encarar o trânsito e passar com o filho no meio dos carros, correndo riscos de ser atropelada, para poder levá-lo ao Centro Educacional Álvaro Botelho Maia.

“Aqui no Parque Dez a gente enfrenta o problema de não ter rampas de acesso para as calçadas. E quando tem, alguma árvore impede que a gente consiga passar. Isso obriga a gente a ter que passar pelo meio dos carros”, afirmou Edith. Foram 20 minutos de caminhada até a escola e, na chegada, ela ainda precisou de ajuda para conseguir entrar. Duas pessoas ajudaram a idosa a empurrar a cadeira de rodas do filho e ambos puderam exercer a cidadania.

Sem respostas

A reportagem questionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) sobre a quantidade de pessoas com deficiência aptas a votar em Manaus. O órgão informou que tinha o número no sistema, entretanto, não dava para verificar porque todo o sistema estava voltado para a apuração dos votos. O TRE-AM também não informou se fez algum projeto para garantir o acesso por parte dessa população aos locais de votação.

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Enquanto algumas escolas não têm acessibilidade, outras tinham até cadeira de rodas para ceder a quem estava com dificuldade para se locomover. O exemplo foi visto na Escola Estadual Eldah Bitton Teles de  Rocha, conhecida como Quarentão, localizada na estrada da Estanave, bairro Compensa III, Zona Oeste.

O auxiliar de depósito Edney Domingos, 33, quebrou a perna e precisa de muleta para andar. Ele revelou que quando chegou ao colégio eleitoral, que é o maior da Zona Oeste, com 8.920 eleitores, deram-lhe uma cadeira de roda para se locomover com maior facilidade pelo prédio de três andares.

“A escola cedeu à cadeira para que eu não fizesse muito esforço ao subir até a seção onde voto. Pra mim é uma coisa nova, ainda não tinha visto um lugar oferecer esse tipo de ajuda. E o bacana é que não há escadas na escola, o acesso até o terceiro andar é por uma grande rampa o que facilitar a deslocação”, afirmou Edney.

 

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