Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2021
FLAGRANTE

Polícia Federal prende funcionários da campanha de Ricardo Nicolau em Manaus

Marqueteiro da campanha, que recebeu R$ 400 mil de Nicolau, e prestadora de serviços estão entre os presos por suspeita de compra de votos; segundo a coligação, trata-se de uma confusão da PF



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12/11/2020 às 16:40

A Polícia Federal efetuou a prisão em flagrante, na noite de terça-feira, de quatro pessoas ligadas à campanha do candidato a prefeito de Manaus Ricardo Nicolau (PSD) por suposta compra de votos “dissimulada” por meio de “pesquisa qualitativa” eleitoral.

Em nota, a coligação "Pra Voltar A Acreditar", de Ricardo Nicolau, classificou o episódio como uma "confusão de que foi vítima" e disse que está  "atuando junto à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal a fim de restabelecer a verdade" (veja abaixo a nota na íntegra).



Foram presos na operação coordenada pelo delegado Fabio Sandro Pessoa Pegado, numa sala do terceiro andar do Edifício Atrium, os marqueteiros Rodolfo Viera de Melo da Costa Pinto e Victor Ramos de Carvalho; além da empresária Marcia da Cruz Gordinho e da professora  Maria dos Prazeres Maia dos Santos. Os agentes apreenderam relação com nomes, talões de notas sem datas e anotações relativas à campanha de Nicolau.

Nos autos da prisão em flagrante o delegado que conduziu os suspeitos à delegacia informou que havia recebido informações a respeito das reuniões realizadas no Edificio Atrium, e suspeitou que poderia se tratar uma compra de votos de pessoas ligadas a campanha de Nicolau.

Ao chegar ao local, a equipe abordou algumas pessoas que haviam participado de uma reunião no terceiro andar do edifício e que confirmaram o recebimento de um lanche de R$ 80, em envelopes pretos.

Chegando à sala, os quatro suspeitos informaram à PF que estavam realizando uma pesquisa eleitoral e confirmaram a entrega dos valores como forma de “agradecimento” as pessoas que participaram da reunião. No primeiro momento, eles disseram que não teriam vinculo com qualquer candidato.

Porém, ao realizar a revista na mochila de Victor Ramos Carvalho, os policias encontraram tabelas com nomes, documentos, talões sem datas e uma caderneta com rascunhos relativos à campanha de Ricardo Nicolau e ainda uma pequena quantidade de entorpecente, descrito pela PF como maconha.

Quando os ânimos estavam mais calmos, segundo o delegado, foi encontrado ainda no porta-malas do veículo conduzido por Carlos Alberto de Figueiredo, que estava no térreo do prédio, material de propaganda eleitoral. O motorista afirmou que havia dado carona para Victor Ramos e confirmou os fatos relatados à polícia.

Os suspeitos foram enquadrados no artigo 299 Lei 4737/1965 que tipifica como crime a ação de “dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção”.

Fianças

A defesa dos quatro suspeitos pagou, na quarta-feira, R$ 32 mil de fiança para a liberação dos mesmos. Segundo o inquérito da PF, em favor de Rodolfo da Costa Pinto foi entregue R$ 15 mil. O valor estipulado e pago em nome de  Márcia da Cruz Gordinho foi de R$ 5 mil. Para soltura de  Victor Ramos de Carvalho foi entregue R$ 10 mil. E para a de Maria dos Prazeres, o valor foi R$ 2 mil.

Contratos

Consulta ao Divulgacand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que a empresa Ideias, Fatos e Texto Ltda, nome de fantasia IPE - Instituto de Pesquisas e Estratégias, que tem como um dos sócios Rodolfo da Costa Pinto, recebeu R$ 400 mil da candidatura de Ricardo Nicolau para criação e desenvolvimento dos conceitos e estratégia de campanha. Entre os fornecedores do candidato também consta o pagamento de R$ 25 mil em nome de Marcia da Cruz Gordinho para realização de pesquisa quantitativa.

Testemunha

Em seu depoimento, um dos agentes federais que participaram da operação, Raimundo Nonato Barbosa da Silva, disse que foi chamado na terça-feira para participar de uma diligência visando verificar denúncia sobre a suposta compra de votos no Edifício Atrium. Disse que  por volta das 18h chegaram ao local e as 20h a equipe visualizou um grupo de pessoas concentradas na recepção do prédio.

Questionadas, elas teriam dito que haviam acabado de participar de uma pesquisa eleitoral e que cada participante teria recebido um lanche e R$ 80. E que o evento teria ocorrido no terceiro andar do edifício.

Afirmou que ao entrarem na sala encontraram Marcia Gordinho, Rodolfo Costa Pinto, Maria dos Santos e Victor de Carvalho. Perguntados sobre o que estavam fazendo no local, responderam que se tratava de uma pesquisa qualitativa com eleitores da Manaus acerca das propagandas eleitorais na TV. Rodolfo e Victor disseram que foram contratatados pela campanha de Ricardo Nicolau. E que contrataram Marcia Gordinho para realização do serviço.

A PF diz, no inquérito, que se evidenciou ter ocorrido, no local, evento dissimulado de pesquisa qualitativa com indícios de prática de compra de votos. E deu voz de prisão aos quatro. Eles e as pessoas que participaram da reunião foram conduzidas à sede PF juntamente com o material apreendido.

Depoimento

Márcia Gordinho disse a Polícia Federal, em seu depoimento, que é proprietária da empresa Centro de Estudos e Pesquisa da Amazônia e que foi contratada há cerca de um mês por Rodolfo para fornecer a infraestrutura e recrutamento das pessoas selecionadas para a pesquisa qualitativa. Informou que o recrutamento é feito por outra empresa, a MR Pesquisa, pertencente a Márcia Regina.

Disse que as pessoas são selcionadas de várias zonas da cidade de forma aleatória. Contou que o dinheiro dado aos entrevistados era disponibilizado por Rodolfo. Disse ainda que esses encontros começaram na segunda-feira sempre no edifício Atrium, onde funciona a empresa dela. Revelou que já recebeu R$ 50 mil de Rodolfo por esses serviços. E que Victor é o marqueteiro do grupo.

A interrogada afirmou que, em momento algum, foi dito aos participantes que Nicolau é o contratante da pesquisa. Explicou que o bonus de R$ 80 é um incentivo para o eleitor participar da pesquisa. E que esse pagamento é feito em todo o Brasil nesse tipo de serviço. Disse que não conhece pessoalmente o deputado e que nunca antes prestou serviços vinculados a ele.

Tudo gravado

Em seu depoimento, Rodolfo Costa Pinto afirma que o trabalho de pesquisa qualitativa feito em Manaus, para a campanha de Nicolau, é "validado há décadas em todo o mundo" e servem para ajudar o candidato a orientar seus passos na campanha. Segundo Rodolfo, desde a formalização do contrato com Nicolau, já foram feitas em Manaus aproximadamente 30 reuniões do tipo, todas pela parte da noite, e que em nenhum momento é revelado aos participantes o nome do contratante ou entregue material de propaganda. 

Rodolfo afirmou ainda que a seleção dos participantes é feita por outra empresa, de forma aleatória. E que no momento do recrutamento a pessoa é informada sobre "recompensa pecuniária" por participar da pesquisa. Segundo ele, todas as reuniões foram gravadas, inclusive a do dia 10.

Victor Ramos confirmou à PF que é marqueteiro, que tem relação de amizade com Rodolfo e que já trabalhou com ele na campanha de 2014 de Eduardo Campos. Disse que estão prestando serviço para a campanha de Nicolau, com quem se reúnem para apresentar os relatórios das pesquisas. E que acertou a remuneração de R$ 50 mil pelo serviço.

 

Nota assessoria Ricardo Nicolau

A Coligação "Pra Voltar a Acreditar", por meio da sua assessoria jurídica, repudia a criminalização do trabalho de um instituto de pesquisa. Como é prática mundial, nas pesquisas qualitativas não há indução e muito menos pedido de votos.

Qualquer informação diferente disso trata-se de uma notícia mentirosa, uma ”fake news" fabricada às vésperas da eleição para tentar influenciar o eleitor contra o candidato que mais cresce nas pesquisas e ameaça o grupo que está há mais de três décadas no poder na prefeitura de Manaus e no governo do Amazonas.

A coligação 'Pra Voltar a Acreditar' rechaça e repudia a confusão de que foi vítima e informa que está atuando junto à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal a fim de restabelecer a verdade e evitar que essa ação anônima siga tentando macular a credibilidade e idoneidade de nossa campanha.

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