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Eleições
Prefeitura de Manaus

'Precisamos mudar a forma de gerir a Prefeitura’, diz Luiz Castro

Candidato da Rede à Prefeitura de Manaus, Luiz Castro pretende fazer uma gestão baseada na participação popular, privilegiando a meritocracia em detrimento do apadrinhamento político 01/09/2016 às 14:33
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Candidato da Rede à Prefeitura de Manaus, Luiz Castro (Foto: Evandro Seixas)
Aristide Furtado Manaus (AM)

 Aos 57 anos, o deputado estadual Luiz Castro (Rede) -  agora em seu quinto mandato parlamentar - conta com a experiência de já ter ocupado o cargo de prefeito no município de Envira, além de diversos cargos - como a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) e o Instituto de Cooperação Técnica Intermunicipal (Icoti) - para pleitear a Prefeitura de Manaus. O candidato defende bandeiras como o orçamento participativo, a integração de modais no transporte público e a meritocracia na ocupação de cargos públicos na Prefeitura.

Da sua experiência como prefeito de um município do interior (Envira) o que o senhor  resgataria para uma eventual gestão do município de Manaus?

O compromisso básico com o bem comum. Como prefeito sempre trabalhei pensando no bem coletivo. Nunca colocando os privados acima dos interesses da comunidade. Promovendo a participação comunitária. É claro que hoje vamos ter que incorporar a internet. Mas eu friso muito isso. Conselho comunitário. Terceiro: a probidade. Não permitir desvio de dinheiro público. Dinheiro público tem que ser usado nas políticas de educação, saúde, transporte. E eu fiz isso como prefeito. Quarto: planejamento e organização. E quinto: a questão de ser humano, sem ser clientelista e paternalista.

Numa eventual gestão sua como seria a elaboração e execução do orçamento da Prefeitura?

De forma bastante participativa e interativa com a sociedade. Não só com a questão da elaboração do orçamento mas a sua execução, e a definição das prioridades mais detalhadas. Porque quando você tem uma linha de atuação como quadra de esportes, centros comunitários, creches você tem que definir prioridades. E isso tem que ser feito com a população sendo ouvida. Ao mesmo tempo em que a presença física do prefeito e de seus assessores tem que se dar presentemente nos bairros, você tem que utilizar os equipamentos da internet. Permitir que, via internet, você receba sugestões,  críticas. Você tenha transparência associada a participação pelas mídias sociais, principalmente das ações segmentadas.

No campo do orçamento, o problema da Prefeitura é falta de dinheiro como afirma o prefeito, ou de eficiência?

É falta de uma gestão mais eficiente que defina o que é prioridade. Uma das construções mais importantes da nossa aliança Rede/PMN é a definição que nós temos que mudar a forma de gerir a Prefeitura de Manaus. Ao invés de inchar a Prefeitura com milhares de cargos comissionados com secretarias em excesso, diminuir a estrutura da área meio, focar na área finalística, priorizar de maneira absoluta os cargos comissionados ocupados por servidores comissionados concursados  técnicos qualificados da própria Prefeitura. Ao mesmo tempo definir a repactuação após analise minuciosa dos grandes e médios contratos da Prefeitura.

Que medidas o senhor pretende adotar quanto a transparência?

No nosso plano de governo, transparência é um requisito absoluto. Esse programa vai ter desde processo de prevenção aos desvios e de cumprimento da lei com orientação preventiva até o forte trabalho de corregedoria aberto ao cidadão comum fazer suas denúncias por aplicativo preservando a sua identidade. A ideia é que haja transparência e que no aplicativo do celular é nosso compromisso você possa acompanhar os gastos da Prefeitura. Nós queremos mudar a relação do poder público com a sociedade e valorizar os bons empresários, aqueles que quiserem oferecer qualidade e preço melhor.

Numa eventual gestão da Rede, como seria a escolha dos diretores das escolas?

A nossa proposta é associarmos dois critérios. Um de qualificação técnica, ou seja; pessoas que estejam habilitadas à gestão da escola, mostrando o seu currículo, sua reputação ilibada, ficha limpa, professores ou pedagogos que tenham esse perfil para serem gestores. E, a partir daí, ter uma seleção técnica e promover uma eleição em conselhos escolares. Então, não é só eleição. Tem que ter também uma triagem técnica.

O que é possível fazer em quatro anos para melhorar a mobilidade em Manaus?

A primeira coisa é fazer com que a Prefeitura tenha o controle do sistema. Hoje tem empresa privada, associação das empresas de ônibus controla o tráfego, volumetria, quilometragem,  todo o trânsito dos ônibus. Por exemplo, no horário  de pico, você tem centenas de ônibus parados nas garagens. Mas o que vale hoje é a lógica do lucro. Segundo: inaugurar um sistema de planejamento integrado de transporte em que todos os fatores ligados ao transporte sejam trabalhados.

Qual sua opinião sobre a faixa azul?

Estamos estudando e cada vez mais convencidos de que precisamos ter a coragem de passá-la para o lado direito, onde todos os ônibus estão colocados. É preciso cobrar também a aplicação do plano diretor preexistente de acessibilidade em relação a nossas calçadas. É preciso se lembrar dos pedestres. Ordenando o sistema de maneira concatenada e implementando progressivamente o BRT com recursos externos de financiamento via BNDES, Caixa Economica e BID. Tudo isso é um processo de quatro anos.  ninguém vai mudar isso magicamente. Mas fazendo certo começando o trabalho de maneira correta

Manaus está no meio da maior floresta equatorial do planeta e é pouco arborizada. Qual a meta de um eventual governo seu nessa área?

Coisa óbvia: o plano municipal de arborização. É vergonhoso que até hoje Manaus não tenha o seu plano. Existe a sociedade brasileira de arborização que dá toda orientação técnica e é uma das primeira medidas. Nós precisamos promover a arborização sistêmica, em   especial, nos trechos que vão ter ciclofaixas, ciclovias e ciclorrotas não apenas. Segundo: precisamos garantir o corredor do sauim-de-coleira. Esse corredor não apenas é fundamental para o nosso macaco símbolo de Manaus, como também para toda diversidade da fauna.  Terceiro: interligar a vida do cidadão com essa áreas verdes com  trilhas ecológicas, trilhas científicas para visitação. Você precisa ter vários parques dos Bilhares. Vários espaços verdes, bonitos.

Como o senhor avalia as medidas tomadas pelo governo do Estado de reordenamento do setor de saúde que atingem as demandas do sistema municipal e que medidas o senhor tomaria?

Manaus é a única capital do Brasil onde até hoje a área de saúde não foi hierarquizada. Isso por dificuldades políticas, falta de entendimento entre o governo do Estado e a Prefeitura há muitos anos. Precisamos trabalhar no sentido da hierarquização da saúde. A Prefeitura precisa assumir de fato o seu papel proeminente que é na atenção básica. Mas isso não pode ser feito em um mês. Tem que ser pactuado com o governo do Estado e E implementado ao longo de quatro anos. É bom lembrar que as zonas Norte e Leste de  Manaus, que possuem mais de um  milhão de habitantes, mais da metade da população possui apenas 84 unidades básicas de saúde enquanto apenas na zona centro Sul existem 63 unidades para uma população de menos de 300 mil habitantes.

Como o senhor avalia o projeto “Escola sem partido”, que tem uma versão na Câmara Municipal?

 O que está se querendo não é só uma escola sem partido, é uma escola sem discussão. Claro que ninguém quer um professor fazendo proselitismo de um partido ou de um candidato. Mas nós queremos a discussão política no sentido amplo dentro da escola, no sentido da construção da cidadania. Coibir o excesso de um outro professor que faz proselitismo político partidário, proibindo a discussão política é algo reacionário. É voltar para o passado. É entender que a democracia possa ser construída no pilar do autoritarismo.

Quais as ações da atual administração que seriam interrompidas de imediato?

Primeiro, o gasto excessivo   de maneira errada com comunicação. Eu acho que tem que gastar com comunicação mas com informação positiva para a sociedade. Como educação ambiental, orientação para o bom uso dos equipamentos de saúde. Orientação para segurança no trânsito até para proteger os pedestres, motoristas e ciclistas. E, ao mesmo tempo, redefinir todo esse processo dos grandes contratos da Prefeitura para estabelecer uma economia de recursos. Enxugar o número de secretarias. Diminuir o número de cargos comissionados. A nova visão da Rede e PMN é dos bairros para o centro. De baixo para cima. É esta visão diferente do nosso programa. E porque podemos fazer isso? Por que nesse pulso só o povo vai segurar. Nossa verdade esta no coração. Nossas mãos são limpas.

O senhor apoiou a eleição do prefeito Artur Neto em 2012. Decepcionou-se?

Eu apoiei a eleição do Artur porque naquele momento ele representava o vetor de diferencial na política do Amazonas. O Artur Virgílio tinha sido opositor tanto no governo federal quanto no estadual e ele sempre se manifestava contrário às praticas do grupo governante. E quando voltou a ser candidato a prefeito manifestou que tinha se renovado, que tinha novos parâmetros de gestão pública e que não iria coadunar com essa política atrasada que ainda está no século passado, e  que é prática desde o tempo do ex-governador Gilberto Mestrinho. Então eu não mudei. Quem mudou foi ele. Ele, Artur Virgílio, mudou. Ele primeiro se aliou com o governador. Agora é aliado do senador que ele criticava até um mês atrás.

Perfil: Luiz Castro Neto

Idade: 57 anos

Formação: Advogado formado pela Ufam

Experiência: Foi prefeito de Envira. Presidiu a Associação Amazonense de Municípios. Dirigiu o Instituto de Cooperação Técnica Intermunicipal (Icoti).  Assumiu a Secretaria Estadual de Produção Rural  (Sepror) no período de 2003/2004. É deputado estadual no quinto mandato.

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