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Prefeitos de sete cidades do interior do Amazonas desistem da reeleição

Anúncio do prefeito de Parintins deu inicio a série "desistentes" deste ano: ele alegou não ter respaldo do partido 29/08/2016 às 16:30 - Atualizado em 29/08/2016 às 17:08
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Janaína Andrade Manaus

Sem aptidão para lidar com a escassez de recursos e queda nos repasses estaduais e federais e tendo que lidar, em alguns casos, também com a queda na popularidade, sete dos 61 prefeitos dos municípios do interior do Amazonas jogaram a toalha e desistiram de disputar a eleição em outubro.

Os gestores municipais que não quiseram concorrer à reeleição foram os prefeitos de Rio Preto da Eva, Ernani Nunes Santiago (Pros), Uarini, Carlos Gonçalves de Souza Neto (Pros), Eirunepé, Joaquim Neto Cavalcante Monteiro, conhecido como ‘Bara’ (PSD), Manaquiri, Aguinaldo Martins Rodrigues, conhecido como ‘Guina Pureza’ (PRTB), Tapauá, Almino Gonçalves de Albuquerque (PSD), Tabatinga, Raimundo Carvalho Caldas, conhecido como ‘Calango’ (PDT), e mais recentemente, o prefeito de Parintins, Alexandre da Carbrás (PSD).

A confirmação de que Carbrás não concorreria à eleição foi a última a ocorrer. No dia 15 deste mês, ele convocou uma coletiva de imprensa para informar que estava obedecendo uma determinação superior. “O PSD não me pertence, eu não faço parte dos planos do grupo político do PSD”, disse Carbrás.

Antes disso, nos bastidores, a informação era de que Carbrás foi convidado pelo partido a desistir da candidatura à reeleição. Segundo relato de membro da sigla, os números não favorecem o projeto de candidatura do prefeito.

A reportagem tentou entrar em contato com Carbrás pelo telefone 99xxxx75, mas não foi atendida. Via WhatsApp, o político chegou a aceitar ser entrevistado, mas depois não respondeu às mensagens.

Sob pressão

Ernani Nunes Santiago, até então vice-prefeito de Rio Preto da Eva, chegou ao cargo após o titular, Luiz Ricardo Chagas (PRP), entregar à Câmara Municipal do local, no dia 3 de zembro de 2015, uma carta escrita a mão renunciando ao cargo. Ele já estava afastado da função desde junho pela Justiça sob a acusação de não pagamento dos servidores da prefeitura há pelo menos dois meses.

Depois de uma série de manifestações contra o atraso salarial dos servidores municipais, o prefeito de Eirunepé, Joaquim Neto Cavalcante Monteiro (Bara), não vai tentar a reeleição.

Guina Pureza, prefeito do município de Manaquiri, também experimentou nos dois últimos anos de gestão a baixa na popularidade em razão, por exemplo, de atraso salarial e suspensão do funcionamento de 16 Centros Educacionais de Tempo Integral (CEMTI) para “adequar o orçamento municipal ao valor recebido do governo federal para custeio da merenda escolar”.

A reportagem tentou contato com os prefeitos de Rio Preto da Eva, Eirunepé e Manaquiri, através de telefones disponibilizados no site da Associação Amazonense de Municípios (AAM) - www.aam.org.br, mas não foi atendida até às 16h de domingo.

Três perguntas para:

Carlos Gonçalves (Pros) Prefeito do Município de Uarini

1Por que o sr. desistiu de concorrer à reeleição? Está apoiando alguém?

Desisti de concorrer a reeleição há dois anos atrás, quando iniciou realmente a crise financeira. E eu acho que na vida da gente tudo tem seu tempo. Eu agradeço ao povo e fiz a minha parte. Conseguimos fazer muitas coisas com recurso próprio. A gente voltou a realizar as festas populares, levamos atrações nacionais, como Calçinha Preta, Léo Magalhães, atrações gospel. Eu agradeço ao deputado Átila (Lins) que conseguiu recurso para o município. A minha desistência também está ligada a problemas de família. Criei meu primeiro filho longe, dediquei 16 anos da minha vida a politica. Agora tenho um filho de dez e quero me dedicar mais a ele. Preferi não ser candidato agora, por causa da dificuldade mesmo. Estamos sem ajuda do Governo do Estado, me senti um pouco órfão. Eu escolho a minha família neste momento.

2Como o sr. chegou na carreira política?

Eu sou natural de Tefé e fui para Uarini a convite do meu tio, o finado Franco Lopes, que foi prefeito da cidade, mas com seis meses do mandato ele faleceu, aí quem assumiu foi o meu primo, o Frankezinho, que era o vice. Aí foi quando ele me chamou para ser chefe de gabinete dele.

3Qual a sua profissão?

Eu sou comerciante, tenho drogaria. Eu sempre trabalhei com farinha, vendo farinha aqui em Manaus. A gente tem uma ‘empacotadorazinha’ que a gente vende uma farinha e vem trabalhando assim. Eu nunca priorizei poder, sempre priorizei ajudar as pessoas. Ou você escolhe viver para o teu trabalho ou para a tua família, na política. E eu escolho trabalhar e viver para a minha família, porque a política te exige muito. Tenho 41 anos e vivi 16 anos para a política. Prefiro dar um tempo.

Depoimento

Guina Pureza Prefeito de Manaquiri

“Não vou concorrer mais por vários motivos. Eu sou doente, tenho diabetes, entrei em um estado de depressão também. Não me dei bem no sistema político, essa crise financeira no país atingiu muito os municípios do interior. Em nenhum momento foi orientação do Pros que eu não concorresse, pelo contrário, o governador queria que eu fosse candidato. Eu não sei nem como que os meus colegas prefeitos conseguem concorrer a reeleição nesse cenário econômico. Você não tem o que dizer para os eleitores se a crise está tremenda. É uma irresponsabilidade concorrer e tudo o que eu quero é terminar o meu mandato em paz, conseguir pagar tudo direitinho. Eu fui eleito pelo PRTB, inclusive concorri três vezes, duas perdi e na terceira eu fui eleito. Depois disso o governador me convidou e eu fui, mas não me arrependo. Gosto do Pros e também gosto do PRTB, me dou bem com todos. O partido no interior não influi muito. O que vale mais é as pessoas que se destacam mais, essa é a minha opinião. O meu candidato no município é o Nei Reis (PSD), já está decidido. O ex-prefeito Jair (Souto, que concorre este ano) passou oito anos na Prefeitura e desse tempo nós passamos cinco anos sem ter um hospital no município, e isso foi sem crise. Então acho que ele já fez a parte dele. Não tenho nada contra ele, mas foi uma gestão mais de propaganda, de mídia. E quando eu sair da Prefeitura eu vou voltar a trabalhar com construtora, mas eu já fui taxista, agricultor. Antes de ser eleito eu era sócio numa empresa de construção, hoje devido a diabetes fiquei deficiente de um braço, mas até agora esse é o meu plano, voltar para a construção”, disse o prefeito de Manaquiri, Guina Pureza.

Em números

97

É o número de cidades brasileiras que possuem apenas um candidato à prefeitura. Isso ocorre especialmente em cidades pequenas, mas há também municípios médios, como Jales, no interior de SP, com quase 50 mil habitantes.

Saiba mais

Almino punido

O prefeito de Tapauá, Almino Gonçalves de Albuquerque, foi condenado, no dia 21 de janeiro deste ano, pelo TCE/AM a devolver aos cofres públicos mais de R$ 26 milhões.

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