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Eleições
comportamento nas redes

Procuradoria monitora comportamento dos pré-candidatos na internet

Só a Procuradoria Regional Eleitoral no Amazonas (PRE/AM) já recebeu 12 denúncias de irregularidades relacionadas ao período pré-eleitoral em andamento, a maioria relacionada a conduta na web 24/07/2016 às 14:34 - Atualizado em 28/07/2016 às 19:30
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Os órgãos que fiscalizam os políticos estão de olho e com a internet
Lucas Jardim Manaus (AM)

Com as convenções partidárias a pleno vapor, a corrida eleitoral de 2016, que seguiu um ritmo bastante lento até agora por conta dos novos prazos impostos pela Lei 13.105/2015, também conhecida como Lei da Minirreforma Eleitoral, passa a tomar corpo de maneira mais intensa, especialmente no que promete ser uma das grandes vitrines de panfletagem política este ano: o meio virtual.

No entanto, é importante lembrar que o período legal de campanha ainda não começou (isso acontece apenas no dia 15 de agosto), de maneira que algumas posturas de candidatos a essa altura do campeonato podem resultar em multas ou sanções mais graves.

Os órgãos que fiscalizam os políticos estão de olho e com a internet, isso nunca foi tão imediato. Só a Procuradoria Regional Eleitoral no Amazonas (PRE/AM) já recebeu 12 denúncias de irregularidades relacionadas ao período pré-eleitoral em andamento, a maioria relacionada a conduta na web.

“Pedidos explícitos de voto nas redes sociais, publicações políticas patrocinadas e divulgação de informações caluniosas através, principalmente, das redes Facebook e Whatsapp, são os carros-chefe das denúncias que recebemos hoje. Os pedidos de voto de qualquer natureza são vedados até o início legal da campanha. Quanto às publicações, embora o candidato possa divulgar o seu trabalho em sua página pessoal ou na página do partido, ele não pode impulsionar esse conteúdo mediante pagamento para a rede social, pois isso é propaganda”, esclarece o procurador regional eleitoral no Amazonas, Victor Santos.

Novidades da Lei

Ele entende que, no atual estágio do período eleitoral, não há como os candidatos alegarem que não conhecem esses detalhes da legislação, mesmo porque essa alegação não pode ser feita em nenhum ramo do direito, mas que há pontos dela que não tem sido tão divulgados as infrações virtuais.

“A partir de agora, já não se pode mais fazer enquetes eleitorais, apenas pesquisas. Este ano, carros não poderão mais ser envelopados, somente podendo ser adesivados parcialmente. No quesito panfletos, eles somente poderão feitos em papel ou adesivo e, no caso deste último, ele terá limite de meio metro quadrado de tamanho. Além disso, já há decisões de tribunais no sentido de um político não pode mais se utilizar de outdoors para parabenizar um evento ou comunidade, por exemplo”, detalhou o procurador.

Mais força

Apesar das mudanças legais, a internet não perderá força na hora de conquistar o eleitor e veio para ficar. De acordo com o analista político Afrânio Soares, a eleição deste ano servirá como um bom termômetro para verificar o poderio dessa ferramenta, uma vez que as limitações orçamentárias previstas na nova lei farão com que os políticos optem por métodos mais baratos de propaganda, como os disponíveis na rede.

No entanto, a professora de relações públicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Judy Tavares alerta que a web é um meio de comunicação de duas vias e os políticos têm que estar preparados para críticas. “É como diz um jargão da internet: ‘não sabe brincar, não desce pro play’”, comentou.

Blog: Judy Tavares, professora de relações públicas da Ufam

“Essas redes online são um excelente espaço para o candidato se aproximar dos eleitores. No entanto, é importante que ele saiba que o eleitor que faz uso constante dessas plataformas confere para saber se ele só as usa na época das eleições para pedir voto, então o político tem que manter um perfil constantemente ativo e que ele mantenha uma equipe que consiga usá-lo de forma estratégica. No mais, ele também deve entender que a internet é uma via de mão dupla e os comentários e as críticas não devem ser ignorados, afinal, quem comenta quer ser respondido. Participar da rede é entender que seu público comenta, participa, elogia, critica e, de todo jeito, merece atenção. Ele não pode achar que ainda estamos em uma era em que um fala e os outros balançam a cabeça. Nós já passamos dessa era há muito tempo e não tem como alguém ficar de fora desse movimento. Se ele não estiver disposto a trabalhar com a visibilidade da internet, é bom que procure saber mais a respeito”.

Análise: Afrânio Soares

Para o analista político Afrânio Soares, a maioria dos políticos locais já está usando as redes sociais de maneira responsável e ele acredita que essas ferramentas virtuais têm ajudado a deixar a corrida eleitoral mais equilibrada.

“Hoje é normal alguém criar um grupo no Whatsapp chamado ‘Amigos do Fulano’, em que ele pode divulgar suas ideias e seus posicionamentos sobre questões da cidade, sem se anunciar como candidato, mas, para todos os demais efeitos, de maneira bastante similar a uma campanha. Alguns candidatos já estão usando recursos com a transmissão ao vivo, por exemplo, o que deverá se intensificar quando o corpo a corpo começar. Acho que esse ano verá um aprofundamento do uso dessas redes e fortificação da normatização sobre elas com as imposições da Minirreforma Eleitoral, já que elas já foram uma terra bem sem lei no passado”, disse Afrânio.

Ele destaca que as eleições servirão como teste para saber se a presença virtual traz votos efetivos aos candidatos ou não, pois isso ainda é incerto. “Não sei se a força nas redes sociais exerce uma influência no eleitorado suficiente para ganhar uma eleição, mas estou certo de que ela exerce certo tipo de influência. Isso vai poder ser medido quando os nomes mais citados nas pesquisas de intenção de voto saírem”, concluiu o analista político.

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