Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Metamorfose

Alianças políticas redesenham bases de apoio na Assembleia e na Câmara Municipal

A repentina união entre PSDB e PMDB na campanha eleitoral de 2016 produziu efeitos na CMM e na ALE-AM, redesenhando as bases de apoiamento, antes maciçamente voltadas às figuras do prefeito e do governador. Hoje, elas se dividem entre os candidatos a prefeito de Manaus



kjkjjkjk.JPG Uma mostra dos resultados que os arranjos produziram foi dada no Legislativo Estadual, quando o deputado Bosco Saraiva (PSDB) anunciou sua saída do cargo de vice-líder do Governo (Arte: Tiago Rocha, sobre foto de Altemar Câmara/Semcom)
11/08/2016 às 21:19

A repentina união entre PSDB e PMDB na campanha eleitoral de 2016 produziu efeitos na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), redesenhando as bases de apoiamento. Uma mostra dos resultados que os arranjos produziram foi dada na quarta-feira (10) no Legislativo Estadual, quando o deputado Bosco Saraiva (PSDB) anunciou sua saída do cargo de vice-líder do Governo Melo.

No dia 3 de agosto, faltando dois dias para o término das convenções partidárias, o senador Omar Aziz (PSD) anunciou o rompimento da aliança com o prefeito Artur Neto por conta da aproximação do tucano com o senador Eduardo Braga. O anúncio foi feito em entrevista a uma rádio local.

“Nesse momento, é impossível eu continuar apoiando o prefeito Artur Neto. A aliança está descartada”, disparou.

A reação de Artur Neto veio em seguida. Em coletiva de imprensa, o tucano confirmou a aliança com peemedebistas e apresentou o deputado federal Marcos Rotta, apadrinhado de Braga, como seu vice. Na ocasião, o candidato anunciou que o rompimento com Omar e o governador José Melo (Pros). “Ele (Omar) que cuide de me derrotar, porque eu vou cuidar de derrotar ele”, disse na ocasião o Artur. 

Na sexta-feira (5), Omar Aziz e os deputados federais Alfredo Nascimento (PR)  e Pauderney Avelino (DEM) oficializaram a chapa Marcelo Ramos (PR) e Josué Neto (PSD) para Prefeitura de Manaus. 

Omar já deu o tom da campanha apesar de dizer que não brigaria com Artur, avisando que vai fiscalizar a aplicação do financiamento de R$ 500 milhões de reais que ele ajudou a liberar para o município.

Em entrevista exclusiva ao A Crítica, Melo que foi acusado por Artur de ter fracassado como governador, rebateu afirmando que o povo de Manaus sabe identificar quem trabalha e “quem faz oba oba” e assegurou não ser mais aliado de Artur.

No legislativo municipal, 11 parlamentares que antes eram da base do candidato à reeleição, Artur Neto (PSDB), agora são cabos eleitorais da chapa formada por Marcelo Ramos (PR) e Josué Neto (PSD): Hiram Nicolau, Francisco Jornada, Gilmar Nascimento, Luis Mitoso do PSD; Jairo da Vical, Arlindo Júnior, Roberto Sabino, Sildomar Abtibol do Pros; Therezinha Ruiz e Ceará do Santa Etelvina (DEM). 

Apesar de ver sua base sofrer a maior encolhida desta legislatura, o tucano ainda detém 60,9% do parlamento municipal sob seu comando, o que representa um exército de 25 vereadores. São eles: Wilker Barreto, Professor Samuel, Professora Jacqueline, Mário Frota e Vilma Queiroz do PHS; Felipe Souza, Alonso Oliveira, Joãozinho Miranda, Walfran Torres, Junior Ribeiro e Rosivaldo Cordovil do PTN; Glória Carratte e Jaildo dos Rodoviários do PRP; Reizo Castelo Branco (PTB); Álvaro Campelo, Pastora Luciana e Socorro Sampaio do PP.
E ainda os vereadores David Reis e Everaldo Farias do PV; Dr. Ewerton (PPL); Ednailson Rozenha, Elias Emanuel e Plínio Valério do PSDB; Marcel Alexandre (PMDB); Massami Miki (PSL).

Na ALE-AM, a chapa Artur/Rotta barganhou oito deputados, sendo três da sigla de Braga e cinco até então da base governista: Alessandra Campelo, Vicente Lopes e Wanderley Dallas do PMDB; Abdala Fraxe, Francisco Souza e Orlando Cidade do PTN; e Bi Garcia e Bosco Saraiva do PSDB.

Apesar do casamento político entre tucanos e peemedebistas que rendeu 33,3% dos parlamentares da ALE-AM, a aliança entre o ex-deputado estadual, Marcelo Ramos (PR) e o presidente da ALE-AM, deputado Josué Neto (PSD) possui a maioria no legislativo estadual – 10 deputados, que representam 41,6% da Casa. São eles: Augusto Ferraz e Platiny Soares (DEM); Cabo Maciel e Sabá Reis (PR); David Almeida, Dr. Gomes, Josué Neto e Ricardo Nicolau do PSD; Dermilson Chagas (PEN); Belarmino Lins (Pros).

Menos apoio

Além de Artur Neto (PSDB) e Marcelo Ramos (PR), concorrem a Prefeitura de Manaus outros sete candidatos - Henrique Oliveira (SD), Hissa Abrahão (PDT), Serafim Corrêa (PSB), José Ricardo (PT), Silas Câmara (PRB), Luiz Castro (Rede) e Professor Queiroz (Psol).

Dos sete, somente Silas, José Ricardo e Serafim Corrêa possuem representantes na CMM e na ALE-AM. No legislativo estadual, Silas possui o deputado Carlos Alberto (PRB) como aliado. Já na CMM, o candidato tem os vereadores Amauri Colares (PRB) e Joelson Silva (PSC).

A chapa composta pelo PT/PCdoB possui o próprio cabeça da chapa, José Ricardo, como o único representante da Casa. Na CMM, o trio de oposição Waldemir José, Professor Bibiano, Rosi Matos, todos do PT, são os correligionários.

O candidato Serafim Correa é o único representante de sua chapa na ALE. Na CMM ele possui o filho, vereador Marcelo Serafim, como seguidor.

O deputado federal Hissa Abrahão tem seu vice, o deputado Adjuto Afonso, como defensor.

O candidato da Rede, Luiz Castro, não possue representante na CMM, e na ALE-AM segue carreira solo. 

O vice-governador Henrique Oliveira e Professor Queiroz, não contam com seguidores nas Casas Legislativas.

Blog: Bosco Saraiva, deputado estadual

“É um  movimento pessoal de coerência com aquilo que foi decidido pela liderança do meu partido e do Arthur Virgílio. Exerci na Assembléia o cargo de vice-líder do Governo desde o inicio do meu mandato, no sentido de contribuir em razão das dificuldades por qual atravessa o Estado frente a economia nacional. Portanto com a situação política se formatando, e da forma que ficou esse novo estabelecimento de alianças não me cabe mais permanecer no posto. Eu agradeço a confiança do governador, dos líderes do Governo aqui na Casa Legislativa. Seguirei sendo o mesmo, certo é certo, errado é errado, mas o posto eu já estou devolvendo para evitar constrangimento de A, B ou C. A aliança que se formou em torno da candidatura do prefeito Arthur à prefeitura não me permite seguir ocupando uma vice liderança do governo na ALE. Retirei me formalmente do referido posto para não misturar a eleição municipal com minha atuação parlamentar na assembleia: o que é certo é certo e o que é estrado é errado. Minha postura seguirá inalterada. Não recebi qualquer orientação do meu partido até o momento (para fazer oposição ao governador José Melo). Não mudarei meu posicionamento por conta das eleições municipais”, argumentou o deputado.

Blog: José Ricardo, deputado e candidato

“Esse redesenho das bases mostra que eles não estão preocupados com a população. Não estão preocupados com os problemas que afligem a população. Eles deveriam se comportar como parlamentares. Parlamentares falam em nome do povo, cobra do governante, não importando quem seja, se aliado do prefeito, do governador, denuncia os abandonos. E se agora o fulano que apoiava o beltrano, agora está do outro lado e vai começar a cobrar, denunciar, mostra que isso é apenas conveniência. É a conveniência que está movendo esses deputados e não o interesse público. E o povo que está sofrendo com a falta de hospitais, de medicamentos, de segurança pública, de moradia, de transporte que está caindo aos pedaços não é representado da forma merecida. Já percebi a mudança na postura de alguns, nos discursos, antes não batia, agora bate. Eles não estão preocupados com o povo, é lamentável que sejam movidos pelas conveniências do momento. O povo é quem paga o salário desses deputados, e a função deles é de fiscalizar o Executivo, cobrar a aplicação de políticas públicas”, disse o parlamentar, que também é candidato a prefeito pelo PT.

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