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Eleições
FISCALIZAÇÃO

Só quatro chapas a governo aderem à carta contra o caixa dois na campanha

Dos oito candidatos, apenas José Ricardo, Luiz Castro, Liliane Araújo e Rebecca assinaram documento contra o uso de caixa 2 na campanha 23/06/2017 às 21:28
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A sede do Sindicato dos Jornalistas foi o local escolhido pelo Comitê de Combate ao Caixa Dois para a assinatura da carta-compromisso com os candidatos ao governo do Amazonas em evento na manhã de ontem. Foto: Winnetou Almeida/AC
Camila Pereira Manaus (AM)

Quatro dos oito candidatos que irão disputar a eleição suplementar ao governo do Estado assinaram, nesta sexta-feira (23), no Sindicato dos Jornalistas (SindJor), uma carta-compromisso para que não façam o uso de caixa dois durante a campanha. A iniciativa é do Comitê de Combate à Corrupção e ao Caixa Dois formado pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Federal de Contabilidade (CRC-AM), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sindicato dos Fazendários do Amazonas, Conselho Federal de Economia (Cofecon), Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e outras entidades da sociedade civil. As assinaturas também deverão ser feitas na próxima segunda-feira com os demais candidatos que desejarem.
 
A eleição suplementar acontece após a anulação do pleito anterior onde foi detectado a compra de votos, cassando o então governador José Melo (Pros), em maio deste ano. A intenção do comitê é fiscalizar e denunciar esse tipo de prática, além da propaganda irregular. “Com a iniciativa, tentamos lutar pela ética política e diminuir os ilícitos eleitorais. Estamos num momento muito conturbado da política, que está em descrédito e a sociedade tem que se manifestar de alguma forma”, afirmou o advogado Márcio Araújo, representante da OAB-AM. 
 
Na manhã de ontem, compareceram à sede do SindJor, os candidatos a governo José Ricardo (PT), Liliane Araújo (PPS), Luiz Castro (Rede), com o vice João Victor Tayah (Psol). Pela tarde, a candidata Rebecca Garcia (PP) e seu vice Abdala Fraxe (Pode) assinaram os documentos. 

Para o candidato José Ricardo, o documento é dos instrumentos de fiscalização e alerta para a sociedade. “Os políticos precisam participar do processo dentro das regras estabelecidas. É o que a população espera de um político antes e depois de eleito”, afirmou.   

Liliane Araújo afirmou que o combate ao caixa dois é necessário principalmente pelo momento político vivido pelo Estado. “Considero um momento histórico e um marco, pela questão da justiça eleitoral começar a ser aplicada. Em nenhum outro Estado está ocorrendo a eleição suplementar. Estamos aqui em um grupo seleto, já que o convite foi aberto a todos os candidatos e se foi aberto, quem está aqui tem o compromisso”, destacou.

Já o candidato Luiz Castro, o compromisso feito pelos candidatos abre uma tentativa de diminuir as desigualdades entre os concorrentes ao pleito. “Temos algumas desigualdades entre fundos partidários e tempos de TV, mas esse é um passo importantíssimo”, destacou.

Outros candidatos

O candidato Amazonino Mendes (PTB) afirmou, por meio de sua assessoria de comunicação, que não pôde comparecer à reunião que aconteceu hoje por estar gravando programa eleitoral, mas que irá firmar o compromisso, na próxima segunda-feira, em horário a ser definido com o SindJor. 

A assessoria do candidato Eduardo Braga (PMDB) informou que o candidato também irá assinar o documento na próxima segunda-feira.

Já o candidato Marcelo Serafim (PSB) disse que pretende assinar o documento e que irá assinar todos os compromissos relativos à combate à corrupção.

O candidato Wilker Barreto (PHS) não compareceu à reunião por estar presidindo os trabalhos na Câmara Municipal de Manaus (CMM), onde foi votada a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo a assessoria do candidato, ele já confirmou presença na segunda-feira para assinar a carta-compromisso.

Wilson Reis, coordenador do Comitê de Combate ao Caixa Dois

“Nós temos esta eleição fruto de um problema que existiu anteriormente com a compra de votos. O fato afastou o então governador José Melo (Pros). Essa eleição precisa ter, além da consequente disputa eleitoral,  mostrar à sociedade que o processo eleitoral também é um processo educativo, que não se deve repetir os erros anteriores. Essa é a nossa contribuição como comitê, que começou as atividades em 2014 e atuou também nas eleições municipais ocorridas em 2016. Pelo fato desse destaque ao caixa dois e sua proibição se faz necessária a fiscalização. É fundamental que isso se mostre como positivo para a sociedade. A ideia do comitê é fiscalizarmos tanto como cidadãos e como profissionais que somos. Esse é o nosso interesse, nossa linha de pensamento. Além do fato de que a população também pode colaborar fornecendo as denúncias que serão fiscalizadas. É fundamental que haja um equilibrio de participação e de disputa eleitoral entre os candidatos, porque até então, o poder econômico sempre deu mostra no nosso País de haver esse desequilíbrio já de partida, por isso há essa necessidade de defesa e de posturas que o financiamento não seja mais por empresas privadas, para que tenha um verdadeiro equilibrio das forças”. 

Atenção à propaganda na web

O Comitê de Combate à Corrupção e ao Caixa 2 é ligado ao Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e deve promover ações ao longo da campanha eleitoral que iniciou no dia 20 e deve encerrar no dia 4 de agosto, segundo o advogado Márcio Araújo, representante da OAB. “Nós no comitê fazemos trabalhos pontuais, primeiro por denúncias de abuso do poder econômico, que é ligado ao caixa dois, e também por inserções fazendo a fiscalização em alguns pontos da capital, como aconteceu durante as eleições municipais de 2016”, afirmou Araújo, destacando que naquele ano todos os candidatos sofreram representações.

A fiscalização também dará atenção às propagandas  eleitorais feitas por meio das redes sociais. Até o momento foram quatro representações contra os candidatos Wilker Barreto (PHS), Luiz Castro (Rede), Marcelo Serafim (PSB) e José Ricardo (PT) por patrocínio em páginas. “Alguns candidatos não são debutantes nas eleições, não sabemos porque isso ocorre, porque já são de conhecimento das assessorias, no entanto, as denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público Federal onde serão apuradas”, destacou.

“Não deveria ser uma necessidade”

Para o candidato a vice-governador João Victor Tayah (PSol), que forma chama com o candidato Luiz Castro (Rede), o conteúdo do compromisso deve ser obrigação de todos os candidatos que disputam o pleito e que a fiscalização é necessária para conferir a lisura da disputa. 

“Falar em mudança ou combate à corrupção, todos falam, mas vemos que ainda é difícil implementar na prática na forma de fazer política para alguns”, afirmou. “A forma de dominar o Estado  culminou na primeira vez até de forma elogiável na cassação de um governador que fez algo que sempre foi feito, pegar dinheiro sem declaração, pegar dinheiro de empresários e de grupos políticos financiadores da corrupção. Essa eleição, por ser suplementar, trata-se de uma janela de oportunidade da população dizer não contra essas práticas e promover uma ruptura que signifique a mudança”, disse. 

Durante o discurso da coligação também foi ressaltada a necessidade de haver uma fiscalização rigorosa a respeito da corrupção e compra de votos também ocorram nos municípios do interior do Estado.

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