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Sem citar adversários, Artur diz que não aceita fatiar seu secretariado em partidos

Prefeito e candidato à reeleição se manifestou, em nota, após Serafim e Silas Câmara declararem apoio a Marcelo Ramos 05/10/2016 às 00:57 - Atualizado em 05/10/2016 às 09:00
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Prefeito disse, na nota, que busca se manter fiel aos princípios de quando iniciou vida política
acritica.com Manaus

O prefeito de Manaus e candidato à reeleição, Artur Virgílio Neto, se manifestou no fim da noite desta terça-feira, via Facebook, como resposta aos apoios declarados por Silas Câmara e Serafim Corrêa à candidatura de Marcelo Ramos. Na nota, Artur diz não aceitar "fatiar secretariado entre partidos políticos".

A  manifestação de Artur veio poucas horas após Serafim Corrêa, do PSB, anunciar que apoiaria Marcelo Ramos no segundo turno. Horas depois, o senador Omar Aziz afirmou que Silas havia tomado a mesma decisão, guardando o anúncio oficial para a próxima quinta-feira. Artur, na coletiva de imprensa que deu no domingo, afirmou que só não se interessava pelo apoio de Henrique Oliveira, "porque ele me cheira a Melo, e o que cheira a Melo está fora daqui". 

Até o início deste ano, o prefeito e o governador José Melo (PROS) eram aliados de primeira linha. O rompimento definitivo aconteceu quando Artur, a uma semana de oficializar sua candidatura à reeleição, anunciou aliança com o PMDB, do senador Eduardo Braga. Na ocasião e durante todo o primeiro turno, Artur foi questionado sobre o apoio de Braga, a quem chamou de corrupto e ladrão em diversas ocasiões anteriores. O tucano tem argumentado que a parceria está acima de impressões pessoais e se deu "pelo bem de Manaus".

Na noite desta terça-feira, Artur afirmou que busca, em sua carreira política, manter os mesmos princípios de quando disputou sua primeira eleição, em 1978.  "Claro que os tempos mudam a gente, mas eles não deveriam ter o direito de nos prostituir e degradar. Tenho certeza de que esses mesmos tempos não me prostituíram e nem me degradaram". 

Artur defende ainda, na nota, que "fatiar a máquina administrativa atrás de uma falsa governabilidade (...)  arruína os melhores projetos".  Ele mostra ainda confiança na vitória, ao afirmar que "a verdade será conhecida em poucas semanas. Creio piamente no que meu cérebro e meu coração apontam".

Confira a íntegra da nota:

"Um dos meus objetivos como homem público é manter o máximo possível das características do jovem que disputou sua primeira eleição em 1978. Claro que os tempos mudam a gente, mas eles não deveriam ter o direito de nos prostituir e degradar. Tenho certeza de que esses mesmos tempos não me prostituíram e nem me degradaram.

Quando retornei a Manaus, já diplomata e bem seguro de que essa brilhante carreira não seria o meu destino definitivo, conversei com Antenor Caldas, lúcido e veterano líder comunista, que me deu a seguinte opinião sobre a trajetória de um relevante político amazonense: “votei nele em 1946 porque ele mostrava todas as características do candidato ideal. Dezesseis anos depois, entretanto, ele já estava irreconhecível, degenerado mesmo, incompatível com meu apoio”. Ouvi Antenor em silêncio e, pelos tempos afora, tenho guardado sua aguda observação com muita atenção, a ponto de ela me orientar até hoje.

Não aceito, por exemplo, FATIAR meu secretariado entre partidos políticos. Quando nomeio alguém, a última coisa que me ocorre é agir pensando se a pessoa possui - ou não - filiação partidária. Não aceito fatiar a máquina administrativa atrás de uma falsa governabilidade, que descamba para o fisiologismo e arruína os melhores projetos. Meu limite é o limite do interesse público. Essa barreira, a sensatez e a decência me impedem de ultrapassar.

Confio absolutamente no povo, na sabedoria coletiva. E a essa lógica, abaixo de Deus, me curvo sempre.

Enfrentei o autoritarismo pelos 21 anos de sua duração. Fiz dura oposição a governantes locais e nacionais. Liderei, incansavelmente, a oposição ao presidente Lula por oito longos e sofridos anos... e vi muitos ‘heróis’ de obras feitas aparecerem depois de sua queda.

O PSDB é meu partido definitivo; não vou, como as mariposas, atrás da luz do momento. Não traio pessoas e nem instituições. Não desonro meu País, meu Amazonas, minha Manaus. Não desonro minha trajetória e a coerência de uma vida inteira.

As eleições que me marcaram mais construtivamente foram aquelas em que tive de enfrentar forças poderosas e, não raro, atrasadas. Foi assim em 1986, pelo governo estadual, remando contra a corrente liderada pelo tuxaua Gilberto Mestrinho e seu candidato Amazonino Mendes. Foi assim em 1988, quando tive a honra de enfrentar o próprio Gilberto, a quem derrotei na disputa pelo comando de Manaus.

Foi assim em 2010, quando, mesmo vencedor na minha Manaus, não me reelegi para o Senado. Foi assim em 2012, quando, mais uma vez, as mais fortes lideranças e máquinas do país e do Amazonas, não impediram a vitória clara e limpa que obtive nas urnas.

Entre o povo e os velhos conchavos, às vezes velhacos, que apodrecem e desmerecem a política, fico com o meu povo. Que, na verdade, é o meu primeiro e maior sentimento.

A verdade será conhecida em poucas semanas. Creio piamente no que meu cérebro e meu coração apontam.

Na resistência das Termópilas, um soldado gritou para o rei Leônidas: “as setas dos persas são tantas que escurecem o céu”, ouvindo como resposta: “tanto melhor; combateremos à sombra”.

Boa noite a todos, com muita fé em Deus e no destino de nossa terra"

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