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‘Somos uma candidatura que nada contra a corrente’, diz Professor Queiroz

Enfrentando condições adversas como tempo curto e falta de dinheiro, Queiroz afirma que sua candidatura é do tipo ‘piracema’, que nada contra a corrente, e se coloca como alternativa real aos eleitores de Manaus 07/09/2016 às 15:35
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Marcos Antônio de Queiroz, candidato a prefeito pelo PSOL
Lucas Jardim Manaus (AM)

Marcos Antônio de Queiroz, candidato a prefeito pelo PSOL, tem uma proposta peculiar dentro do cenário eleitoral manauara em 2016. Ao mesmo tempo em que ele se coloca com um representante de uma corrente de esquerda, ele também não se alia a maiores partidos desse viés, como o PT, configurando uma dupla alternativa.

Queiroz, que já disputou uma vaga ao Senado Federal em 2014, falou ao A CRÍTICA sobre sua posição no tabuleiro político local e suas propostas para as principais pastas da Prefeitura.

Como é para o senhor chegar nesse pleito fora de grandes coligações e sem alianças políticas com grandes caciques?

O desafio desse processo eleitoral é, primeiro, apresentar uma candidatura alternativa. Há nove candidatos a prefeito hoje na cidade de Manaus. Numa rápida olhada, sem muita atenção, você percebe, com todo o respeito que tenho aos demais candidatos, que eles vão encarnar o mesmo projeto. Não me faltou convite para ser vice de fulano, de sicrano, ser vereador, mas eu preferi encarnar uma candidatura a prefeito de Manaus. É um projeto que não é do Queiroz, é um projeto coletivo, que foi construído de forma coletiva pelo PSOL e depois pelo PCB, então nós estamos muito confortáveis. Mesmo sabendo das condições adversas da campanha, do tempo que é pouco, da questão financeira, a gente acha que é importante e desafiante ter uma alternativa real, de oposição a esse grupo hegemônico que conduz a cidade e o Estado há mais de 30 anos. Nós somos uma candidatura livre, uma candidatura piracema, isto é, que nada contra a corrente.

Como é para o senhor se configurar tanto como uma alternativa a esses grupos hegemônicos quanto a partidos de esquerda com maior força nacional, como o PT?

Nós temos a clareza de que o Brasil está passando por uma transformação muito profunda. O Brasil da chamada Nova República começa a fechar um ciclo histórico. A Nova República que trouxe consigo, inclusive, o lulismo, que levou a esquerda ao poder, mas a esquerda entre aspas, porque o PT, ainda que no espectro da esquerda, assumiu no poder uma posição de centro. Lógico que isso, para o povo, coloca toda a esquerda no mesmo pacote, mas nós temos a responsabilidade de ter uma candidatura de esquerda consequente, sem medo de falar que é de esquerda, mas sem cair no maniqueísmo. [...] Nós vamos instalar o socialismo na Prefeitura no dia 1º de janeiro? Não. Nós vamos governar na perspectiva do socialismo.

O que é isso?

Uma gestão popular, que respeita o dinheiro público e ouve as pessoas.

Considerando sua militância na área da educação, qual é a grande proposta da sua chapa para essa área?

A nossa plataforma tem, na educação, uma educação para emancipação. Entendemos que a educação deve preparar as pessoas não só para o mercado de trabalho, mas preparar a juventude e a criança para ser emancipada, para que ela possa viver o mundo na sua diversidade. Do ponto de vista mais objetivo na área da educação, nós defendemos hoje, de imediato, a devolução da autonomia pedagógica a Semed, aos professores e educadores. A atual gestão tem sob contrato ONGs, fundações e o sistema Positivo, então essas pessoas, além de fornecer material didático da Prefeitura, elas fiscalizam o professor no seu planejamento. [...] Esse é o ponto um da educação. O ponto dois é repensar o currículo escolar. Ainda que o currículo nacional tenha uma discussão no âmbito mais federal, mas há um Conselho Municipal de Educação que pode repensar o currículo sim. O currículo hoje não dá mais conta da realidade da escola. [...] Temos que colocar nele música, teatro, lazer.

E com relação a novas contratações no setor?

Nós defendemos que há possibilidade de se fazer um processo de estágio para contratar, em regime de urgência, o chamado professor de apoio, que aquele ou aquela jovem que está se formando em pedagogia e que fica como auxiliar numa sala de 40 alunos.

No quesito saúde, qual vai ser a sua principal medida caso chegue à Prefeitura?

A saúde municipal tem como base a saúde preventiva, então ela é a mais importante das saúdes, porque se eu consigo prevenir, eu consigo evitar a doença em si. [...] Nosso desafio é combinar saúde preventiva com educação. Introduzir o hábito à saúde nas escolas, aproximar as Unidades Básicas de Saúdas comunidades das escolas, levar o agente de saúde à escola para dar palestras para as crianças, levar o odontólogo, o oftalmologista, enfim, fazer a saúde preventiva. Isso rima com saneamento básico, um desafio muito grande na cidade hoje. Parte da nossa rede de esgoto pertence à época dos ingleses.

Por que os prefeitos que aí passaram não fazem obras de saneamento?

Porque não dá voto. Rasgar a cidade, colocar cano, depois tampar? Ninguém vai lembrar, mas se tiver a coragem de fazer saneamento, nós vamos fazer, para combinar com a saúde.

O senhor pretende fazer mais investimentos nos programas de saúde comunitária?

O programa Médico da Família é um ponto fundamental da saúde e não pertence a um candidato do passado não. Ele é um programa internacional da ONU. Nós temos que repensar a experiência do Médico da Família, no sentido de aprofundar. Hoje, a questão das casinhas é uma penúria. Você mora na rua B, a casinha só vai até a rua A e você não recebe nada. Vamos acabar com essa história. Vamos fazer um estudo profundo do orçamento e jogar pesado nas verbas voluntárias, que são aquelas disponíveis no Governo Federal. [Vamos] pegar dinheiro para investir na saúde e na educação, mas [quando é] verba federal, os caras não querem buscar porque requer prazo para entregar o projeto e prestação de contas. Eles preferem ficar xingando o Governo Federal.

O que pretende fazer na área do transporte público?

Eu considero que o transporte coletivo hoje, associado à mobilidade, é o maior gargalo da cidade. É uma cidade onde há uma carrocracia, há um governo dos carros. Você vê filas homéricas de carros com uma só pessoa dentro. Qual é o desafio nosso? É tornar o transporte coletivo tão agradável que eu possa convencer você a deixar o carro em casa e pegar o ônibus para vir trabalhar. Ao tornar o transporte coletivo viável e confiável, você vai deixar as pessoas seguras para deixar o carro.

Como o senhor almeja realizar isso?

Nós temos propostas a curto, a médio e a longo prazo. A curto prazo, é fazer respeitar o usuário. Ele hoje não consegue entrar no ônibus.

Como resolver isso de imediato?

Com um sistema de comboio. Nós defendemos que o 600, por exemplo, que passa aqui no Aleixo, ao sair do Terminal 1, sai com dois ônibus. Lotou um, o outro vai atrás. É possível fazer porque, nesse horário, boa parte dos ônibus fica na garagem. Outro ponto importante, de imediato, é descentralizar a venda do passe e do vale transporte. Hoje, você vê como o cara fica humilhado em uma fila ou nos terminais ou no Sinetram. Aquilo é apavorante. Há tecnologia, mas falta boa vontade para descentralizar isso e você poder carregar numa farmácia, num supermercado ou no próprio ônibus. A médio prazo, nós defendemos, e há dinheiro no BNDES para isso, bem como experiências em outras cidades, a criação de uma empresa municipal de transporte. Ela vai, num momento inicial, ser concorrente da empresa privada. Se empresário A, B ou C não colocar o ônibus para circular no horário, vai passar o nosso ônibus, que vai pegar o usuário, respeitar o usuário e inclusive pegar aquele dinheiro que iria para a [empresa] privada. Acho que isso vai forçar empresário a colocar ônibus na rua. E a longo prazo, Manaus precisa de um transporte de massa. Manaus precisa, no mínimo, de um trem de superfície.

Quais ações são prioritárias para o senhor em relação a intervenções no urbanismo de Manaus?

Manaus é uma das poucas capitais que mantém seu centro velho como centro comercial. Precisamos ter um desafio, um trabalho a longo prazo, de deslocar vários serviços do centro antigo para outras áreas da cidade. De manhã, parece que todo mundo marcou um encontro no mesmo lugar. É uma loucura, todo mundo caminhando para o mesmo ponto.

Para finalizar, qual é a sua proposta para a segurança pública da cidade?

Nós sabemos que a segurança é dever do Estado, mas como Prefeitura, a iluminação é um elemento importante da segurança, [bem como] o ônibus 24h. É impensável uma pessoa ficar esperando o ônibus às 1h, 2h, até o amanhecer do dia. Ela fica vulnerável ao assalto. Nós [também] vamos fazer um grande concurso para a Guarda Municipal. Ela está muito pequena. Ela não é objeto só para espancar ambulante. Nós vamos equipá-la com armas não letais e colocá-la nos espaços públicos, em especial, nos terminais de ônibus.

Perfil

Professor Queiroz
Idade: 48
Estudos: Formado em História pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Experiência: É professor universitário e um dos fundadores do PSOL Amazonas, bem como do PSOL nacional. Já disputou uma vaga ao Senado pela sigla e atualmente é militante ativo do Movimento dos Trabalhadores em Educação do Amazonas

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