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Eleições 2016

‘Sou contra a orientação sexual em qualquer escola’, afirma Silas Câmara

Conservador em questões da família, de orientação sexual e do debate político nas escolas públicas, parlamentar propõe, sendo eleito prefeito, empoderar a comunidade com o orçamento participativo 08/09/2016 às 09:24 - Atualizado em 08/09/2016 às 13:38
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Silas Câmara (Foto: Márcio Silva)
Aristide Furtado Manaus (AM)

Com cinco mandatos consecutivos na Câmara Federal, o candidato a prefeito pela coligação “Somos todos por Manaus”, composta pelo PSC e PRB, o deputado federal Silas Câmara afirmou que a prefeitura se transformou em um grande negócio imobiliário ao se referir aos imóveis alugados pela administração do prefeito Artur Neto (PSDB) para funcionamento de escolas da rede municipal..

Na entrevista a seguir, Silas Câmara, que é pastor evangélico e irmão do presidente da Igreja Assembleia de Deus no Amazonas, Jonatas Câmara, fala sobre os seus projetos para as áreas de mobilidade urbana, saúde, educação e segurança. Com dezoito anos de carreira política e passagem por oito partidos, o deputado defende o projeto que proíbe professores de emitir opinião sobre política em sala de aula e afirma que nunca pediu votos dentro da igreja.

Sendo eleito, o que o senhor interromperia de imediato da atual administração?

O modelo administrativo passará por uma transição muito rápida. Nosso objetivo é diagnosticar nos primeiros três meses todos os serviços voltados para a área de educação, saúde, transporte público e implantar o nosso modelo de administração que será uma sede executiva e quatro subprefeituras para daí implantar os conselhos comunitários e começar a governar Manaus.

Como o senhor planeja elaborar e executar o orçamento municipal?

O orçamento de 2017 já vamos receber todo enlatado, mas o de 2018 será também decidido a partir do conselho comunitário. Será um orçamento participativo.

O senhor tem ao seu lado um especialista na área de segurança. O que cabe à Prefeitura nesse segmento?

Metade da população diz, hoje, que o maior problema de Manaus é a segurança pública. O Coronel Amadeu foi testado na implantação do Ronda no Bairro que reduziu em 30% todos os índices de violência em Manaus. Nós desenvolvemos um modelo de ronda comunitária, por exemplo, que vem de outras iniciativas, que são responsabilidades da Prefeitura e vai refletir na segurança pública imediatamente.

O senhor pode citar exemplos?

A integração das câmeras de vigilância das escolas, dos postos médicos, das paradas de ônibus e terminais que vamos colocar. Os sinais inteligentes. As câmeras dos sinais inteligentes. Além dessa ronda comunitária, todas integradas com a Secretaria de Segurança. Hoje a Prefeitura tem serviço mas não integra, não compartilha. Além da iluminação pública ser algo de fato que vamos executar, não como está sendo executado.

Guarda municipal tem que trabalhar armada?

A legislação acaba de homologar. Já é uma decisão resolvida. Obviamente que a guarda municipal precisa passar por um novo treinamento, uma reciclagem, uma reorganização das suas forças. O coronel Amadeu, que é um especialista na área, meu vice-prefeito, acha que é perfeitamente compatível você adequar essa situação. Inclusive adicionando à força municipal as horas dos guardas da polícia civil, do corpo de bombeiros, e também as horas da polícia militar, de folga.

Um dos gargalos da população é a mobilidade. O que dá para fazer em quatro anos de gestão para melhorar esse setor?

Dá para começar, por exemplo, recuperando as vias secundárias que o prefeito abandonou. Hoje Manaus é uma cidade de vias principais. Quem tinha alternativa de fazer um atalho por uma via secundária perdeu porque a cidade está completamente abandonada, cheia de mato. E por conta disso sobrecarregou as vias principais. E também procurar fazer obras estruturantes como duplicação de avenidas, passagens de níveis, viadutos. Porque o prefeito procurou (recursos) muito tarde. E quando achou, não usou para infraestrutura. Usou para fazer empréstimo “guarda-chuva” que a gente não sabe nem para onde está indo o dinheiro. A Prefeitura vai trabalhar o governo federal, do Estado e instituições financeiras que queiram financiar a Prefeitura para, a longo prazo, começarmos a consertar essa questão da mobilidade urbana. Inclusive com a implantação do BRT.

O prefeito reclama da falta de dinheiro. Falta recurso ou eficiência na aplicação do que tem?

É fácil a população discernir isso. O ex-prefeito arrecadou R$ 9 bilhões. Esse vai arrecadar quase R$ 16 bilhões. Falta de dinheiro obviamente não foi. Eu tenho a impressão de que foi incompetência mesmo e de priorização daquilo que Manaus de fato precisa fazer. É bom que se diga que quando a gente fala que no nosso governo a gente quer empoderar a comunidade, é justamente para que a comunidade diga onde ela quer que o dinheiro seja colocado. Mas do que isso, que a comunidade saiba quanto entrou, quanto gastou e se sobrou ou faltou. Se o prefeito fosse transparente era fácil ele dizer que faltou dinheiro.

Falta transparência à prefeitura de Manaus?

Absoluta. Desafio qualquer pessoa a entrar em qualquer site, veiculo de comunicação do governo, nas mídias sociais e descubra por exemplo quantas UBSs têm funcionando em Manaus.

O reordenamento que o governo estadual está fazendo no sistema de saúde causará prejuízos ao município de Manaus?

Já causou, mas por um motivo muito simples. Manaus desde o ano de 1998 é financiada boa parte de sua saúde básica pelo governo do Estado através de um modelo de atendimento que não existe no organograma do SUS que são os SPAs. Quando o governo se sentiu pressionado pela crise econômica dizendo que perdeu R$ 2 bilhões de receita em dois anos ele fez o que? Procurou as atividades apenas que o governo tem responsabilidade. Só que fez de maneira errada na minha avaliação. Devia ter feito conversando com a população, com a Prefeitura e adotando uma linha de transição. A Prefeitura tem que arcar com as suas responsabilidades. Atendimento básico e prevenção é com a Prefeitura.

A questão dos aluguéis de prédios escolares provocou escândalo na atual gestão. Como o senhor vai lidar com essa questão?

Só para se ter ideia, são R$ 42 milhões por ano não só da Semed. A prefeitura, hoje, na verdade é um grande negócio imobiliário que, de acordo com os interesses do rei, vai acoplando pessoas. E isso está muito bem demonstrado nos escândalos que ocorreram em torno disso. A nossa prefeitura tem uma determinação adotada através do nosso plano de governo que será da seguinte forma: vamos fazer o diagnóstico. Vamos, inicialmente, trazer isso para o patamar da legalidade. Estamos apresentado à comunidade um projeto chamada ponte para o futuro. Que envolve construção de escolas para o ensino de tempo integral modelo. E ir desativando essas escolas alugadas.

O senhor se apresenta como candidato da família. Na sua definição de família cabe a composta por pessoas do mesmo sexo?

Na nossa visão de família serão consideradas famílias todas as pessoas que estão em Manaus e que precisam de cuidados da Prefeitura. Essa questão de conceito A ou B não diz respeito muito à Prefeitura até porque é uma questão que está sendo tratada no âmbito do Congresso Nacional e nós vamos tratar todos de forma igual independente de cor, sexo, enfim, decisão religiosa, independente de qualquer coisa.

A Igreja deve ser usada para pedir votos?

Na minha visão, não deve, e na minha, por exemplo, nunca foi pedido dentro de igreja ou de púlpito de igreja. Eu acho que na igreja vivem cidadãos, mas também tem lideranças. E em todo lugar lideranças pedem votos ou aconselham votos. Isso não é uma coisa anormal. Eu acho que essa questão de tratar a questão do voto como coisa de curral eleitoral é para quem não entende que não existe. Na hora de votar é Deus, a pessoa e a urna. Ninguém consegue controlar o voto de ninguém.

O que o senhor pensa sobre o projeto ‘Escola sem partido’?

Eu acho fantástico. Acho que qualquer visão que tente trazer para dentro das escolas debates que girem em torno dessa questão é prejudicial. Acho que isso vai amadurecendo. Não é na escola o ambiente para isso. Como também as pessoas estão dizendo não é na igreja. A escola é um ambiente para você intelectualizar as pessoas, nutrir as pessoas de conhecimento e juntamente com as famílias educar também as pessoas.

O que o senhor pensa sobre o projeto que proíbe o debate sobre orientação sexual nas escolas?

Eu sou completamente contra a orientação sexual ou de gênero em qualquer escola. Aliás eu sou contra isso em qualquer lugar que não seja na família. Eu acho que a família tem o dever de cuidar dos seus filhos e fazer a evolução educacional nessas matérias sem que nenhuma outra pessoa deva interferir.

Perfil
Nome: Silas Câmara
Idade: 53 anos
Estudos: Bacharel em Ciências Teológicas
Experiência: Está no quinto mandato consecutivo de deputado federal. De 1989 a 1997 foi filiado ao PMDB; de 1997 a 1999 ao PL; Nesse ano foi do PFL. De 1999 a 2007 ficou no PTB e depois no PAN. Entrou no PSC. Em migrou para o PSD, trocando a sigla em 2016 pelo PRB.

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