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Eleições
ELEIÇÃO SUPLEMENTAR

TRE-AM e candidatos a governo fazem apelo contra o voto nulo no 2º turno da eleição

TRE e candidatos ao governo levam ao ar programas na TV e no rádio chamando os eleitores a participar da eleição de domingo (27) 24/08/2017 às 23:10 - Atualizado em 25/08/2017 às 01:16
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No primeiro turno da eleição suplementar, ocorrido no dia 6 deste mês, 75,6% do eleitorado do Amazonas compareceram aos locais de votação. Contudo 15,8% anularam o voto ou votaram em branco. Foto: Euzivaldo Queiroz - 6/ago/2017
Camila Pereira Manaus (AM)

A menos de 48 horas para a realização do segundo turno das eleições suplementares, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) e os candidatos a governador do Amazonas tentam estimular a participação da população nas urnas. Isto porque, no primeiro turno, em um universo de 2,3 milhões de eleitores, o somatório de votos brancos, nulos e abstenções chegou a 440.553, na capital. Enquanto no interior ficou em 408.975. E o número tende a aumentar.

A grande preocupação está no número de abstenções. Cientistas políticos consultados pela reportagem de A CRÍTICA acreditam que o número pode permanecer e até superar o do primeiro turno. Já o TRE-AM estima que 35% dos eleitores amazonenses deixem de ir às urnas no próximo domingo.

Desde ontem, o TRE-AM divulga nas mídias uma peça publicitária com o pronunciamento do presidente do tribunal, desembargador Yedo Simões, chamando a população para ir às urnas e para que não anulem os votos.

“As lutas que deram origem à liberdade política que hoje vivemos devem ser motivo de orgulho e o direito que temos de escolher nosso destino deve ser valorizado, pois a democracia é uma construção constante”, diz o presidente, no vídeo. “Não delegue a terceiros o direito de escolha do governante de seu Estado, se omitindo de votar ou anulando o seu voto. A ausência nas urnas não contribui para a democracia”, afirma. 

Este pronunciamento, segundo Simões, é uma forma de contribuição pelo TRE-AM para a democracia. “Um grande número de abstenção foi observado no primeiro turno, estamos chamando os eleitores a comparecerem às urnas”, destacou.

Simões também ressalta a importancia do voto de cada eleitor. “Aquele eleitor que deixa de votar, transfere para aquele outro eleitor o direito de decidir quem vai governar o Estado. O eleitor precisa ter essa consciência da cidadania, do direito de mudar as coisas. Nós temos que acreditar, porque temos os meios de fiscalização e o eleitor pode ajudar. O eleitor precisa escolher os seus representantes e estar junto. É um direito de escolha. A gente luta, quer preservar, só podemos fazer isso, se votarmos”, disse.

Ainda no primeiro turno, o TRE-AM também veiculou uma peça publicitária associando o pleito e o ato de votar com a resolução de problemas enfrentados pela população como o desemprego e a falta de segurança, que eram discursos recorrentes entre os candidatos que disputavam aquela etapa do pleito suplementar.

Cidades

Maraã foi o município do Amazonas que registrou a maior abstenção no primeiro turno da eleição para governador, no último dia 6. Cinquenta e seis vírgula quatro porcento de um eleitorado de 9.392, o que significa que  5.305 eleitores não foram às urnas.

Já na capital amazonense, dos 1.275.282 eleitores aptos a votar nas eleições para governador tampão,  15,4% se abstiveram do direito ao voto. Mais de 192 mil pessoas escolheram anular o voto e 50.695 optaram por votar em branco.

Em números

569.501

Eleitores se abstiveram de ir às urnas no primeiro turno das eleições suplementares para escolha do governador. O número representa 24,35% do eleitorado amazonense.

61.826

Eleitores escolheram votar em branco no primeiro turno. Ou seja, na prática não optaram por nenhum dos nove candidatos que disputaram o pleito, o que representa  3,4% do total.

218.201

É o número de eleitores que anularam os seus votos para o governador tampão do Estado do Amazonas. Esse montante representa 12,3% do total de 2,3 milhões de eleitores.

Propaganda

Termina hoje a divulgação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, conforme o calendário eleitoral das eleições suplementares. Hoje também é a data limite para a divulgação da propaganda eleitoral na imprensa escrita, na internet e realização de debates na TV. Amanhã é o prazo  final para a propaganda eleitoral por meio de alto-falantes ou amplificadores de som. Também no sábado finda o prazo para a realização de carreatas e distribuição de material de propaganda política.

Candidatos convocam o eleitorado

Na reta final da campanha, os candidatos Amazonino Mendes (PDT) e Eduardo Braga (PMDB), que disputam o mandato tampão de um ano e três meses, têm usado os seus horários de propaganda na TV e no rádio para chamar a população  às urnas e não se abster na fase final do pleito.

Conforme publicado pela coluna Sim & Não do Jornal A CRÌTICA, as pesquisas eleitorais internas das coligações revelam  que o vitorioso na disputa do segundo turno deverá perder, em números absolutos, para os votos nulos, brancos e abstenções.

Ontem, em sua propaganda eleitoral, o candidato Amazonino Mendes fez um apelo para os eleitores. “Não votar ou anular o voto não seria uma demonstração de falta de amor-próprio?”, disse. “Exerça seu poder de escolha. Se posicione. Manifeste a sua decisão de saber que caminho tem a tua preferência. São duas candidaturas diferentes, com propostas diferentes”, ressaltou.

Em material divulgado nas redes sociais,  Marcelo Ramos, candidato a vice governador pela coligação “União pelo Amazonas”, de Eduardo Braga, afirma que a melhor forma de protesto é o voto. “Voto branco e nulo não é uma forma de protesto. Somos donos do nosso destino. Quem age assim está entregando essa chance de mudança do nosso futuro. A decisão soberana do povo é maior do que o desejo individual de cada um”, disse.

Comentário: Luiz Antônio Nascimento, cientista político

Há um esgotamento do processo eleitoral. Há uma discordância. A população não está satisfeita com o processo eleitoral. Parte dessa descrença, resistência política, tem a consciência de dizer “eu adoraria participar dessa grande festa da democracia, mas essa festa está contaminada, no ponto de vista da natureza política”.

Não vai adiantar esse movimento de chamar para votar, se não chamar para discutir a política. Não temos feito isso há uns  20 anos. A participação é o resultado de uma vontade, de um sentimento de pertencimento. Os eleitores não estão se sentindo pertencentes, por isso que eles não vão. Muito provavelmente a porcentagem de abstenção deve aumentar.

Nós vamos às urnas, quando os candidatos forem as expressões das nossas vontades; quando o candidato que tiver disputando a eleição, expressar aquilo que os jovens, negros, gays, mulheres, enfim… quando a sociedade for expressada ali.

Neste domingo vamos ter eleição, mas há um marasmo, um certo desencantamento. Isso é grave, principalmente, porque abre espaço para os charlatões. É preciso politizar a política.

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