Domingo, 22 de Setembro de 2019
DETERMINAÇÃO

‘Vamos combater o crime organizado no Amazonas’, diz Marcelo Serafim

Crítico do grupo político que comanda o Estado há mais de 30 anos, o candidato do PSB defende que o Amazonas tem que romper com as velhas práticas políticas, fortalecer e criar alternativas ao modelo ZFM



20/07/2017 às 05:00

Acumulando no currículo dois mandatos de vereador e um de deputado federal, Marcelo Serafim (PSB) encara agora o desafio de se eleger governador o Estado na eleição suplementar. Confiante, ele diz que tem a “plena convicção”  de que ganhará a eleição. O parlamentar destaca, em seu plano de governo, projetos da saúde, geração de emprego e mobilidade urbana.

Apesar de tecer duras criticas ao governo de Artur Neto (PSDB), Marcelo Serafim disse que pretende trabalhar em conjunto para encontrar soluções também para a cidade de Manaus, que concentra a maior parte da população do Estado. Marcelo é o quinto entrevistado na série produzida por A CRÍTICA com os candidatos.

O que é possível fazer em pouco mais de um ano de governo?

Obviamente, em 14 meses, você não consegue mudar o Estado. Você tem que mudar as linhas mestras do Estado. Você tem que dizer o que você quer na segurança e seguir o caminho. Tem que dizer o que quer para combater o desemprego e seguir. Nós temos dentro da linha de mobilidade urbana várias obras que a gente quer projetar e tentar cortar o custeio para que sobre dinheiro para algumas obras, mas conscientes das dificuldades e que a coisa mais importante é projetar  o Amazonas para o futuro. Fazendo isso já é um grande ganho para o Estado.

Quais são os seus planos para a área da segurança pública? Como vai lidar com o sistema carcerário?

O Amazonas tem que mostrar pro bandido que o Estado é mais forte. Hoje, o bandido que tá mostrando que tem mais força. Vamos combater o crime organizado através de barreiras que vamos fazer dentro dos principais rios que são rotas do tráfico de drogas em parceria com as forças armadas, com a polícia federal, com a polícia militar e polícia civil, trabalhando na inteligência da polícia, para evitar que a droga entre no nosso Estado. Vamos colocar a polícia para funcionar na rua, nos quatro cantos da cidade. Essa sensação de insegurança precisa acabar.

E o sistema carcerário?

Em relação à política carcerária, precisamos fazer um trabalho junto com o Tribunal de Justiça do Amazonas, até para controlar melhor a nossa população carcerária. Hoje, nós temos pessoas que poderiam estar em prisão domiciliar, custando zero para o Estado, mas estão nos presídios custando uma fortuna para as empresas terceirizadas. O Amazonas é uma vergonha na sua política carcerária e o tribunal precisa nos ajudar a mudar essa realidade. Nossos criminosos são mais temidos que os terroristas do Estado Islâmico. Aqui se degolou, esse ano, mais gente que os terroristas mais temidos do mundo. Isso precisa acabar.

Na questão da saúde, quais são as suas propostas?

Estamos trabalhando num projeto chamado “Saúde Forte”. Esse programa prevê várias coisas, entre elas, a mão do Estado funcionando na atenção básica, especialmente nos municípios do interior. O governo vai entrar junto com os municípios no apoio à atenção básica. Além disso, vamos fazer polos de saúde nos mais diversos municípios do interior, pegando municipios estratégicos, que tenham como atender através do polo a saúde de média complexidade, pelo menos, deixando a alta resolutividade para Manaus.

Quais são as alternativas para a economia do Estado, além da Zona Franca?

Ela (ZFM) sempre será forte. Mas temos que ter a capacidade de que ela não será eterna e que cada vez mais a competição vai corroer os nossos interesses em termos de geração de emprego e arrecadação de impostos. Temos que dar todo o valor a ela. Temos que estimular o comércio, a indústria, trazer Fieam, CDL, ACA para discutir com o Estado e buscar soluções. Mas precisamos também desenvolver o setor primário, desenvolver o ecoturismo, o gringo tem que vir gastar dinheiro do Amazonas.

Na CMM, o senhor é bastante crítico em relação ao trabalho do prefeito Artur Neto. Se eleito como será esse relacionamento?

Eu sou amigo do prefeito Artur. O amigo precisa avisar quando o amigo está errado. O que eu faço todos os dias é avisar o prefeito que ele está equivocado na forma de governar a cidade de Manaus. Não tenho nada contra a figura do prefeito, tenho até um carinho grande, mas ele se divorciou da cidade de Manaus e isso precisa acabar. Eu, como governador, vou trabalhar em parceria, sim, com a minha cidade. Não posso abdicar disso.

Quais são as alternativas para a mobilidade urbana?

Temos o agrupamento de 12 grandes obras viárias. O eixo da Constantino Nery precisa ser resolvido e o eixo da Djalma, Rodrigo Otávio, Paraíba, o eixo das grandes avenidas da zona norte e leste da cidade precisam ser resolvidos e a prefeitura não dá um sinal que vai resolver esses problemas. Elencando todas as grandes obras que são necessárias. Após isso, vamos fazer os projetos executivos de cada uma dessas obras para saber quanto que custa. Depois disso, cortar o custeio da máquina pública, precisa ser menor, mais eficiente e competente. Cortando, vai sobrar um pouco de dinheiro para que a gente comece já em 2018 fazer obras de mobilidade e trabalhar com a prefeitura em pequenas obras

E o subsídio do transporte coletivo  seria retomado?

Nós vamos chamar os tubarões do transporte coletivo para que eles expliquem ponto a ponto o que aconteceu com o consumo de diesel. O prefeito foge do debate. Ele se acovarda nesse momento. Ele precisa mostrar o que de fato está acontecendo. O Estado não terá nenhuma dificuldade em retomar o subsídio para tentar melhorar o transporte coletivo. O que tivemos em Manaus foi o aumento de tarifa, não chegaram ônibus novos e nem vão chegar, porque com o aumento da tarifa se diminuiu o número de passageiros, os empresários perderam a arrecadação e mal estão conseguindo pagar o direito dos trabalhadores.

Como o senhor avalia o quadro dos seus adversários?

Respeito a todos. Todos têm o direito de pleitear. Lamento que alguns não tenham o entendimento de que o momento que o País vive precisa de ideias diferentes. Tem dois ex-governadores disputando. Um foi prefeito de Manaus há pouco tempo, passou quatro anos administrando a cidade de sua mansão sentado numa mesa de dominó com os seus secretários e deixou a cidade um verdadeiro caos, não teve nem coragem de ir para reeleição. Agora ele tá dizendo que ama o Amazonas e quem ama liberta e o que ele quer é aprisionar o Amazonas entre os seus dedos e isso não vamos permitir, esse tipo de político não voltará. Reflete de forma negativa o presente. As pessoas cansaram dessa velha escola política que está acostumada a cooptar os novos lideres da oposição. O outro tem que se preocupar em não ser preso agora. Há poucos dias tivemos um ex-presidente da República condenado, e esse candidato vai pelo mesmo caminho. O Amazonas não pode correr o risco de ir pra prisão. Precisamos virar a página.

O senhor já pensou em desistir da política, por tudo que tem visto?

De forma alguma, porque se eu desistir vão ficar no meu lugar aqueles jovens que se corrompem, que se vendem, que ajoelham no milho, que viraram carregadores de pasta do Amazonino. Essa política, eu não quero para o futuro do meu Estado. Eu tenho um lado e esse lado, sempre trilhei por ele. Eu posso perder várias eleições, mas eu não vou mudar de lado. Eu não vou decepcionar as pessoas que acreditam em mim, nosso lado sempre foi da sociedade e não dessas pessoas que podem, por conta do poder, cooptar as lideranças da juventude. Eu sou um Marcelo diferente, eu sou um Marcelo que não se vende.

O senhor já foi eleito para outros cargos políticos, como vereador e deputado federal, acredita que já tem a experiência para atuar no governo?

Quero ser governador, não como conhecedor de toda a realidade, mas como alguém que quer chegar discutindo, conversando com os empresários, lojistas e o povo, para que a gente possa discutir soluções coletivas para o Estado do Amazonas. Tenho a humildade de dizer que não sei tudo e daqui 10, 15, 20 anos depois de governar o Estado e a nossa cidade, eu terei a mesma consciência de que não sou o dono da verdade.

O senhor se espelha muito no seu pai, Serafim Corrêa? Buscará conselhos com ele, se eleito?

Tenho muito orgulho do pai que eu tenho. Meu pai foi prefeito de Manaus, teve inúmeros acertos e pequenos erros, como todos os governantes têm. Neste rol de erros, nenhum deles é vinculado à corrupção.

Perfil

Nome: Marcelo Augusto da Eira Correa

Idade: 40 anos

Estudos: Formado em farmácia, pela UFAM,  e mestre em saúde sociedade e endemias da Amazônia pela Fiocruz.

Experiência: Foi secretário de Articulação Política na gestão de Serafim Corrêa. Em 2006, foi eleito deputado federal. Elegeu-se vereador em 2012 e se reelegeu em 2016.


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