Sábado, 17 de Agosto de 2019
Literatura

30 anos de tradição: ‘Calçada Alta’ vai ganhar livro

Bar e restaurante localizado no Centro Histórico de Manaus comemora três décadas e terá trajetória eternizada em publicação do filho do fundador e atual administrador do espaço



bv0314-01F_58077B8E-815F-4310-81CA-91EDDAC94348.jpg O espaço comemorou no último dia 28 de junho seu trigésimo aniversário. (Foto: Divulgação)
13/07/2019 às 15:20

Conhecido por suas grandes mangueiras de mais de um século de existência e sua calçada alta, o bar e restaurante Calçada Alta, localizado na Rua Costa Azevedo, carrega em sua marca 30 anos de tradição no centro histórico de Manaus. O espaço comemorou no último dia 28 de junho seu trigésimo aniversário e o legado dos fundadores, o português Antonio Silva e dona Clementina está sendo conduzido atualmente pelo filho Marcos Silva e sua esposa, Juce Simões.   

À frente do negócio, o empresário Marcos Silva segue no empreendimento com a mesma receita que parece ter dado certo.  Ele mantém as duas unidades do bar, com ajuda da esposa e de seus filhos e dribla os problemas e a crise para manter a qualidade e tradição do restaurante.  Além disso, as memórias do bar estão sendo escritas e resgatadas para serem publicadas em um livro. “É um trabalho minucioso, mas estamos fazendo isso em nome dos meus pais e irmãos, e também para que outras pessoas conheçam nossa história e a importância para o contexto econômico, cultural e social do centro da cidade”, conclui.

Início
O local frequentado por políticos, intelectuais, artistas, jornalistas, turistas, entre outros, tem muita história para contar, por remeter a lembranças exclusivas na memória afetiva de muitas personalidades. Tudo começou quando um dos irmãos, Luiz Eduardo Bento da Silva com uma visão mais empreendedora, sugeriu que se criasse uma lanchonete para venda de doces e salgados.

Luiz Eduardo, hoje prefeito de uma cidade em Natal, percebeu o talento e os dotes culinários da mãemClementina, a D. Quelé, e achou que ali seria um bom negócio para que ele e seus irmãos passassem a ganhar um dinheiro extra. “O salário mínimo na época era muito baixo e Luiz achou que teríamos sempre um dinheiro apostando na lanchonete. Vendíamos brigadeiro, casadinho, moranguinho, olho de sogra, pudim de leite, um sanduíche americano maravilhoso - com uma receita bem particular da minha mãe-, coxinha, risoles de carne, camarão, kibe, bolo tentador e bolo de chocolate, tudo produzido de forma artesanal e no restaurante”, recorda o empresário.

Marcos lembra com muito carinho do dia em que o irmão comprou um fardo de trigo para ser utilizado na fabricação dos salgados. O pai achou que aquilo era um exagero, no entanto, o fardo durou apenas dois dias pois a produção não parava de aumentar. A lanchonete batizada de Doce Sabor passou a ganhar mais clientes e com isso o movimento foi sempre aumentando e logo passou a funcionar até mais tarde. Novamente, Luiz Eduardo teve uma outra ideia:  resolveu colocar algumas cervejas para gelar para os amigos que sempre estavam pelo local tivessem algo a mais para consumir. Em seguida, os amigos de seu Antônio da Calçada começaram aos poucos a frequentar o espaço e D. Clementina começou a oferecer aos clientes duas opções de pratos: o Bacalhau à Espanhola e o Bacalhau à Braz, além do Filet do Portuga, servido até hoje e os famosos bolinhos de bacalhau do restaurante. Nascia então naquele momento o Calçada Alta.  O nome, segundo ele, foi decidido entre os pais e irmãos acatando opiniões de clientes, já que todos já conheciam o espaço assim. “Os jantares no início eram servidos na sala de jantar da nossa casa, emprestávamos o espaço e eu deitado no meu quarto assistindo TV conseguia ver os clientes. Era e é tudo muito familiar”, ressalta.    

O empresário lembra de nomes como Alcir Hage e família, Belmiro Vianez, Flaviano Limonge, Edmar Andrade dono da Livraria Escolar, Rui Gavinho dono da Livraria Acadêmica, confraria do Serafim Corrêa, entre tantos outros, como personagens muito frequentes. Com isso, a demanda aumentou e o irmão Carlos, que na época estava recém-chegado de Portugal trazendo novidades da gastronomia lusitana e a irmã Adriane começaram também a participar ativamente ajudando no negócio.

A primeira funcionária, Dona Rita, foi contratada em 1992 e tudo começou a crescer de forma impressionante. “Vendíamos 30 grades de cerveja na sexta-feira e cinco mil bolinhos, além de 1 tonelada de bacalhau por mês. Toda essa comida ainda era feira na cozinha de nossa casa e minha mãe era que dava conta de tudo, junto com minha cunhada Tânia. Então resolvemos começar a criar cardápio e construir o primeiro salão”, conta o empresário.  
Nomes de personalidades como Amazonino Mendes, Senador Eduardo Braga, Jefferson Peres, Arthur Virgilio Neto; ex-senador Fábio Lucena, Ministro Mauro Campbell, Umberto Calderaro, colunista Gil, entre tantas outras pessoas eram figurinhas carimbadas no local.

Saiba mais
Banda - Marcos afirma com orgulho que de 1995 a 2000 o espaço era um dos restaurantes mais frequentados pela sociedade amazonense e a banda do Calçada foi um dos pontos altos da história do bar. “A banda foi idealizada pela confraria do Serafim Corrêa, junto com Junior Nunes de Melo, Porfirio de Almeida Lemos, Sergio Litayff e a colunista Elaine Ramos. Reuníamos muitas pessoas e tínhamos a escolha da nossa rainha da banda. A primeira foi a Charufe Nasser, a segunda Nilza Levy, e a terceira Elaine Ramos, só para lembrar algumas”, recorda com muito orgulho da banda, que chegou a reunir cerca de 40 mil pessoas.
 

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