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A ‘Amazônia Indígena’ de Márcio Souza em novo livro

Publicação, que chega às prateleiras pela Editora Record, reúne extenso material produzido por mais de 30 anos pelo autor e dramaturgo amazonense 16/09/2015 às 11:04
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“Amazônia Indígena”, de Márcio Souza chega pela Editora Record por R$ 38 e conta com 256 páginas
Lucas Jardim Manaus (AM)

O escritor e dramaturgo amazonense Márcio Souza, célebre por romances como “Galvez, O Imperador do Acre” e “Mad Maria”, acaba de lançar seu mais recente trabalho, “Amazônia Indígena”.

O livro de não ficção, que chega ao mercado nacional pela editora Record, reúne extenso material produzido por ele durante as últimas quatro décadas sobre a questão indígena na Amazônia, bem como a cultura dos povos que habitavam a região antes da chegada dos europeus e o atrito que muitas vezes ditou a relação dos governantes com eles.

MILITÂNCIA

Em entrevista ao BEM VIVER, o escritor disse que o livro reflete muitos anos de militância em prol da causa indígena. “Essa postura vem desde a década de 70, com a resistência às medidas tomadas pela ditadura militar contra esses povos, até os dias de hoje”, comentou.

Com a escrita acontecendo em partes, o volume atual começou a tomar forma, segundo Márcio, em 2013, quando ele começou a compilar o que tinha escrito sobre o tema e organizar o que viria a ser o “Amazônia Indígena”.

Ainda que partes do livro tenham aparecido em publicações estrangeiras, o material é largamente inédito. De acordo com o autor, muito do que foi publicado fora do País nunca foi divulgado em português.

‘GOSTOSO DE LER’

Além da questão da língua, Márcio espera que o alcance do livro editado no Brasil seja maior. “Os trechos do livro que apareceram em artigos saíram em publicações acadêmicas, então o trabalho ficou restrito a esse meio, o que não é a ideia do ‘Amazônia Indígena’. Foi uma preocupação minha fazer com o que o material inédito tivesse um estilo simples, gostoso de ler, o que acabou ditando também a reformulação de algumas coisas dos artigos”, explicou.

O amazonense comentou que sua intenção é atingir o público geral, que geralmente não procura livros acadêmicos. “Em especial, eu gostaria muito que o livro fosse lido pelos jovens, pelos estudantes, pelos universitários que, no futuro, vão lidar com pessoas. É importante que saibam da história que conto no livro”, declarou.

‘OLHAR LITERÁRIO’

Na busca por esse público, o autor não se eximiu de utilizar seu olhar literário para descrever a Amazônia que lhe é tão familiar. “O modo como descrevo o rio Negro e os povos que vivem em suas margens é um tanto quanto poético. Você não tem como poetizar os massacres indígenas, claro. Foram atrocidades. No entanto, eu faço isso com o cenário amazônico”, contou.

O rio Negro, especificamente, acaba dominando a ambientação da obra, o que se deve, segundo Márcio, por sua familiaridade maior com o rio.

“Eu tenho mais vivência com o rio Negro, tanto que o livro poderia até se chamar ‘Rio Negro Indígena’. O livro não pretende ser exaustivo. Eu conto histórias que remontam desde antes da chegada dos europeus até episódios mais recentes. Elas vêm do meu interesse em conhecer nossa própria história. Espero despertar nos leitores esse interesse”, concluiu.

SEMINÁRIO

Segundo Márcio, a editora Record planeja, juntamente com a Associação Pan-Amazônica, a realização de um seminário sobre as temáticas do livro. O evento, que pretende debater a situação indígena hoje, deve acontecer até o mês de outubro. Além disso, o escritor disse que eventos de lançamento também devem acontecer em São Paulo e no Rio de Janeiro.


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