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TEATRO

Amizade entre mulher moderna e outra conservadora vira tema de peça

"De Salto Alto" marca o retorno da apresentadora Norma Araújo aos palcos e fala sobre dramas familiares com humor 19/08/2017 às 23:00 - Atualizado em 20/08/2017 às 07:21
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As amigas Márcia e Cláudia se dividem nos conselhos para a adolescente Paula (Foto: Antonio Lima)
Laynna Feitoza Manaus (AM)

Um drama familiar, mas que é engraçado, é. Isso caracteriza o espetáculo “De Salto Alto”, que vai estrear no dia 26 de agosto, no Teatro Manauara, pela companhia teatral Interarte. De autoria de Roger Barbosa e dirigido por Francisco Mendes, a montagem – que também marca o retorno da apresentadora Norma Araújo aos palcos - fala sobre três mulheres que compartilham universos totalmente diferentes, embora suas histórias estejam entrelaçadas. As melhores amigas Cláudia e Márcia, uma conservadora, e a outra, moderna, acabam vendo uma na outra o que cada uma delas gostaria de ter sido – pelo menos em algum momento da vida.

No enredo, Cláudia é uma mulher conservadora e pacata, e a amiga Márcia é uma executiva independente. A filha de Cláudia, Paula, uma adolescente na qual a dona de casa depositou todas as esperanças na chance de fazer diferente da mãe, acaba grávida. E aí a história toda se desenrola. “A grande confusão é que o marido de Cláudia, chamado Geraldo, se aposenta e está a um mês em casa, sem fazer nada. Ele acaba querendo organizar a casa para levar a experiência do trabalho anterior dele para dentro do lar e a esposa não concorda”, coloca Francisco.

Com a gravidez da adolescente, Cláudia e Márcia discutem porque reclamam dos defeitos de suas próprias vidas e revelam o interesse nas vivências uma da outra. “Nessa confusão, o Geraldo ouve meias verdades. Ele acha que a mulher dele está grávida do namorado da garota. Aí acha que a Márcia é lésbica e que está dando em cima da mulher dele”, pontua Mendes. O elenco do espetáculo é formado por Roger Barbosa (Geraldo), Ariane Feitoza (Márcia), Norma Araújo (Cláudia) e Tisbe Pedrosa (Paula) e Raphael Frota (namorado de Paula).

Célebre retorno

Depois de 23 anos longe dos palcos, a jornalista e atriz Norma Araújo, a famosa “Manazinha”, se sente como se estivesse andando de bicicleta depois de muito tempo sem andar. Para quem não sabe, muito antes de ser apresentadora de TV, Norma já atuava nos palcos, chegando a fazer trabalhos no Rio de Janeiro – onde morou. Na TV, ela chegou a fazer a novela “Bambolê”, folhetim da Rede Globo em 1987. A atuação adormeceu depois que ela retornou para Manaus. “Na época era ruim, porque não havia um plano de cultura real para Manaus. Tive um grupo de teatro no Sesc, por onde fizemos grandes trabalhos, mas nada que desse para continuar vivendo disso. Encontrei o Roberto Kahane, nos casamos e começamos o projeto da TV”, conta ela.

Por volta de 2008, Araújo foi convidada pelo dramaturgo Sérgio Cardoso para dirigir o espetáculo “Carmen De La Zone”, o qual pôde interpretar o papel de Carmem anos atrás. “Fez sucesso, e ganhamos prêmios. Nunca deixei de ser atriz, uso isso [a atuação] no meu programa. Quando o Roger me convidou agora foi incrível, porque me senti começando tudo do zero. É uma comédia maravilhosa, familiar, que não é difícil de contar e aceitei o desafio. Não sei o que será de nós depois disso, mas minha alma é de artista, voltar a atuar já é maravilhoso. Só temos uma apresentação e eu acredito que um dia vai haver uma temporada”, destaca Norma.

Norma relembra das amizades que fez quando era atriz de teatro no Rio de Janeiro. Uma delas é com a atriz Zezé Polessa. “Conheci ela grávida da filha dela, que hoje tem mais de 30 anos”, declara. À época, Zezé dirigia o espetáculo infantil ‘Azul lata que verde mata’. Depois fizemos outro espetáculo teatral, chamado ‘Mabel, Mabel’. Depois desse fiz parte do grupo de teatro da Regina Casé, o ‘Asdrubal Trouxe o Trombone’. Fizemos até um espetáculo no Parque Lage. No Rio de Janeiro fiz e ministrei cursos de teatro, com pessoas maravilhosas”, pontua ela, que acredita que a pausa só fez bem a ela como atriz. “Quando você volta a atuar, você tem mais bagagem e maturidade”, pondera.
 
Em sua preparação para o papel, Norma está fazendo exercícios vocais. “Eu sou muito intuitiva. Fui convidada para o papel três semanas antes do espetáculo, e é um desafio elaborar exercícios específicos para compor um personagem, mas individualmente tenho o meu processo. Eu consigo ver essa personagem, consigo andar e falar como ela. Já tenho ela. É uma mulher de classe média, muito simples, que abandonou a vida de progresso pessoal para viver pela família. Meus exercícios são todos muito escritos, porque escrevo a personagem e vou visualizando-a”, diz ela, que espera muito que a experiência de retorno dê certo, para que ela possa voltar a pisar nos palcos de vez.
 

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